Uma era se encerra no Corinthians. Após 16 anos e seis eleições vencidas, o grupo político Renovação e Transparência, liderado por Andrés Sanchez, deixa o comando do clube.
Veja a primeira entrevista de Augusto Melo como novo presidente do Corinthians
O responsável por acabar com essa dinastia é Augusto Melo, empresário de 59 anos, que já havia sido candidato em 2020 e dessa vez derrotou André Negão com uma votação expressiva: teve 2.771 votos, quase dois terços do total e 1.358 a mais do que o adversário .
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O domínio da chapa Renovação e Transparência começou após uma outra dinastia: a de Alberto Dualib, que liderou o Corinthians por 14 anos. Além de Andrés Sanchez (presidente por três mandatos), o grupo político elegeu Mario Gobbi, Roberto de Andrade e Duilio Monteiro Alves.
Mas por que essa era acabou? O que Augusto Melo fez para conseguir vencer? Abaixo, o ge conta bastidores políticos do Timão.
Articulação e frente ampla
Até mesmo os opositores de Augusto Melo reconhecem o mérito dele em permanecer em campanha mesmo fora do período eleitoral. O novo presidente mantém o "corpo a corpo" com sócios do clube desde 2019, mais de um ano antes da primeira eleição que disputou, em 2020.
Mesmo derrotado, não tirou o time de campo e seguiu ativo, patrocinando churrascos, conversando com eleitores e articulando apoio nos bastidores.
Das 16 chapas que concorreram ao Conselho Deliberativo do Corinthians, nove decidiram apoiá-lo.
Leia também: + "Chega de amadores no Corinthians", diz Augusto Melo + Eleito vence André Negão por larga vantagem; compare
Augusto Melo durante a eleição no Corinthians neste sábado — Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
Augusto Melo durante a eleição no Corinthians neste sábado — Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
Além de formar base no clube, Augusto conseguiu expandir sua influência para além dos muros do Parque São Jorge. A Gaviões da Fiel, principal organizada ligada ao Timão, ficou ao lado dele.
Um ponto fundamental na articulação foi garantir que houvesse apenas dois candidatos à presidência, polarizando a eleição. Nos últimos pleitos, o grupo de Andrés Sanchez se beneficiou do fato de haver outros concorrentes, dissipando os votos da oposição. O próprio Augusto Melo perdeu a eleição passada neste cenário e por 142 votos.
Enfraquecimento
Além dos méritos de Augusto, erros cometidos pelo Renovação e Transparência contribuíram para o fim da dinastia do grupo que está no poder há 16 anos.
Duilio Monteiro Alves deixará o comando do clube no fim deste ano como o primeiro presidente nos últimos 35 anos a não conquistar um título .
A reta final do mandato de Duilio ficou marcada por eliminações precoces, como nas quartas de final do Paulistão, para o Ituano, e na fase de grupos da Libertadores. O time também faz campanha ruim no Campeonato Brasileiro e luta contra o rebaixamento.
Além disso, o atual presidente é criticado por não frequentar o clube social e desprezar a importância do relacionamento com os sócios.
Duilio Monteiro Alves entre o ex-presidente Andrés Sanchez e os conselheiros André Negão e Jorge Kalil — Foto: Divulgação
Duilio Monteiro Alves entre o ex-presidente Andrés Sanchez e os conselheiros André Negão e Jorge Kalil — Foto: Divulgação
Por muito tempo, Duilio trabalhou com a possibilidade de tentar a reeleição por meio de uma manobra estatutária, o que também atrasou a articulação política de seu grupo. O presidente em exercício se manteve distante da campanha e só foi manifestar apoio a André Negão na reta final da corrida eleitoral.
Ao contrário de seus antecessores, ele não preparou um sucessor. Nas últimas eleições, o candidato presidencial do Renovação e Transparência era o diretor de futebol, o que não aconteceu desta vez.
Duilio escolheu Roberto de Andrade para chefiar o departamento mesmo sabendo que ele não estava disposto nem tinha apoio para voltar a ser presidente.
A "cereja do bolo" veio menos de 12 horas antes da abertura das urnas. Na noite da última sexta, o Corinthians sofreu a maior derrota em casa desde 2014, quando a Neo Química Arena foi inaugurada: 5 a 1 para o Bahia, que estava na zona de rebaixamento .
Na visão de pessoas influentes na política alvinegra, se ainda havia sócios indecisos, a dúvida acabou com a goleada: era chegada a hora de pôr fim à dinastia de Andrés Sanchez e do Renovação e Transparência.
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