O Corinthians contratou o português António Oliveira como seu novo treinador para a temporada. Aos 41 anos, António José Cardoso de Oliveira é natural de Lisboa e foi revelado pelo Benfica B. Com carreira de sucesso por times médios, ele se aposentou e foi auxiliar técnico de equipes pequenas por 8 anos, até ter a grande chance ao lado de Jesualdo Ferreira no Santos em 2020. Sua carreira como treinador profissional começa no Brasil em 2021, no Athletico. Mas foi no Cuiabá que se firmou: comandou o Dourado em duas campanhas seguras no Brasileirão, com jogos de destaque. Ano passado, chegou a figurar no G-6. Como grande parte dos treinadores portugueses no Brasil, António tem um estilo tático que prioriza muita organização com e sem a bola. Nem ofensivo, nem defensivo: preza pelo equilíbrio e monta times que se defendem muito bem - o Cuiabá foi a 7º melhor defesa do Brasileirão. Entre esquemas, ele se adapta ao adversário e gosta do 4-1-4-1, sistema usado em sua passagem pelo Coritiba e na segunda passagem no Cuiabá. Minhas equipes, acima de tudo, têm que ser muito estáveis, organizadas e equilibradas. Esses três desígnios definem muito. — António Oliveira, em entrevista à Placar
Algumas pontos táticos que se destacam nos times que António treinou em 2023: Marcação avançada e muita pegada sem a bola. Nada de um Corinthians atrás, esperando o adversário. António gosta de uma defesa agressiva, que marque na frente. Todo mundo deve sufocar, inclusive o camisa 9, que comanda essa pressão e sufoca os zagueiros. No Cuiabá, Deyverson fez muitos gols roubando alto e correndo para o gol. Perceba como a marcação alta e encaixada (todo mundo tem um alvo e acompanha) é presente no Coritiba. Veja a dobra no zagueiro com a bola. O time e os jogadores mudam, mas o padrão é o mesmo: todo mundo concentrado num lado e marcando em cima, tentando diminuir o tempo e o espaço de jogo do adversário. Essa marcação forte é um símbolo do estilo de António porque ele quer defender mais alto e roubar a bola mais próximo do gol. Até por isso a predileção por centroavantes móveis e "chatos", como Deyverson. Será uma boa para Yuri Alberto?
Várias formas de sair com a bola: sustentada ou com lateral por dentro. A organização do time para jogar com a bola no chão varia conforme o elenco que António tem. Ele gosta de laterais que participam bastante e joguem tocando a bola mais perto dos zagueiros. No Cuiabá, os dois laterais jogavam no campo de defesa para Ceppelini ou Cafu ficarem trocando de posição lá na frente com Deyverson e Clayson. Já no Coxa, Oliveira fazia uma saída mais posicional com Victor Luís, hoje no Vasco, formando uma linha de três e liberando um dos pontas para jogar na frente. Perceba que nas duas imagens, António gostava de um time mais "repartido": muita concentração atrás para chamar o adversário e alguns jogadores na frente para receber a bola e prender a defesa.
Outro padrão que se repete nas equipes de António é uma chegada que começa num lado e termina rapidamente no outro. O português gosta de equipes que toquem a bola com três ou quatro jogadores pelo lado. A ideia é chamar a marcação e inverter o lado quando o adversário menos espera, abrindo espaço para quem vem de trás. No Cuiabá, Clayson cansou de fazer gols assim. Deyverson, nem se fala. No Coritiba, os melhores momentos do time tinham a chegada de Pottker e Alef Manga nesse jogo de atrair por um lado e inverter no outro. Gestão de espaço em termos defensivos para nós é como o pão para a boca. E depois, o movimento. A tomada decisão, a qualidade no passe e na recepção. Isso é que vai determinar a qualidade do nosso jogo.” — Entrevista ao Placar
No Corinthians, o português reencontra Raniele, que treinou no Cuiabá, em um momento delicadíssimo: com cinco derrotas consecutivas, o tem apenas três pontos e é lanterna do Grupo C, atrás de Bragantino, Mirassol e Inter de Limeira. Hoje, o Timão está na penúltima posição do campeonato.



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