As fortes palavras de Cássio na Argentina, pós-derrota para o Argentinos Juniors, despertaram a atenção da diretoria e comissão técnica do Corinthians. Afinal, o principal líder do elenco usou os microfones para expor uma insatisfação com a situação vivida no clube a ponto de cogitar deixar o Parque São Jorge. Mas, afinal, o que está por trás do desabafo do goleiro, segundo atleta com mais jogos pelo Corinthians na história e dono de nove títulos?
Cássio se mostrou no limite da saúde mental por fatores como as críticas consideradas excessivas e o aumento da pressão nos últimos anos. Internamente, Cássio é praticamente unanimidade dentro do elenco. A atual comissão técnica destaca a liderança positiva do goleiro e a dedicação no dia a dia, mesmo com a história já conquistada com a camisa do Timão. Tanto que António Oliveira e companhia tratam com cautela a situação do camisa 12.
Em 2020, pós-goleada sofrida para o Flamengo em Itaquera, o goleiro fez um desabafo parecido ao apresentado na Argentina depois da derrota para o Argentinos Juniors. Cássio admitiu ter errado no lance do gol do Argentinos Juniors, assim como no segundo gol sofrido contra o Juventude, em duelo pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Acostumado a responder questionamentos sobre ações no gol, o goleiro exibiu nesta semana a insatisfação pelo excesso de críticas às próprias atuações, enquanto o time inteiro não rende.
Neste momento, o Corinthians vive a segunda pior sequência na temporada que começou em janeiro. No Paulistão foram cinco derrotas consecutivas, agora já são três. Neste período, o Timão acumulou quatro partidas sem vencer e sequer anotou um gol. Cássio chegou ao limite por encarar sozinho os questionamentos. O goleiro dificilmente foge do contato com a imprensa nos momentos ruins do Corinthians, mas na semana passada foi protegido. Contra o Juventude, por exemplo, Paulinho assumiu o discurso pós-derrota ainda no gramado. Mesmo fora daquela entrevista, Cássio deu satisfação ao torcedor na zona mista e reconheceu o erro com o passe ruim para Félix Torres. Porém, sempre “dando a cara a tapa”, o camisa 12 desabafou fortemente na terça.
A pressão sobre Cássio como um líder do elenco cresceu em 2024. Em um dos primeiros atos de campanha, o presidente Augusto Melo e o diretor de futebol Rubens Gomes, o Rubão, decidiram reformular o elenco na época comandado por Mano Menezes. Assim, toda a pressão em um clube com nova gestão e em reformulação caiu sobre Cássio e Paulinho; principalmente o goleiro, titular absoluto do time e em campo desde a desclassificação precoce no Campeonato Paulista.
Cássio acostumou-se a levantar taças e brigar por títulos no Corinthians. São nove troféus desde o início da trajetória em 2012. Entretanto, desde a conquista do Campeonato Paulista de 2019, o goleiro passou a conviver com outro nível de competitividade. Desde o tricampeonato estadual, o Corinthians chegou a duas finais: Paulistão de 2020 e Copa do Brasil de 2022. Porém, desde o ano passado, a falta de protagonismo se tornou uma briga contra o rebaixamento.



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