A onda de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro alcançou um número recorde. Neste fim de semana, quando Ramón Díaz estrear pelo Vasco e Eduardo Coudet, pelo Internacional, pela primeira vez na história da Série A haverá maioria no número de comandantes exportados. São 11 no total, com sete portugueses e quatro argentinos. Desta vez, apenas nove brasileiros vão assinar a súmula. A lista está abaixo.
Pouco a pouco, nos últimos anos, esse número cresceu. Principalmente com o sucesso do trabalho de nomes como Jorge Jesus no Flamengo, em 2019, e Abel Ferreira no Palmeiras, desde 2020. Aliás, ambos são europeus e foram os responsáveis por fazer disparar o interesse nos treinadores lusos, que não têm a barreira do idioma. Até então, o mercado sul-americano era dominante na lista.
Entre os principais mercados, o Rio de Janeiro é o único com 75% de gringos. Botafogo, Flamengo, Vasco apostam em trabalhos com um toque diferente para buscar seu objetivos. No caso do Glorioso, Bruno Lage é o segundo técnico seguido, após a saída de Luís Castro. Portanto, não mexe na estatística. Já o Rubro-Negro vem insistindo no modelo e tem em Jorge Sampaoli seu quinto gringo em seis anos. Antes, além de Jesus, o clube contratou Reinaldo Rueda, Domenec Torrent e Paulo Sousa. O Fluminense é a exceção, com Fernando Diniz.
Para o comentarista Mauro Beting, a questão deve ser tratada como sazonal. Mas, ao mesmo tempo, não dá para negar que a maioria dos grandes trabalhos atuais de técnicos são de estrangeiros. Ou seja, para ele, o momento faz justiça.
"É questão de moda. A cada ano ou período se aposta em um perfil diferente. Mas hoje realmente os melhores trabalhos são de estrangeiros. Devemos dizer também que há muitos estrangeiros, e alguns deram errado ao longo desses anos. Acho que isso é bom no sentido de a CBF e os nossos profissionais se mexerem, a formação de técnicos melhorar e haver uma busca constante por evolução. E é aquela coisa: não importa se é argntino, português ou de Plutão. Precisa ser competente, capaz de entender o futebol brasileiro e se, mesmo em ambiente de difícil adaptação, conseguir se destacar, merece a valorização", avaliou Beting.
De fato, não é só de Ferreira, Jesus ou até Vojvoda, que entrou no terceiro ano no Fortaleza, que vive o futebol brasileiro. Paulo Bento no Cruzeiro, Sá Pinto no Vasco, Jesualdo Ferreira no Santos e Rafael Dudamel no Atlético são só alguns exemplos de resultados e adaptação muito ruins recentemente. Isso sem falar em fiascos como os de Lothar Matthaus no Athletico em 2006 e Ricardo Gareca no Palmeiras, em 2014.
Dos 10 primeiros na classificação, até a 15ª rodada, seis são orientados por gringos e cinco por brasileiros. Afinal, Renato Gaúcho, Dorival Júnior e Diniz fazem boas campanhas e mantém as chances de título, apesar do incrível domínio do Botafogo. Há, ainda, dois veteraníssimos em ação no momento: Felipão no Galo e Luxemburgo no Corinthians, ambos na casa dos 70 anos e com a missão de "apagar incêndios".
Além disso, há os jovens interinos nos clubes do Paraná: Thiago Koslovski, do Coritiba, e Wesley Carvalho, do Athletico. A princípio, ambos permanecem na busca por um treinador e é possível que mais estrangeiros pintem nas próximas semanas. Inclusive, o Coxa já foi ao mercado do exterior duas vezes no último ano. Uma delas trouxe o paraguaio Gustavo Morínigo e, na outra, o português Antònio Oliveira.
PORTUGUESES: 7
Bahia - Renato Paiva
Botafogo - Bruno Lage
Bragantino - Pedro Caixinha
Cruzeiro - Pepa
Cuiabá - António Oliveira
Goiás - Armando Evangelista
Palmeiras - Abel Ferreira
ARGENTINOS: 4
Flamengo - Jorge Sampaoli
Fortaleza - Juan Pablo Vojvoda
Vasco - Ramón Díaz
Internacional - Eduardo Coudet
BRASILEIROS: 9
São Paulo - Dorival Júnior
Santos - Paulo Turra
Corinthians - Vanderlei Luxemburgo
Fluminense - Fernando Diniz
Atlético-MG - Felipão
Grêmio - Renato Gaúcho
América-MG - Vágner Mancini
Athletico-PR - Wesley Carvalho
Coritiba - Thiago Kosloski
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