Wellington Saci venceu no futebol. Começou tarde, recomeçou na várzea e trocou um emprego em um posto de gasolina pelo caminho que o levou a ser campeão pelo Corinthians.
Em entrevista ao ge , o ex-lateral-esquerdo relembra a trajetória, fala de Mano Menezes, conta histórias de Ronaldo Fenômeno e diz que foi um erro pedir para sair do clube.
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Wellington Saci lembra histórias de Ronaldo Fenômeno no Corinthians
– Em outubro de 2006, eu era frentista em um posto de gasolina. Em maio de 2007, eu estava jogando a Série B pelo Remo. E depois estava no Corinthians. Então, em um ano e meio minha vida profissional mudou da água para o vinho. Foi um salto muito grande, deu tudo certo – orgulhou-se Wellington Saci.
Ele nasceu em Belém e cresceu jogando bola com os irmãos mais velhos. Aos 21 anos, ficou sem clube e foi forçado a procurar outro emprego. Virou frentista e só entrava em campo na várzea, aos finais de semana.
– Conheci um rapaz que era gerente de uma rede de postos de gasolina e também tinha um time de várzea. Ele pegava os jogadores para jogar no time e conseguia emprego para quem quisesse trabalhar. Naquela situação, sem clube, conversei com ele e disse que queria trabalhar, que estava desanimado do futebol – lembrou Saci.
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Saci e Ronaldo foram companheiros de Corinthians e campeões em 2009 — Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Saci e Ronaldo foram companheiros de Corinthians e campeões em 2009 — Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Foram quatro meses assim, no posto de gasolina das 6h da manhã às 14h, até uma porta se abrir na segunda divisão do Campeonato Paraense. Saci estava receoso de largar um emprego fixo para voltar ao futebol profissional, mas foi convencido a tentar mais uma vez.
– Eu não estava querendo mais, estava trabalhando, ganhando meu dinheirinho todo mês, pagando as contas. Mas insistiram comigo, que eu tinha potencial. Deu aquele gatilho na minha cabeça, porque era o que eu queria, então fui. Eram dez partidas, e aí clareou: fui muito bem, um dos destaques, e conseguimos o acesso – contou o ex-lateral sobre a passagem pelo Vênus-PA.
Daí em diante as coisas se desenrolaram. Saci seguiu no time para jogar na elite do Paraense, fez gol no Paysandu e recebeu proposta do Remo para jogar a Série B de 2007. No ano seguinte, deixou o estado em que nasceu para jogar no Itumbiara e ser campeão goiano. Aí apareceu o Corinthians.
Wellington Saci diz ter recusado uma proposta do Cruzeiro com salário maior porque queria jogar no Alvinegro. Ele disputou a Série B, depois foi campeão paulista e da Copa do Brasil com Ronaldo e cia., em 2009.
Foram apenas 39 jogos e um gol marcado pelo Corinthians, mas o carinho permaneceu. Hoje, os filhos do ex-lateral são corintianos, por isso a conversa com o ge teve uma bandeira alvinegra como plano de fundo.
Saci não esquece o período que conviveu com Ronaldo Fenômeno no Timão.
– É um dos ídolos que tenho no futebol, por tudo o que ele jogou, conquistou e superou. Era uma convivência sensacional. Lembro do dia da apresentação, 26 de dezembro. Entrei no Parque São Jorge e fui para o vestiário. Ele pegou na minha mão e falou: “Bom dia, Saci”. Tomei um susto, dei de cara com o homem. Um cara sensacional, exemplar, humilde para caramba, tratava todo mundo igual, brincava com todo mundo.
Saci fazia parte do grupo da "zoeira" liderado por Dentinho e Lulinha. Mas o trio percebeu horas antes da final do Paulistão de 2009, contra o Santos, na Vila Belmiro, que não era possível brincar com a capacidade do Fenômeno em campo.
– A gente estava no ônibus quase chegando à Vila Belmiro. Demos uma zoada dizendo que ele estava nervoso. Ele só deu risada. Dentro de campo, fez aqueles dois gols na final. Depois que voltou no ônibus ninguém brincou mais porque ele ia dizer: “A resposta está aí” (risos).
Os gols de Santos 1 x 3 Corinthians pela final do Campeonato Paulista de 2009 8507820
Mano Menezes fez papel de pai e técnico
Wellington Saci fala sobre relação com Mano Menezes e expulsão em final pelo Corinthians
O destaque no Itumbiara levou Wellington Saci ao Corinthians para jogar a Série B, em 2008. Mano Menezes era o treinador, o melhor com quem o ex-lateral já trabalhou.
– (O Mano) Não é só um treinador, é como um pai também. Muitos jogadores falam isso sobre os técnicos. É um pai porque não quer saber só de treinamento, campo, bola, quer saber do atleta como pessoa, fora de campo, como está a família. É o papel de um pai – disse Saci, sem poupar elogios.
– Mano Menezes é um treinador muito bom. Ele dentro das quatro linhas entende para caramba, é um cara bastante observador e é difícil dar um esporro em um jogador. Ele chama no canto, conversa numa boa e com educação. Para mim, ele é um cara sensacional. Treinador muito bom, 100% – elogiou.
Mano Menezes, Chicão e Wellington Saci no vestiário do Corinthians — Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Mano Menezes, Chicão e Wellington Saci no vestiário do Corinthians — Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Expulsão em final quase pôs tudo a perder
Wellington Saci estreou pelo Corinthians em maio de 2008. No quinto jogo, entrou em campo em uma final da Copa do Brasil. Ele saiu do banco no segundo tempo do jogo contra o Sport, na Ilha do Retiro, deu um pisão em Carlinhos Bala fora do campo logo no primeiro lance e acabou expulso. O Alvinegro perdeu o título.
Mano afastou Saci de alguns jogos e o ajudou a colocar a cabeça no lugar. Depois, o lateral voltou bem e contribuiu para o retorno do Corinthians à Série A.
– (A expulsão) Poderia ter tomado outra proporção. Até nisso dei a volta por cima, porque terminei 2008 jogando bem, em 2009 fomos campeões paulistas e da Copa do Brasil. Perdemos um título, mas ganhamos um ano depois. Ainda bem que o Ronaldo chegou para nos ajudar – brincou Saci.
Sair do Corinthians foi um erro
Wellington Saci diz que sair do Corinthians foi um erro
Wellington Saci pediu para sair do Corinthians na metade de 2009, pouco depois do título da Copa do Brasil. Queria ser titular. Saiu por empréstimo para o Atlético-MG, mas acabou tendo os planos frustrados, pois jogou pouco. Meses depois o Corinthians contratou Roberto Carlos.
– A Copa do Brasil terminou, aí pensei: fui campeão da Série B, campeão paulista e agora da Copa do Brasil. Acho que vou para outro clube para jogar mais. Eu jogava direto, mas entrava bastante no segundo tempo e em alguns jogos que o André Santos era suspenso ou lesionava. Queria jogar mais. Poderia ter um pouco mais de paciência, não vou mentir, e ter continuado até o final de 2009 – admitiu o ex-lateral.
Em 2010, ele trocou o Atlético-MG pelo Goiás. O time acabou rebaixado, mas teve campanha histórica na Copa Sul-Americana e foi vice-campeão nos pênaltis. Daí em diante Wellington Saci se tornou o “Rei do Acesso”, terminando a carreira com cinco subidas para a Série A.
Wellington Saci em treino do Corinthians — Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Wellington Saci em treino do Corinthians — Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
– Foi um erro meu pedir para ser emprestado. Era para continuar, até porque eu estava jogando a Série A, joguei seis partidas. Acabei pedindo para ser emprestado, e foi um erro meu. Mas não me arrependo – disse Saci.
O ex-lateral agora mora em Joinville-SC. É a mesma cidade em que viveu o maior drama da carreira, em 2014, quando sofreu uma lesão grave no joelho. Ele foi acolhido pelos torcedores, criou raízes e no ano seguinte ganhou o Catarinense com o Joinville. Foi o primeiro título desde a saída do Corinthians.
Atualmente Saci joga Fut7, disputa competições e já teve até convocações para a seleção brasileira da modalidade.
?? Ouça o podcast ge Corinthians??
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