Foram 18 títulos e cerca de nove anos no Corinthians, e agora a coordenadora de seleções Cris Gambaré quer repetir a receita no futebol feminino da CBF. Prestes a completar um mês no novo cargo, a ex-diretora alvinegra está focada nas Olimpíadas de Paris 2024 e também na chance de resgatar o prestígio da seleção feminina. A missão é fazer com que a seleção [brasileira] seja respeitada como o Corinthians foi ao longo desses anos todos. Cris Gambaré, ao UOL Cris começou no futebol feminino do Corinthians em 2015 e viu o projeto "desabrochar" três anos mais tarde. O time contou com uma parceria com o Audax nos dois primeiros anos, e depois teve com gestão própria. Nós criamos o departamento na época, eram 23 atletas e mais 10 a comissão. Hoje eu deixei o Corinthians com quase 150 pessoas lá, entre atletas de base, profissional e a parte de estrutura, comissão e administrativo. É um grande ganho. *O Corinthians conta atualmente com 23 profissionais, entre diretoria, comissão técnica e estafe. A equipe brasileira que foi para a Copa do Mundo 2023, por exemplo, teve 37 profissionais, entre presidência, comissão e apoio."
E Gambaré contou com um fiel escudeiro, o técnico Arthur Elias, hoje também na seleção feminina. A dupla tenta repetir a trajetória repleta de taças e terá como primeiro grande desafio as Olimpíadas de Paris-2024. Além do convite do presidente [da CBF], acho que grande parte desse balanço também veio do Arthur [Elias], porque ele sabe como nós trabalhamos. A gente tem muita sintonia e muita conexão, não só o Arthur, mas também os meninos que vieram para cá, as treinadoras das categorias. Eu optei a ter essa missão junto com eles e ter esse propósito em trabalhar com a CBF, principalmente agora nesse novo ciclo, para fazer o melhor aqui para o futebol de mulheres dentro do cenário nacional. Como repetir o sucesso? Muito trabalho, proximidade dos clubes e conquistar respeito fora dos muros da CBF estão entre as metas de Cris para o futebol feminino.
A coordenadora deseja ainda atrair o público para os jogos femininos, como já conseguiu o Corinthians, detentor do recorde sul-americano. Nós já temos o respeito dentro da confederação, o presidente está muito presente nas nossas decisões. Agora é levar essa ideia para fora da seleção, ou seja, para o país e para o mundo. Que a gente consiga ter o respeito de time, de modalidade, da categoria, e mostrar que nós temos um dos melhores trabalhos do mundo. E essa é a nossa missão e meu propósito aqui pela seleção. Como fazer [surgir esse respeito]? Trabalhando, se organizando, planejando, fazendo com que isso aconteça de uma forma muito positiva. O ambiente já se tem. Agora tem que se trabalhar para que tudo isso aconteça, lógico, muito compartilhado com os clubes. E aí é onde há, futuramente, uma conexão entre os clubes e CBF para que eles entendam realmente a necessidade de termos as atletas jogando pela seleção e eles tendo uma boa atleta sendo selecionadas pela seleção. Então, o próximo passo é a conexão com os clubes e fazendo com que isso aconteça de uma forma muito tranquila. Grupo da morte nas Olimpíadas? Nenhum grupo é fácil. O futebol não é fácil. E nós estamos mostrando que a qualificação está vindo, e a melhora está vindo a cada jogo, a cada torneio. Eu acredito que essa pergunta logo estará sendo feito para outros times. 'Olha, você caiu na chave do Brasil, e o que você acha? O Brasil é tão forte quanto os outros?' E essa é a nossa intenção, fazer com que os outros, tenham esse respeito e talvez uma preocupação está caindo na nossa chave, não ao contrário.
As comandadas de Arthur Elias caíram na chave de Nigéria, Japão e da atual campeã mundial Espanha, e podem contar com a experiência de nomes como Marta e Cristiane. Cris, porém, valoriza o coletivo da seleção. A gente tem um grupo bem eclético, com muitas meninas novas, meninas mais maduras, pessoas que fazem parte de um processo do futebol. Agora a missão é fazer o melhor. Então, o nome, o peso da camisa quem vai fazer é o time. Mas, lógico, tendo uma Cristiane, uma Marta e outras atletas dentro da seleção, sempre fará uma diferença enorme pela história e por tudo que elas já fizeram e continuam fazendo pelo futebol.
Os títulos de Cris Gambaré pelo Corinthians Campeonato Brasileiro: 2018, 2020, 2021, 2022 e 2023 Copa Libertadores: 2017, 2019, 2021 e 2023 Copa do Brasil: 2016 Campeonato Paulista: 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023 Supercopa do Brasil: 2022, 2023 e 2024



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