O Conselho Fiscal do Corinthians emitiu, nesta quarta-feira, o relatório independente e auditado das demonstrações financeiras do clube referente ao ano de 2023, quando Duilio Monteiro Alves ocupava a presidência. O órgão fiscalizador aprovou sem ressalvas o balanço apresentado pela gestão que antecedeu Augusto Melo. "Em nossa opinião, as demonstrações financeiras acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Sport Club Corinthians Paulista em 31 de dezembro de 2023, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, aplicáveis às entidades sem fins lucrativos e entidades desportivas profissionais", diz trecho do relatório em que a opinião do CF é exposta.
O atual Conselho Fiscal corintiano é composto por Claudio Senise, Haroldo Dantas e Paulo Pimentel, trio de sócios eleitos para tal obrigação. Vale destacar que nenhum dos três membros está sob mandato no Conselho Deliberativo, pois o CF também deve fiscalizar ações dos conselheiros. Até o fim da semana, o documento passará pela apreciação do Cori (Conselho de Orientação). Após isso, o balanço será votado em reunião no Conselho Deliberativo, agendada para a próxima segunda-feira à noite. No Parque São Jorge, a votação das contas é tratada como um grande acontecimento e expectativa. Há, nos bastidores, movimentações políticas importantes a fim de constituir articulações e alianças. Entre os conselheiros aliados ao grupo de situação, a intenção é reprovar o balanço de Duilio. Neste sentido, o parecer do Conselho Fiscal, sem nenhuma ressalva, se torna um empecilho e fortalece a ideia de que não há motivo técnico para reprovar a apresentação financeira.
PRINCIPAIS NÚMEROS O balanço financeiro de 2023 do Corinthians foi auditado pela RSM Global e teve o acompanhamento de Rozallah Santoro, diretor financeiro da atual gestão. O documento apresenta uma arrecadação recorde, que atingiu R$ 1,010 bilhão. Em relação ao ano de 2021, o último antes de Duilio assumir o clube, o aumento é de 92,5%. O resultado operacional consolidado (Ebitda) também foi positivo: R$ 259 milhões. Esse montante se refere à geração de caixa, ele abrange tudo o que o clube arrecadou e subtrai deste valor tudo o que o clube gastou, sem despesa de juros e amortizações.
O triênio da gestão anterior, portanto, obteve um lucro operacional total de R$ 608 milhões, valor que não fica no caixa justamente porque é destinado a pagamentos de dívidas, juros, amortizações, entre outros compromissos. Ainda segundo os gráficos apresentados no balanço, o endividamento do Corinthians com o clube social mais o futebol, sem contar a Neo Química Arena, caiu. Quando Duilio assumiu a presidência, esta dívida era de R$ 949,2 milhões e fechou 2023 em R$ 885,8 milhões. A dívida sobre a Neo Química Arena, que se refere ao empréstimo junto a Caixa Econômica Federal, fechou 2023 em R$ 703,1 milhões. Sendo assim, a dívida líquida do Corinthians ("Clube + Arena") virou o último ano em R$ 1,588,9 bilhão. O problema é que no último gráfico do balanço, que trata justamente da dívida bruta, apresenta o valor de R$ 1,968,8 bilhão, ou seja, quase R$ 2 bilhões. Nele, a dívida do clube é apontada em R$ 1,2 bilhão + R$ 703 milhões da Arena.



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