Vanderlei Luxemburgo está feliz da vida com o momento do Corinthians na temporada. Depois de viver dias intensos de crise após a eliminação na Copa Libertadores, o comandante agora festeja as seis vitórias nos últimos sete jogos. Na noite deste sábado, em Itaquera, o Timão bateu o Vasco, por 3 a 1, e se distanciou da zona do rebaixamento no Brasileirão.
Segundo o treinador, a reviravolta corintiana com direito à vaga na semifinal da Copa do Brasil e nas oitavas da Sul-Americana não tem segredo algum: é, basicamente, trabalho árduo e sério no dia a dia do CT Joaquim Grava. Por conta da entrega, ainda na visão de Luxa, o Corinthians teve sua melhor atuação recente neste sábado.
– Em momento algum eu falei aqui ou fiquei preocupado em ser mandado embora, o questionamento foi sempre externo. Se fosse mandado embora, normal do futebol. Tem que trabalhar, nada resiste ao trabalho. Aumentou a dificuldade? Trabalha mais, aí a coisa acontece – explicou o comandante na Neo Química Arena.
– Tecnicamente sim (foi o nosso melhor jogo). Muito passe certo, jogo de bola, domínio do que está fazendo. A única coisa que cobrei no intervalo era que tínhamos que ser mais contundentes, fazer o goleiro sofrer mais, mas tecnicamente foi nosso melhor jogo, envolvendo o adversário, jogando o adversário para trás, foi o melhor jogo nosso – festejou.
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Corinthians x Vasco, Vanderlei Luxemburgo — Foto: Marcos Ribolli
Luxemburgo também destacou o trabalho emocional realizado com os jogadores, principalmente nos bastidores.
– Logo que cheguei ao Corinthians teve um movimento de torcida, eu estava com Duilio e Alessandro, falei: vamos lá conversar com eles. Essa parte emocional foi a que mais trabalhamos. Em momento algum eu peguei um jogador e coloquei exposto aqui. Às vezes vocês não conseguem entender, eu respeito o lado de vocês, mas vocês têm que vir pro lado de cá. Quando vou fazer uma palestra para os jogadores, sento do lado deles. Eu sei a proposta de vocês, mas tem coisas que não podemos falar, está todo mundo de olho. Não vou chegar aqui e falar que meu jogador não jogou porra nenhuma. Lá dentro o couro come.
Com o resultado deste sábado, o Corinthians chegou aos 19 pontos no Campeonato Brasileiro e abriu cinco de vantagem para o Bahia - o primeiro dentro da zona de rebaixamento. Agora, o clube muda o foco, deixa a Série A de lado por alguns dias, e olha com atenção para a Copa Sul-Americana.
Na próxima terça-feira, a partir das 21h30 (de Brasília), o Timão mede forças com o Newell"s Old Boys, da Argentina, na abertura das oitavas de final do torneio continental. Para este jogo há a possibilidade de que Luxemburgo abra mão do time de garotos para escalar uma equipe mesclada com alguns dos nomes mais experientes do elenco.
– Estou com o elenco à disposição. Estamos em três competições. Quem vai jogar? Vamos olhar como os jogadores se recuperaram de um jogo para o outro. Todos estão à disposição. Posso jogar na terça de repente com um time que não jogou a Sul-Americana. Ou posso repetir, fazer uma mescla – afirmou o treinador, deixando o mistério no ar.
O Corinthians tinha a obrigação de ganhar diante do Vasco?
– Eu já falei isso uma porção de vezes (risos). Quando você vai disputar uma competição... Eu cheguei aqui com o carro andando e tive que trocar pneu. Quando vai projetar uma competição, para ganhar ou disputar vaga de Libertadores, tem jogos que você fala: esse não posso perder. Jogo sem torcida é complicado, pessoal tem que entender que estamos em outro momento do mundo, homofobia, racismo, uma porção de coisas que traz prejuízos ao clube. Hoje era um confronto direto, a gente quer buscar vaga de Libertadores. Nunca falei de rebaixamento aqui. Três vitórias no Brasileiro representam muito. A gente tem noção exata de como as coisas têm que acontecer. Já falei algumas vezes, você divide onde tem que ganhar em casa e fora, onde pode empatar.
Aspecto emocional do grupo
– Quando eu falo que vocês têm que analisar, é isso. Há muito tempo, em 1993, o Telê Santana fazia uma substituição característica. Tirava alguém, colocava o Cafu para frente e entrava com o Vitor. Hoje, quando falo que não quero fazer análise, o pessoal que tá no ar condicionado reclama. Eles não entendem que o que eu falo aqui o técnico adversário ouve. Vou jogar uma final contra o SP do Dorival, por que eu tenho que falar? Não tenho nada contra vocês, tem pessoas que me perseguem, mas dane-se. Eu sei que o vocês representam. Não vou facilitar a vida de quem joga contra mim, por que tenho que facilitar? Pessoal fala: "Luxemburgo está nervoso, dá porrada". Vem aqui na coletiva conversar, vê nosso ambiente aqui... Eu respeito o pessoal que está aqui, do dia a dia. Entendam: existem dois lados da moeda, é importante os treinadores entenderem que tudo o que é dito aqui está todo mundo escutando e observando para saber como ele trabalha.
Qual o planejamento para o zagueiro Lucas Veríssimo?
– Existe um planejamento, já foi conversado, mas eu não vou te passar. Por que eu tenho que passar? Jogador está contratado, aqui, feliz, mas por que tenho que passar se vai jogar contra o SP? Tenho que prepara-lo para estar à disposição nossa.
Sobre a decisão de jogar com Bruno Méndez como titular
– É um jogador extremamente útil. Eles não jogaram com três zagueiros? Por que eu tinha que sair com três zagueiros se podia sair com o Bruno na lateral? Para espelhar um pouquinho. Aí o Caetano tomou cartão, o que tenho que fazer? Qualquer falta que fizesse poderia levar vermelho. Então entra o Fagner, passa o Bruno para a gente. Essa é a função nossa.
Sobre atuação individual do volante Maycon
– Maycon reconquistou o direito de estar no time em campo, não adianta em entrevista. Quando botei para jogar lá no Peru, falei se você conseguir fazer marcação homem a homem, vai matar o volante dele que está jogando muito. Mudei a posição dele, ele adquiriu o direito. É dentro de campo.
Sobre a punição sofrida pelo clube por conta dos gritos homofóbicos
– No entretenimento futebol o torcedor é fundamental. Temos que entender o momento que estamos no mundo, racismo e homofobia não era feito dessa forma no passado, mas hoje é. Clube nao pode ter prejuízo de R$ 2,3 milhões por uma situação que aconteceu. Hoje tem punição mais rigorosa do que tinha um tempo atrás. É bom o pessoal entender que não pode cometer erro, que sai prejuízo pro clube e para o futebol, para o entretenimento.
O que foi feito para que o Corinthians tivesse essa melhora defensiva de alguns jogos para cá?
– Não é o sistema defensivo, o time melhorou marcando, é mais compacto. Não é a zaga, termina na zaga e no goleiro, mas tem que ver onde começou. Por isso não falo do fulano, beltrano, é sempre o time.
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