Apresentado pelo Corinthians na manhã deste sábado, o lateral-direito Matheus França disse estar realizando um sonho ao vestir, enfim, a camisa do clube do coração. Corintiano desde a infância (algumas fotos dele do período viralizaram nas redes), Matheus França reconheceu que o coração falou mais alto nas negociações com o Flamengo, que se arrastaram e quase acabaram depois que o clube carioca recusou proposta de empréstimo do Timão. Após uma longa novela, o Corinthians chegou a um acordo com o Flamengo para comprar 60% dos direitos econômicos do jogador por 4 milhões de euros (cerca de R$ 21,3 milhões na cotação atual). – Todo mundo já sabe. Quando chegou a proposta, o coração falou mais forte e não pensei duas vezes. Briguei muito para vir para cá. É um sonho meu e da família que se realizou. O coração falou mais forte – disse Matheus França. Matheus, aliás, confirmou na sua nova camisa a mudança de alcunha: Matheuzinho nos tempos de Flamengo, ele é agora o Matheus França, que vai vestir a número 2 do Corinthians . Ele explicou os motivos para abandonar o antigo apelido. – É uma coisa que pensava. Matheuzinho veio quando era mais novo, 12 ou 13 anos, e foi se prolongando no Londrina e Flamengo. Quis mudar pela identidade, eu me considero um adulto, com outra personalidade, por isso quis mudar. O Tite não me disse muito sobre como seria, até porque há tempo ele passou aqui. Me deu sorte e falou sobre a torcida, que é gigantesca. – O Matheuzinho foi um moleque que começou a gostar do clube, gostar do futebol. Se não fosse ele, não estaria aqui. É agradecer a ele. Sobre os meninos, o recado é para não desistir dos sonhos, se manterem firme com os obstáculos. Como me machuquei no ano passado, tive lesão séria de músculo no passado também. Teve a questão de voltar para o Rio, um obstáculo também. Mas sempre tive na cabeça que tudo daria certo – afirmou o reforço. Em meio às negociações, Matheus chegou a treinar com o elenco do Corinthians em janeiro e participou de um treino aberto à torcida na Neo Química Arena. Ali aumentou sua certeza de querer defender o clube do coração. – Ali foi meu primeiro contato. Todo mundo falava que a torcida era diferente, vários jogadores falaram que era diferente. Conhecia pela TV, depois de jogar contra. A partir do momento que fui treinar lá no Parque São Jorge e depois fui ao jogo e senti qual era o clima. Foi espetacular, cheguei até a me arrepiar. É diferente, não dá para explicar, quando está com eles é algo a mais. Tenho certeza de que a torcida é o 12º jogador que vai nos ajudar a ganhar a partida. Matheus França, de 23 anos, assinou contrato com o Timão até o fim de 2028. A multa rescisória dele é de R$ 300 milhões para o mercado nacional e 100 milhões de euros para clubes do exterior. Matheus está à disposição do técnico António Oliveira para o clássico deste domingo contra o Palmeiras, às 18h (de Brasília), na Arena Barueri, pelo Campeonato Paulista. Veja mais respostas de Matheus França em sua apresentação: Seleção brasileira – Corinthians tem uma visibilidade enorme. Se tiver uma sequência grande pode vir chance na seleção. Quero fazer minha história dentro do clube, e minhas exibições vão ser uma consequência. Retorno ao Flamengo – Não teve constrangimento, faz parte do futebol. Ninguém quer que aconteça com você, fiquei de cabeça erguida e deixei claro minha vontade para o Marcos Braz. Graças ao Rubão, presidente, o Soldado, que me ajudaram, conseguimos voltar para cá. Apenas voltei, fiquei de cabeça erguida. Lembrança como torcedor – Minha maior inspiração com torcedor foi meu avô. Ele é corintiano e me fez gostar e torcer pelo Corinthians . Primeira lembrança é quando fui para o estádio com meu pai em 2007, 2008. Corinthians foi jogar em Londrina a Série B, começou um temporal, estava eu e meu pai na organizada. A Gaviões subiu o bandeirão e ficou na minha memória. A paixão veio pelo meu avô e depois dessa parte que presenciei como torcedor. Espero que possa estrear no Dérbi. Se acontecer será ótima oportunidade para mostrar trabalho. Disputa com Fagner e escolha – Eu deixei claro qual a minha escolha. As propostas chegaram para mim, mas não teve como pensar em vir para cá, mesmo tendo o Fagner que é um cara que dispensa comentários. Acredito que chego aqui para poder brigar pela posição. Respeito o Fagner, os dois bem vão somar muito, tem o Léo Maná também. Quem tem a ganhar é o clube. Perfil ofensivo – Sempre joguei no ataque, fiz bastante gols. Sempre meu tio pegou no meu pé para ir para a lateral, falando pelo vigor físico. Para atacante talvez você seja mais um, na lateral pode ser “o cara”. Fui adquirindo conhecimento da posição e deu certo. Só agradecer aos dois que botaram isso na minha cabeça, porque talvez não estivesse aqui jogando no Corinthians . Parte defensiva – Tive que treinar muito a marcação. Na base era diferente, às vezes ia para o ataque, sem compromisso para voltar. No profissional não era desse jeito. Tive que aprender a marcação, tive que aprender a ser um quarto zagueiro mais ou menos e tive alguns professores excelentes como o David Luiz, o Filipe Luís. Tive que evoluir, no futebol você tem que evoluir todo dia. Se parar por aqui vai ter moleque que vai passar voando, tenho que continuar trabalhando e tenho trabalho de scout por fora que me ajuda na parte ofensiva e defensiva. Representar o clube do coração – Vou ter essa experiência agora, mas pode ter certeza que quando jogador entra dentro de campo, representa o clube que veste. Pode ter um gostinho especial, sim. Independente de ser torcedor, quando jogava no Flamengo dava meu máximo. Aqui vou sempre entrar para dar os 110%, porque queria estar aqui. Desde o primeiro momento que vestir, estou motivado para dar o melhor Matheus de todos os tempos. Não estou com ritmo de jogo, mas se precisar estou à disposição.



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