23/7/2023 02:01

Diante do Bahia, Timão pôs em dúvida sensação recente de evolução

Corinthians finaliza apenas cinco vezes em mais de 100 minutos de jogo

Diante do Bahia, Timão pôs em dúvida sensação recente de evolução
Rodrigo Coutinho

É impossível não sentir a falta de um atacante que marca 20 gols em 39 jogos. Difícil também não lamentar a ausência do ótimo Moscardo, que tomou conta da cabeça de área do Corinthians com apenas 17 anos. Os desfalques tiveram peso, mas a má atuação do Timão no empate com o Bahia tem mais a ver com a média geral de atuações na temporada. As quatro vitórias seguidas teriam sido um espasmo circunstâncial? Esta foi a sensação deixada.

O time paulista foi amplamente dominado no 1º tempo e teve uma pequena melhora depois de algumas mexidas de Luxemburgo no intervalo. Terminou a partida com apenas cinco finalizações em 102 minutos de futebol. Só uma na direção da meta.

Escalações

Renato Paiva promoveu o retorno de Matheus Bahia à lateral-esquerda. Thaciano voltou a ser escalado a partir do mesmo setor, com liberdade para flutuar para o meio e abrir espaço para as subidas do lateral. Um 4-2-3-1 com a bola como ponto de partida. Gilberto estreou na lateral-direita.

No Corinthians, Vanderlei Luxemburgo escalou Bruno Méndez num trio de zaga com Gil e Murillo. Fágner e Fábio Santos foram os alas. Giuliano jogou centralizado à frente da defesa. Fausto Vera, Matías Rojas e Renato Augusto foram os meias. Yuri Alberto o atacante.

Como Bahia e Corinthians iniciaram o jogo válido pela 16ª rodada do Brasileirão 2023 — Foto: Rodrigo Coutinho

Como Bahia e Corinthians iniciaram o jogo válido pela 16ª rodada do Brasileirão 2023 — Foto: Rodrigo Coutinho

O jogo

A julgar pelas características dos jogadores escalados no meio-campo e nas alas corintianas, a proposta da equipe paulista era reter a bola e controlar o jogo desta forma, mas o Bahia não deixou. Mais agressivo na hora de retomar a posse, e agudo nos movimentos ofensivos, o time da casa chegou perto de abrir o placar antes do intervalo.

Ocupava bem os espaços com a bola. Matheus Bahia dava amplitude pela esquerda. Ademir fazia o mesmo pela direita. O estreante Gilberto oferecia suporte ao rápido ponta ao vir de trás e encaixar bons passes, entrava em diagonal ao se aproximar da área. Thaciano e Cauly se procuravam na intermediária. Acevedo e Rezende trabalhavam bem por trás da linha da bola.

O volume ofensivo do Bahia foi reco também com uma boa pressão na saída paulistana, e algumas boas chances foram criadas assim. Thaciano e Cauly assustaram Cássio com chutes da entrada da área. Depois disso, a opção alvinegra foi pela ligação direta, mas sem conseguir segurar a posse no ataque.

Giuliano perde um duelo para Rezende no meio-campo. — Foto:  Jhony Pinho/AGIF

Giuliano perde um duelo para Rezende no meio-campo. — Foto: Jhony Pinho/AGIF

O Corinthians protegia bem a sua área com o trio de zagueiros, mas não tinha como deter o controle baiano no meio-campo. Giuliano, Fausto Vera e Rojas formavam um trio à frente da defesa. Renato, mais adiantado, voltava para auxiliá-los, mas faltava ""pegada"", proximidade entre as peças.

Com a bola, o jogo excessivamente ""pausado"" do Timão também não surtia efeitos. A retaguarda baiana imprimia energia e retomava a posse com velocidade. Faltava peças mais agudas para atacar a última linha adversária por parte do Corinthians. O 1º tempo terminou com dez finalizações do Esquadrão contra apenas uma do alvinegro.

Luxemburgo leu bem o que o time precisava no intervalo. Fágner e Giuliano foram sacados para as entradas de Ruan Oliveira e Adson. O time passou a jogar no 4-3-3. Adson entrou na ponta-esquerda. Rojas foi para a direita, na mesma função que fazia no Racing. Bruno Méndez passou a jogar de lateral e Ruan foi o ""segundo homem"" de meio-campo.

Como o Corinthians voltou para a 2ª etapa. — Foto: Rodrigo Coutinho

Como o Corinthians voltou para a 2ª etapa. — Foto: Rodrigo Coutinho

O Corinthians conseguiu ser um time mais equilibrado no início do 2º tempo. Passou a ter opções de ganho de profundidade. Achou Renato Augusto em zonas mais confortáveis do meio-campo e sofreu menos nas saídas de bola. Ficou mais tempo com a posse até a metade da etapa, inclusive, mas seguiu pouco envolvente. Sem padrão coletivo para produzir com a bola. A situação piorou com as saídas de Renato Augusto e Matías Rojas.

O Bahia perdeu a volúpia da 1ª etapa. É impressionante como não consegue ter regularidade dentro de um mesmo jogo. Natural a queda física, mas com ela veio a baixa produtividade e a confiança abalada pela condição na tabela. Cauly tentou mudar o cenário com boas jogadas nos últimos minutos. A pouca contundência de seus companheiros ao se aproximarem da meta, porém, impediu a vitória.

Fausto Vera ainda saiu como herói ao salvar em cima da linha uma finalização de Thaciano nos acréscimos. Se uma equipe tinha que sair de campo com o triunfo, esta, sem dúvidas, era o Bahia

O melhor e o pior em campo

Cauly foi o jogador mais eficiente da partida. Finalizou com perigo em duas ocasiões na 1ª etapa. Articulou jogadas de qualidade nas costas do meio-campo do Timão. Manteve o nível e a intensidade depois do intervalo. Já Giuliano, mais uma vez utilizado como primeiro volante, não acertou basicamente nada. Perdeu duelos perto da área defensiva e não conseguiu agilizar a circulação da bola, o time tornou-se mais combativo com a sua saída.



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