O Corinthians de 2026 tenta passar a limpo um dos capítulos mais controversos de sua história administrativa. A Comissão de Ética do clube identificou uma lista de gastos efetuados por Andrés Sanchez em seu último mandato que, segundo a acusação, não possuem qualquer vínculo com as necessidades da instituição. São R$ 190.523,54 distribuídos em 50 lançamentos que incluem despesas com saúde, eletrônicos de luxo e até serviços de táxi aéreo. A falta de comprovação documental sobre a utilidade desses serviços para o Alvinegro é o pilar central que sustenta o pedido de sanção severa.
Defesa por Vídeo e o Risco de Expulsão
A audiência, marcada para o início de março, possui peculiaridades que refletem o momento jurídico do ex-presidente:
Formato Digital: Devido às restrições judiciais impostas a Sanchez, o depoimento será realizado via videoconferência. Caso ele opte por não participar, o processo seguirá com base nos depoimentos e provas já coletados.
Rito Processual: Após ouvir Sanchez, o presidente da comissão, Leonardo Pantaleão, encaminhará o parecer ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, que levará a votação de expulsão ao plenário.
Esfera Criminal: Paralelamente ao processo interno, Andrés é alvo de denúncias do Ministério Público por apropriação indébita e lavagem de dinheiro, com pedidos de monitoramento eletrônico (tornozeleira) ainda sob análise da Justiça.
Impacto na Imagem Institucional
A leitura de jogo política indica que o Corinthians busca, com este processo, enviar um sinal de transparência ao mercado e aos seus torcedores:
Credibilidade em Jogo: A diretoria atual tenta desvincular a marca do clube de escândalos financeiros, reforçando a governança interna para atrair novos parceiros comerciais.
Sombras do Passado: A investigação de gastos pessoais indevidos nos últimos meses de gestão de Sanchez é vista como um passo necessário para a "higienização" administrativa do Parque São Jorge.
Tensão nos Bastidores: O desfecho deste caso influenciará diretamente as próximas eleições e a correlação de forças entre os grupos políticos que disputam o controle do clube.
Enquanto o time de Dorival Júnior brilha nos gramados do Paulistão, a verdadeira batalha do Corinthians acontece nas salas de reunião. O julgamento de Andrés Sanchez não é apenas sobre o valor gasto, mas sobre qual será o padrão de conduta aceitável para quem senta na cadeira mais importante do futebol brasileiro. A "Nação" aguarda o veredito que pode apagar — ou confirmar — as sombras que pairam sobre a reputação alvinegra.
Palavras-chave: Corinthians, Andrés Sanchez, Comissão de Ética, Cartão Corporativo, Romeu Tuma Júnior, Gestão Esportiva, Justiça de SP, Parque São Jorge.