A vitória do Corinthians sobre o São Paulo por 2 a 1, no primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil, foi uma noite de gala de Renato Augusto. Ele foi o autor dos dois gols que colocam o Timão em vantagem para a volta, no dia 16.
Mas quem mudou o funcionamento do Corinthians em campo foi Adson. Ele substituiu Ruan no segundo tempo e comandou uma mudança de esquema tático. Se não resultou num domínio evidente, ao menos equilibrou o confronto contra um forte adversário.
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Renato Augusto comemora gol do Corinthians contra o São Paulo — Foto: Marcello Zambrana/AGIF
Para entender como Adson mudou o time e permitiu que Renato Augusto desfilasse, é preciso voltar ao primeiro tempo, quando o Corinthians jogou muito, muito mal.
O treinador Vanderlei Luxemburgo montou a equipe no seu típico 4-3-1-2, o losango no meio-campo. Roger Guedes e Yuri Alberto ficavam mais à frente, com Renato Augusto solto. Ruan, Maycon e Fausto atuavam numa trinca de volantes que tinha a missão de proteger a defesa e sair para o jogo. Veja na imagem.
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Corinthians entrou com um losango no primeiro tempo — Foto: Reprodução
No papel, a ideia de Luxa fazia sentido. Mas no campo...o São Paulo dominou o duelo. Teve 58% de posse, construiu as melhores chances e teve momentos de pressão no final do primeiro tempo.
O motivo foi a forma como o time de Dorival Júnior se armava na saída do jogo. No momento de iniciação das jogadas (quando a bola é tocada do goleiro até o meio) e na construção (quando o jogo chega na intermediária, em direção ao gol), o Tricolor conseguia enganar facilmente a marcação adversária.
O segredo foi o posicionamento de Rafinha. Ele não jogou como um lateral típico. Circulava pelo meio e fazia a saída de três junto a Beraldo e Arboleda. Esse movimento prendia a marcação de Yuri e Guedes, já que Renato ficava mais solto, sem se esforçar tanto. E permitira que Alisson e Pablo Maia pudessem atrair Ruan ou Maycon, tirando eles de trás para abrir espaço.
Na prática, o São Paulo iniciava seu jogo num 3-2. E o Corinthians tentava marcar essa saída com Yuri, Roger e Renato, o que obrigava um dos volantes do losango a sair lá de trás e tentar evitar a saída. Veja na imagem.
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Rafinha fazia a saída de três e volantes do São Paulo atraíam os meias do Corinthians — Foto: Reprodução
O que acontece se um volante do losango sai de trás? Ele deixa espaço! E o São Paulo não perdoou: era o lugar que Michel Araújo, Rato e Luciano jogaram no primeiro tempo inteiro. A imagem mostra os três livres, prontos para receber a bola, nesse setor de campo que é chamado de "entrelinha".
Veja que o volante do Corinthians desmonta o losango que, na mente de Luxa, tinha a intenção de proteger justamente essa lacuna.
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São Paulo chegava no ataque com jogadores livres — Foto: Reprodução
Luxemburgo viu exatamente essa lacuna no meio. E trocou Ruan, apagado, por Adson. De bate pronto, uma mudança tática: sai o losango, entra um 4-4-2 com Roger Guedes pelo lado esquerdo e Adson fechando a esquerda. No tatiquês, um 4-4-1-1, já que Renato Augusto permaneceu como meia de criação.
Adson fazia uma função dupla: ele combatia Michel Araújo nos momentos que ele buscava o lado para jogar na ultrapassagem do lateral, fazendo dobra com Fágner. Ou podia marcar justamente o setor-problema do Timão na primeira etapa, a entrelinha.
Observe a imagem abaixo. Compare ela com a última. Veja como o Corinthians fechou muito mais o setor do meio-campo com Adson e Roger, permitindo que Vera e Maycon ficassem mais fixos e próximos dos zagueiros. O resultado foi um São Paulo com mais dificuldade de chegar na frente.
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Corinthians com quatro no meio e Adson voltando — Foto: Reprodução
Veja como o São Paulo faz a mesma saída de bola do primeiro tempo, com Rafinha e os volantes fixos, num 3-2. Agora veja o Corinthians: muito mais organizado para combater essa construção e não permitir que os meias recebessem com tanta liberdade, com três contra três, incluindo Adson voltando até o fim.
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Saída de três não tira mais o meio do Corinthians de lugar — Foto: Reprodução
É verdade que os dois tempos vão ficar na memória como um jogo de pouco brilho técnico, muita pegada e o poder de decisão de Luciano e claro, Renato Augusto. Com dois gols, o mérito é dele.
Só que o futebol é um esporte coletivo. Até para o craque brilhar, é preciso que jogadores façam muito, mesmo sem aparecer e ganhar a atenção da torcida.
São os famosos "motores". E o motor da noite foi Adson, que numa mudança tática de Luxa, evitou o pior e abriu o caminho para a vantagem na Copa do Brasil.
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