É impossível não sentir a falta de um atacante que marca 20 gols em 39 jogos. Difícil também não lamentar a ausência do ótimo Moscardo, que tomou conta da cabeça de área do Corinthians com apenas 17 anos. Os desfalques tiveram peso, mas a má atuação do Timão no empate com o Bahia tem mais a ver com a média geral de atuações na temporada. As quatro vitórias seguidas teriam sido um espasmo circunstâncial? Esta foi a sensação deixada.
O time paulista foi amplamente dominado no 1º tempo e teve uma pequena melhora depois de algumas mexidas de Luxemburgo no intervalo. Terminou a partida com apenas cinco finalizações em 102 minutos de futebol. Só uma na direção da meta.
Escalações
Renato Paiva promoveu o retorno de Matheus Bahia à lateral-esquerda. Thaciano voltou a ser escalado a partir do mesmo setor, com liberdade para flutuar para o meio e abrir espaço para as subidas do lateral. Um 4-2-3-1 com a bola como ponto de partida. Gilberto estreou na lateral-direita.
No Corinthians, Vanderlei Luxemburgo escalou Bruno Méndez num trio de zaga com Gil e Murillo. Fágner e Fábio Santos foram os alas. Giuliano jogou centralizado à frente da defesa. Fausto Vera, Matías Rojas e Renato Augusto foram os meias. Yuri Alberto o atacante.
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Como Bahia e Corinthians iniciaram o jogo válido pela 16ª rodada do Brasileirão 2023 — Foto: Rodrigo Coutinho
O jogo
A julgar pelas características dos jogadores escalados no meio-campo e nas alas corintianas, a proposta da equipe paulista era reter a bola e controlar o jogo desta forma, mas o Bahia não deixou. Mais agressivo na hora de retomar a posse, e agudo nos movimentos ofensivos, o time da casa chegou perto de abrir o placar antes do intervalo.
Ocupava bem os espaços com a bola. Matheus Bahia dava amplitude pela esquerda. Ademir fazia o mesmo pela direita. O estreante Gilberto oferecia suporte ao rápido ponta ao vir de trás e encaixar bons passes, entrava em diagonal ao se aproximar da área. Thaciano e Cauly se procuravam na intermediária. Acevedo e Rezende trabalhavam bem por trás da linha da bola.
O volume ofensivo do Bahia foi reco também com uma boa pressão na saída paulistana, e algumas boas chances foram criadas assim. Thaciano e Cauly assustaram Cássio com chutes da entrada da área. Depois disso, a opção alvinegra foi pela ligação direta, mas sem conseguir segurar a posse no ataque.
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Giuliano perde um duelo para Rezende no meio-campo. — Foto: Jhony Pinho/AGIF
O Corinthians protegia bem a sua área com o trio de zagueiros, mas não tinha como deter o controle baiano no meio-campo. Giuliano, Fausto Vera e Rojas formavam um trio à frente da defesa. Renato, mais adiantado, voltava para auxiliá-los, mas faltava ""pegada"", proximidade entre as peças.
Com a bola, o jogo excessivamente ""pausado"" do Timão também não surtia efeitos. A retaguarda baiana imprimia energia e retomava a posse com velocidade. Faltava peças mais agudas para atacar a última linha adversária por parte do Corinthians. O 1º tempo terminou com dez finalizações do Esquadrão contra apenas uma do alvinegro.
Luxemburgo leu bem o que o time precisava no intervalo. Fágner e Giuliano foram sacados para as entradas de Ruan Oliveira e Adson. O time passou a jogar no 4-3-3. Adson entrou na ponta-esquerda. Rojas foi para a direita, na mesma função que fazia no Racing. Bruno Méndez passou a jogar de lateral e Ruan foi o ""segundo homem"" de meio-campo.
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Como o Corinthians voltou para a 2ª etapa. — Foto: Rodrigo Coutinho
O Corinthians conseguiu ser um time mais equilibrado no início do 2º tempo. Passou a ter opções de ganho de profundidade. Achou Renato Augusto em zonas mais confortáveis do meio-campo e sofreu menos nas saídas de bola. Ficou mais tempo com a posse até a metade da etapa, inclusive, mas seguiu pouco envolvente. Sem padrão coletivo para produzir com a bola. A situação piorou com as saídas de Renato Augusto e Matías Rojas.
O Bahia perdeu a volúpia da 1ª etapa. É impressionante como não consegue ter regularidade dentro de um mesmo jogo. Natural a queda física, mas com ela veio a baixa produtividade e a confiança abalada pela condição na tabela. Cauly tentou mudar o cenário com boas jogadas nos últimos minutos. A pouca contundência de seus companheiros ao se aproximarem da meta, porém, impediu a vitória.
Fausto Vera ainda saiu como herói ao salvar em cima da linha uma finalização de Thaciano nos acréscimos. Se uma equipe tinha que sair de campo com o triunfo, esta, sem dúvidas, era o Bahia
O melhor e o pior em campo
Cauly foi o jogador mais eficiente da partida. Finalizou com perigo em duas ocasiões na 1ª etapa. Articulou jogadas de qualidade nas costas do meio-campo do Timão. Manteve o nível e a intensidade depois do intervalo. Já Giuliano, mais uma vez utilizado como primeiro volante, não acertou basicamente nada. Perdeu duelos perto da área defensiva e não conseguiu agilizar a circulação da bola, o time tornou-se mais combativo com a sua saída.
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