O técnico Mano Menezes exaltou a superação do Corinthians para conseguir vencer o Grêmio por 1 a 0, neste domingo, fora de casa, mesmo tendo um jogador a menos desde o nove minutos do primeiro tempo - Bruno Méndez foi expulso.
Grêmio 0 x 1 Corinthians - Melhores Momentos - 34ª Rodada do Campeonato Brasileiro 2023
Assim como jogadores e dirigentes do Corinthians, Mano reclamou bastante do árbitro Rodrigo José Pereira de Lima. Embora tenha admitido que Bruno Méndez merecia o cartão vermelho, o treinador queria a marcação de um pênalti em Matheus Bidu no lance anterior:
– Sem dúvida temos que valorizar muito a vitória, fundamental no momento em que estamos atravessando. São jogos muito duros, temos visto jogos de nossos adversários no campeonato, é um detalhe para cá ou para lá. Tenho que elogiar muito o comportamento, a entrega, não só para construir a vitória com um a menos e também para segurar depois. É importante dizer que iniciamos 11 contra 11 melhor. Já tinha chegado duas vezes antes do pênalti que não foi marcado, e o fato de não ter marcado no campo provavelmente ocasionou o lance da expulsão do Bruno. A entrada foi indiscutível para cartão vermelho, mas se marca o pênalti o lance não existe. E claro que interfere no jogo, tanto que, depois, 10 contra 10, voltamos a criar chance de gols – opinou Mano Menezes.
– Se o jogo fosse 11 contra 11, seria muito bem jogado. O Grêmio tem uma ótima equipe, mas a gente apresenta algumas melhores nestes últimos jogos. Acreditava muito que a equipe entregaria 90 minutos a altura hoje. Foi de superação por circunstâncias do jogo, que tornaram a vitória mais dramática – complementou.
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Mano Menezes e Fábio Santos em Grêmio x Corinthians — Foto: Maxi Franzoi/AGIF
Mano Menezes e Fábio Santos em Grêmio x Corinthians — Foto: Maxi Franzoi/AGIF
Com o resultado, o Corinthians foi a 44 pontos e se distanciou da zona de rebaixamento, faltando quatro rodadas para o fim do Brasileirão. Ainda assim, Mano alerta:
– A gente ainda não pode projetar 2024, porque, se a conta é 45 ou 46, nós ainda não atingimos a meta. Não podemos relaxar. O primeiro jogo é contra o Bahia,a uma equipe que está entre as colocações que estamos. Vamos aproveitar a vitória para dar confiança, para que nos ajdue a resolver esta questão logo. Depois sim, pensar esta questão mais a frente.
O Timão voltará a jogar somente daqui a duas semanas, por conta da data Fifa. O próximo compromisso alvinegro é no dia 25, contra o Bahia, na Neo Química Arena.
Confira outras declarações do técnico do Corinthians:
Estratégia
– Fizemos uma linha de três, foi pouco tempo mas deu para ver. Fagner e Bidu seriam alas mesmo. Não foi possível ver tanto tempo, mas a equipe já tinha feito jogos lá atrás com esta formação de linha de três. Não tinha feito com a formação de meio-campo que tivemos: um volante, dois meias, e dois homens de velocidade. Tínhamos que sair do meio para as costas dos laterais deles, organizar por dentro e partir para as costas. Esta era a estratégia do jogo. Precisamos evoluir, mas podemos, sim, pensar em linha de três. Não tenho preconceito nenhum com isso. O melhor é sempre o que for melhor para a equipe.
Romero
– Futebol é muito duro porque não reconhece ninguém nunca nos méritos. Você pode fazer muita coisa no clube, daqui a pouco está meio abaixo, e todos esquecem. Romero sempre foi esse jogador no Corinthians: se doa, sempre fez gols. Não é goleador, mas sempre tem contribuições com dez ou 12 gols, e isso ajuda muito. Para fazer 100 gols na temporada precisamos de ajudantes, e Romero é um bom ajudante. Hoje ele foi perfeito na recuperação, e muito bem quando ficamos com um homem a menos. O Grêmio teve muitos cruzamentos na área, e exemplifica como nossa marcação foi boa: preencheu os espaços com os volantes, que foram brilhantes no balanço na frente da área. Todos estão de parabéns.
Escalação
– A gente tinha oito jogadores pendurados com dois amarelos. Quando você coloca jogadores em determinadas funções, não consegue render tão bem porque estão pendurados. A escolha foi um pouco por isso, porque sabia que o time precisava competir sem alviar na marcação. Com a linha de três não precisaria de dois volantes, então esta foi a opção. Bidu é um ala, já jogou assim, e sabíamos que tinha experiência para usar a saída rápida dele. Se tivéssemos 11 contra 11 isso funcionaria melhor, vamos ver mais para frente.
Defesa
– A ideia inicial de formação era para resolver isso também e ganhar amplitude para não dar iniciativa para o adversário como demos ao Atlético. Fomos melhores nisso, seria certamente melhor nos 11 contra 11. Mas com quatro atrás também fizemos bem. Se somar direitinho, o Romero era o quinto pelo lado também. Os jogos foram diferentes: em casa tínhamos situações de atacar e se desorganizar. Ficar com um a menos você sabe que vai se defender, é claro que vai. A equipe se portou bem. O Grêmio colocou mais jogadores para dentro, o que ajudou a definir a marcação, que é tudo o que você quer nessa hora: cada um pega o seu e marca. O Atlético-MG preferia ter superioridade pelo lado, por isso o jogo lá foi diferente. Aqui foi de muita superação, elogiável o comportamento dos jogadores. Nenhum jogador teve cãibra, aquele sinal do esgotamento total. Em um jogo como este conseguimos terminar com jogos inteiros, e isso vem do trabalho, da entrega deles e da intenção de melhorar, que é fundamental.
Perspectivas
– Quando a gente está neste lugar, não podemos pensar que vira a chave muito rápido porque não vira, ela desvira muito rápido. Vamos cuidar disso primeiro, sair das últimas posições. A equipe já está produzindo para sair, isso é o mais importante. Já tivemos jogos em que jogamos bem parte do jogo, agora é ajustar para a equipe terminar os jogos mais inteira, porque isso é importante. Temos muitos jogadores de boa qualidade que estavam escondidos neste emaranhado que estávamos vivendo.
Árbitro
– Arbitragem começou mal. Ao não dar uma penalidade máxima que é unanime, e ainda coisas com o jogo, porque logo em seguida ficamos com dez. Outra realidade se estabelece no jogo: um time que também queria jogar agora precisa segurar o jogo, a bola, você traz outras coisas para isso. Eu não vi o lance a que Renato está se referindo, mas comparado com o nosso deve ter sido menos. Mas dou o direito a todos de reclamar, quando sou prejudicado também reclamo. A gente precisa unificar mais as coisas, ter uma lisura e transparência maiores, para não se sentir prejudicado e aventar outras coisas que não são do jogo. Até ouvi um torcedor atrás de mim dizer que no primeiro turno teve um pênalti claro para o Grêmio, mas eu não estava lá, não tenho nada a ver com isso. Não dá para compensar as coisas.
Grêmio
– Não tenho nenhum sentimento especial em prejudicar o Grêmio. Não viemos aqui para isso, viemos defender nossos interesses, e tínhamos muitos para defender. Você não está jogando o mesmo campeonato, disse isso na abertura do jogo. Temos que entender o que estamos jogando, mas é tão importante quanto. Quem já viveu abaixo na tabela sabe como é, como cada ponto é importante e tem que ser valorizado. Foi isso que viemos fazer aqui. Nunca me envolvi nisso e não vai ser dessa vez.
Objetivos na data Fifa
– Manter padrão, porque nesses jogos que me referi a gente faz um período bom, mas depois oscilou. Não é fácil fazer isso durante uma competição dura como é a nossa, tendo que fazer pontos. O ano e o tempo vão se tornando duros para o torcedor, que vai perdendo a paciência. Em 2008 quando cheguei, o torcedor do Corinthians era muito ansioso. Se tocava a bola, os torcedores se irritavam, queriam que atacasse logo, porque era um período duro. E esse sempre é o pior caminho. O Corinthians se tornou vencedor, e o torcedor foi se acalmando: ele sabia que venceria, mesmo que por 1 a 0. E foi se acalmando na arquibancada. Quando você não tem um time estruturado, o torcedor apressa, e é como empurrar pro abismo. O jogo não tem qualidade para acelerar, você começa a errar. Temos que recuperar essa calma do corintiano. Saber que as coisas vão entrar no lugar. Quando estiver duro, nós vamos ganhar por 1 a 0 mesmo, isso faz bem. Temos limites, não podemos nos satisfazer, podemos entender que estamos passando por isso, mas não nos conformar.
Reservas
– Bem importante a entrada dos jogadores hoje. Nos jogos anteriores os jogadores que entravam quase não conseguiam manter o nível de quem sair. OS jogadores entraram bem, fizeram a função que tinham que fazer. Nós vamos ganhando confiança com a gente, mantendo ideias. É isso que vamos fazer, não sendo rígido entre os mais jovens e mais velhos. O fundamental é o rendimento.
?? Ouça o podcast ge Corinthians??
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