O Corinthians emitiu uma nota na última quinta-feira para relatar detalhes da intermediação do contrato de patrocínio máster com a VaideBet. No acordo de R$ 360 milhões por três anos com a marca do ramo de apostas, a empresa Rede Social Media Design receberá a quantia de R$ 25,2 milhões, fato que gera questionamentos no clube. A reportagem do ge traz detalhes de como a empresa chegou à diretoria de Augusto Melo e detalhes sobre a Rede Social Media Design. A empresa pertence a Alex Fernando André, conhecido como Alex Cassundé, que integrou a equipe de comunicação de Augusto Melo durante a campanha eleitoral do Corinthians, no ano passado (saiba mais detalhes abaixo). O pagamento de comissionamento é costumeiro no mercado publicitário e não configura prática ilegal. Porém, os membros da oposição alegam que o presidente Augusto Melo os informou que o contrato com a VaideBet foi fechado diretamente por ele e pelo diretor administrativo Marcelo Mariano dos Santos. Neste cenário, não seria necessário pagar a um intermediário. O ex-diretor de futebol Rubens Gomes, o Rubão, declarou no último domingo à "TV Gazeta", que Augusto Melo havia negado a presença de um intermediário no contrato, reforçando o discurso adotado por oposicionistas que questionam o acordo. – Eu fui perguntar: você falou que não tinha intermediário? Quem é esse cara? Quem é essa empresa? "Você está desconfiado?" (Augusto teria perguntado) Não, não estou desconfiado de você. Nunca. Se eu estou te perguntando é porque eu quero saber. E aí ele... Ficou assim, tal. Não gostou muito da indagação. Eu olhei para ele e falei: só estou te perguntando porque nós estamos aí numa jornada. E você me falou na minha casa que era sem intermediário e agora apareceu uma empresa. Você está sabendo disso? Até onde você sabe disso? – declarou. Membro da campanha O intermediador do contrato do Corinthians com a VaideBet trabalhou na campanha de Augusto Melo para a presidência do Corinthians. Alex Fernando André, o Alex Cassundé, sócio da Rede Social Media Design (ModTech), chegou ao grupo eleitoral sob indicação de Sergio Moura, com quem possuía relação comercial do mercado publicitário. – Eu conhecia o Alex de mercado. Precisávamos montar um grupo digital, e eu o convidei. Conheço muita gente de mercado, e precisávamos alguém que trabalhou com política. Achamos que ele tinha o perfil de quem tinha trabalhado com campanhas políticas boas para poder nos auxiliar na campanha – afirmou Sergio Moura, em contato com o ge. A empresa do intermediário trabalhou com "performance, monitoramento e análise de críticas das redes sociais" de Augusto Melo, segundo o superintendente de marketing do clube. A reportagem teve acesso a mensagens e alguns materiais do trabalho desempenhado pela empresa de Cassundé durante a eleição corintiana. Sergio Moura reuniu a equipe de comunicação em um grupo único com Cassundé, no qual compartilhavam informações da chapa adversária e comemoravam o crescimento do atual presidente alvinegro nas redes sociais. Alex fez um texto para comemorar o fim da campanha. – É com uma emoção transbordante que agradeço por fazerem parte deste capítulo inicial, onde a vitória vai apenas se tornar um marco no vasto horizonte de triunfos que ainda virão – escreveu Alex Cassundé no grupo para os “amigos de jornada”. Para promover as redes sociais de Augusto Melo, a empresa do intermediário do contrato com a VaideBet usou inteligência artificial generativa de texto e um software de postagens na rede social "X", por exemplo. Entre as estratégias devidamente registradas se encontravam a “criação de personas no mundo esportivo. Pesquisa e extração de diversos grupos e páginas do Corinthians nas redes sociais”.
Intermediário da bola de "primeira viagem" Não há um documento que protocole intermediação entre Cassundé e a VaideBet. O registro de ligação entre as duas empresas se limita ao contrato que coloca a Rede Social Media Design como responsável pela intermediação do negócio e com direito a 7% do valor final do contrato com o Timão. O negócio de intermediação entre VaideBet e Corinthians foi o primeiro deste tamanho feito pela empresa, que modificou depois da assinatura do contrato a atividade econômica na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). O contrato de patrocínio tem a assinatura de 4 de janeiro, enquanto a mudança no registro da Rede Social Media Design ocorreu no dia 18. A partir do acordo com a VaideBet, Alex Cassundé passou a promover a empresa também como intermediadora de negócios. Do ponto de vista contábil ou legal não há problema de alterar a atividade econômica da empresa no Jucesp em qualquer momento, segundo fontes do mercado financeiro que conversaram sob condição de anonimato com a reportagem. Porém, de acordo com essas fontes, chama atenção neste ponto como uma empresa nova (o registro é de janeiro de 2021) e sem experiência neste mercado sirva como intermediária do maior contrato de patrocínio do país. Neste caso, pura relação entre o intermediário e as partes envolvidas. A reportagem fez questionamentos à VaideBet sobre a relação com Alex Cassundé, mas não obteve resposta até a publicação. Fontes ligadas à empresa, porém, resumem a relação de Alex Cassundé com André da Rocha Neto, da VaideBet, como a de "intermediário" no negócio com o Corinthians. Alex Cassundé, por outro lado, tratou André como "parceiro" e detalhou o contato com o Corinthians, em entrevista concedida ao ge. – É um parceiro nosso e apresentei na campanha, como conheci o Augusto Melo, a gente indicou. Conheço o André há bastante tempo. Sabia que a VaideBet. Temos experiência com intermediação de negócios, futebol foi algo novo. A gente intermediava negócio de franquias, sapatos, calçados... – comentou.
O intermediador do contrato acrescenta que pensou na possibilidade de negócio antes mesmo da definição da eleição. – Minha intenção era que se o Augusto ganhasse, o André estava interessado. Quem sabia? Era mentira se dissesse que tinha certeza que poderia ter negócio. Quando apresentei, se o Augusto ganhasse, era uma perspectiva porque sabia que a VaideBet queria – disse. – Era mais da minha cabeça. Como ganhou e a VaideBet estava atrás, juntou a fome com a vontade de comer – afirmou Alex Cassundé em contato com a reportagem. Até o momento, a empresa do intermediário recebeu R$ 1,4 milhão pelo contrato de intermediação: R$ 700 mil (metade da parcela vencida em fevereiro, que corresponde a dois pagamentos do patrocínio) e R$ 700 mil (março). Ainda resta o pagamento de mais R$ 700 mil por parte do clube, assim que houver fluxo de caixa. Segundo o contrato ao qual a reportagem teve acesso, a empresa vai receber R$ 700 mil mensais até o fim do contrato, no fim de 2026.
O que diz Sergio Moura O ge ouviu Sergio Moura sobre o processo e a relação com o intermediário do contrato com o Corinthians. O dirigente corintiano, que sofre questionamentos de quadros importantes no contexto do clube, confirmou que Alex Cassundé foi quem trouxe a VaideBet para a discussão de potencial patrocínio ainda na eleição. – Alex trabalhou na campanha, eu nem conhecia a VaideBet. Quando veio e nos apresentou, olhamos e entendemos que poderia ser um bom patrocínio por tudo o que já havíamos negociado; achamos interessante. Todo mundo analisou, olhou contrato e condições de pagamento. Não tem conflito de interesse: ele quis e apresentou para o Augusto – relatou. Questionado o motivo que fez o Corinthians avançar para concretizar o negócio, Sergio Moura justificou a viabilidade do contrato com um intermediário com nenhuma experiência neste tipo específico de negociação. – Não escolhemos a empresa; a empresa foi quem nos trouxe o patrocínio. Existem empresas pequenas que trazem patrocínio, com capital também baixo, mas que crescem ao levar esses patrocínios. Ele tinha a empresa e nos apresentou. Cabia a nós vermos a empresa, conversar com o cliente – detalha. – É uma prática normal do mercado ter direito sobre a comissão. Não há dolo, não há erro, nada anormal dentro do mercado. Foi feita a exigência dos pagamentos antecipados para que não tivesse risco para o Corinthians. Em nenhum momento o Corinthians foi lesado ou teve algum tipo de problema – assegura Sergio Moura. O dirigente também se posicionou sobre a relação com intermediário e o passado ligado ao São Paulo. – Nunca tive sociedade ou sequer trabalhado diretamente com o Alex. No mercado publicitário é normal que pessoas em comum se apresentem. Sabia do potencial dele e havíamos conversado sobre outras coisas. Há tempo não trabalhava na área política – comentou Sérgio Moura. O responsável pelo marketing do Corinthians trabalhou com política justamente no clube do Morumbi. Sergio Moura esteve na campanha de Carlos Miguel Aidar, em 2014, e comentou sobre a relação com o rival. – Estava em uma agência, e o Carlos Miguel Aidar nos convidou para fazermos a campanha política (2014). Entendemos que seria interessante e participamos. Sei que falaram que o Sérgio era sócio do São Paulo; o que me deram foi uma carteirinha para transitar no clube, mas encerrei meu vínculo assim que entreguei o resultado – atestou o dirigente alvinegro. – Fiz projetos em 50 clubes de futebol e sempre me relacionei dentro desse meio, então sempre me precavi de expor o meu time. No São Paulo, fui como CNPJ contratado para fazer o trabalho na eleição. Tenho relação com o presidente do São Paulo (Julio Casares), porque trabalhamos juntos no SBT. Estou no Corinthians, coloquei o meu CPF e assumi o meu time – encerrou.



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