O enfretamento entre um sistema ofensivo sem atacantes fixos e uma defesa exposta, repleta de jogadores mais pesados no atual momento da carreira, foi explosiva! E o Tricolor Baiano se beneficiou muito disso. Fez um 1º tempo praticamente impecável e abriu a vantagem que sustentou o triunfo contra o Corinthians fora de casa.
Cauly, Biel e Thaciano brincaram de mexer no posicionamento dos defensores corintianos em um contexto que poderia ter sido ainda pior para os anfitriões. Apático sem a bola, inoperante com ela, o Timão só foi se recuperar na metde da 2ª etapa, quando já era tarde demais.
Escalações
Mano Menezes voltou a escalar o Corinthians com uma linha de cinco na defesa. Fábio Santos compôs o miolo de zaga com Lucas Veríssimo e Gil. Matheus Bidu foi o ala pela esquerda. Maycon, Giuliano e Renato Augusto formaram o meio. Romero fez companhia a Yuri Alberto no ataque. Fausto Vera foi o desfalque.
Rogério Ceni não teve o centroavante Everaldo. Montou o time também com três zagueiros. Rezende compôs a zaga com Kanu e Vitor Hugo. Luciano Juba ganhou sequência na ala-esquerda. Cauly foi o homem mais adiantado do time e Yago Felipe entrou no meio.
Como Corinthians e Bahia iniciaram o duelo que abriu a 35ª rodada do Brasileirão 2023 — Foto: Rodrigo Coutinho
Como Corinthians e Bahia iniciaram o duelo que abriu a 35ª rodada do Brasileirão 2023 — Foto: Rodrigo Coutinho
O jogo
O Bahia fez o que quis com a defesa corintiana no 1º tempo. Aproveitando os espaços deixados pelos paulistas ao perderam a bola no campo de ataque, acelerou com qualidade e organização, aproveitando a noite inspirada de Thaciano, Cauly, Biel, trio mais avançado e extremamente dinâmico dos nordestinos.
Não demorou para que o cenário gerasse o escanteio cobrado por Luciano Juba e finalizado por Rezende para abrir o placar. O gol parece ter inflado os visitantes de confiança, e os movimentos ofensivos da equipe encaixaram de forma ainda mais coordenada. Não havia ''referência de marcação'' à última linha de defesa corintiana. O meio se via em inferioridade constante.
Cauly circulava na direção da bola. Dava inteligência e imprevisibilidade às ações. Biel e Thaciano atacavam lacunas surgidas entre os zagueiros, que estavam totalmente perdidos para encaixar o combate. Maycon era outro não ganhar duelos em seu setor, e a avalanche de lances perigosos se transformou em triunfo expressivo para os visitantes ainda na 1ª etapa.
Corinthians x Bahia gol Rezende — Foto: Marcos Ribolli
Corinthians x Bahia gol Rezende — Foto: Marcos Ribolli
Cauly marcou um golaço e Thaciano converteu um rigoroso pênalti marcado de Gil em Biel. Não dá, porém, para o Corinthians se queixar da arbitragem. O Tricolor poderia ter feito ainda mais. Em contragolpes ou em fase ofensiva, iludiu completamente o sistema defensivo do Timão. Mano mexeu na equipe ainda na metade do 1º tempo. Sacou Fábio Santos e colocou Wesley.
A equipe passou a jogar de forma mais fixa num 4-3-3. Bidu recuou para a lateral e Wesley entrou na ponta-esquerda. Romero foi para a direita. O problema do Corinthians não era exatamente a circulação da bola. Havia velocidade e acerto em diversas trocas de passe curto até a intermediária rival. Mas a partir dali a coisa não fluía.
Seja por erros técnicos, precipitações - que aumentaram com a vantagem construída pelo Bahia -, ou pouco entendimento entre as peças para se conectarem perto da área rival, os donos da casa produziram poucas chances para diminuir o placar. Apenas uma finalização ganhou a direção da meta, e Marcos Felipe rechaçou a cabeçada de Giuliano.
Yuri Alberto fazia mais um jogo impreciso. Maycon errava demais, e até Renato Augusto esteve abaixo do nível que pode. Romero e Fágner eram os mais efetivos. Essa valência foi o que não faltou ao Bahia. Chamou a atenção a correção nas finalizações. Acertou a meta cinco vezes nos 52 minutos iniciais e fez três gols.
Corinthians x Bahia — Foto: Marcos Ribolli
Corinthians x Bahia — Foto: Marcos Ribolli
Os treinadores não mexeram nas equipes para a 2ª etapa, mas o Bahia trocou o esquema tático utilizando os mesmos jogadores. Para ter um melhor encaixe dentro do posicionamento do Corinthians, passou a se defender com duas linhas de quatro. Rezende virou o lateral-esquerdo e Luciano Juba foi adiantado para a linha de meio. Thaciano auxiliou Gilberto pela direita.
A dinâmica do jogo mudou pouco. O Tricolor se postou no campo de defesa e tentou forçar erros do Corinthians para encaixar contragolpes. Mas quem conseguiu gerar um equívoco ríval foi o alvinegro. Em rara pressão pós-perda eficaz dos paulistas, Gilberto errou um passe na saída de bola e Renato Augusto marcou um golaço.
O camisa 8 subiu de produção no 2º tempo. Participou das principais jogadas e praticamente deu um gol a Fágner, que desperdiçou. A questão é que não havia estruturação coletiva para o Corinthians melhorar de fato. Atacava na base do ímpeto e do apoio da torcida. Mais erros viriam, e o Esquadrão estava pronto para aproveitar.
Thaciano em Bahia x Corinthians — Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia
Thaciano em Bahia x Corinthians — Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia
Ademir, que havia entrado um pouco antes, foi a peça ''fresca'' que faltava para o Bahia reativar as oportunidades de contra-ataque que surgiam. Marcou o quarto em linda tabela com Cauly - o melhor em campo -, e sofreu mais um pênalti bem exigente marcado por Marcelo de Lima Henrique. Thaciano marcou mais um de pênalti.
Os 5x1 favoráveis ao Bahia representam não só o maior triunfo sobre o Corinthians, mas a maior goleada da história do clube como visitante no Brasileirão. Um belíssimo empurrão na luta contra o rebaixamento.



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