O sonho bateu na trave mais de uma vez. Reprovado em duas peneiras, Fabrício Oya só foi escolhido na terceira tentativa, aos 11 anos. Por uma década, o menino franzino de Campinas fez do Corinthians a segunda casa. Do protagonismo na base aos percalços da transição ao profissional, o meia leva na bagagem as lições da vida no Parque São Jorge. Oya chegou ao Corinthians em 2010 e rapidamente se firmou na base. A ascensão o levou ao sub-20 com apenas 16 anos. Foram quatro temporadas no júnior até chegar ao time principal, em 2019, sob o comando de Fábio Carille. A transição da base para o profissional, porém, frustrou os planos de uma das principais promessas da base alvinegra nos últimos anos. É a parte mais difícil. É totalmente diferente o estilo, a velocidade do jogo. Acho que faltou paciência por parte do clube e de minha parte também. O Brasil é muito imediatista. O menino aparece com 17, 18 anos e as pessoas já querem que ele entre e resolva um jogo contra atletas de 30, com dez anos de experiência — Fabrício Oya
Concorrência pesada. Em meio à expectativa de se consolidar no time principal, o meia enfrentou forte concorrência por posição. Com Jadson e Rodriguinho em alta, o Corinthians foi tricampeão paulista entre 2017 e 2019. Na avaliação de Oya, o sucesso da dupla dificultava a consolidação de jovens da base na equipe de cima. — Foi uma batalha muito difícil. Eu sabia que teria que ter paciência para esperar minha vez. Naquela época eles estavam voando (risos) . Eu tinha os dois como espelho, era onde eu queria estar e chegar — relembrou. Tem o nosso próprio ego. Com todo o respeito, mas quando entra dentro de campo é todo mundo igual e competindo entre si. Ao mesmo tempo que eu me inspirava e respeitava muito, eu também queria superá-los — Fabrício Oya
Lições e aprendizado. Três anos após se despedir do clube, o meia olha para o passado com gratidão e admite entender os puxões de orelha recebidos. Ele chegou a treinar com Danilo, atualmente treinador do sub-20 do Timão, e Renato Augusto, hoje no Fluminense. — Eles pegavam muito no meu pé, mas eu entendo que era para o meu bem. Hoje, mais maduro, sei que tudo que eles me falavam é verdade. Aprendi muito nesse período. Procurava observar ao máximo o comportamento deles. Depois o Danilo foi meu treinador no sub-23 e também tivemos uma troca legal — disse. O sonho de jogar futebol profissionalmente não o impediu de estudar. A mãe, inclusive, ameaçava tirá-lo do Corinthians caso o desempenho escolar caísse. A dedicação fora das quatro linhas o ajudou a enfrentar as frustrações do mundo da bola. — Isso vem de casa, da minha educação, da família. Eu queria jogar futebol, mas levava a sério. Fiz inglês e tenho um cognitivo legal. A carreira é curta. E depois, o que vai fazer? Se não tiver estudo, preparo, acaba se perdendo — contou.



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