Informação levantada pela diretoria do São Paulo junto à FPF (Federação Paulista de Futebol) e obtida pelo LANCE! aponta que o 'troca-troca' de estádios entre o Tricolor e o Palmeiras na edição deste ano do Estadual vai além do reestabelecimento institucional entre as agremiações. A entidade está de olho e usará as partidas em Morumbi e Allianz Parque como parte de um projeto que pode culminar no fim da torcida única em clássicos e o fim da proibição da venda de bebidas alcóolicas nos palcos paulistas.
Os vetos amarram e desagradam duas frentes: torcidas organizadas e clubes. Na primeira, há descontentamento pela não-oportunidade de ver partidas de maior apelo. Além disso, inclusive, como aconteceu sábado (4), na vitória palmeirense sobre o Santos, no Morumbi, a Federação viu como positiva a experiência de torcedores alviverdes mais novos terem a oportunidade de conhecer o estádio de um rival na mesma cidade.
O público de palmeirenses na casa são-paulina, como ocorria no passado, na avaliação dos dirigentes, segundo o L! apurou, pode criar um hábito de 'civilidade'. Ou seja, com o hábito de ir ao estádio rival, casos de vandalismo podem ser menos habituais.
O primeiro passo foi dado. A FPF pediu ao Tricolor e à PM dados sobre ocorrências no Morumbi no sábado. Ao L!, dirigentes são-paulinos revelaram que a avaliação completa começará nesta segunda-feira (6). Mas apesar de fotos de cadeiras quebradas nas arquibancadas circularem, a posição é que se realmente aconteceu, são casos isolados, de torcedores que pularam em cima dos assentos.
UNIÃO PELA LIGA, BEBIDAS PARA OS PATROCINADORES
'Deixar de lado divergências e olhar para a frente' sinaliza outras questões entre Palmeiras e São Paulo. A principal delas é a Libra, liga nacional de clubes. Se o 'troca-troca' de estádios sinaliza uma unidade em prol do projeto, os clubes vêm pressionando a FPF por outra questão, estritamente comercial: o fim da proibição da venda de cerveja nos estádios paulistas.
Banida desde 1995, na esteira de outras proibições, a cerveja une o trio de ferro em uma questão: fonte de receitas e patrocínios.
Ao L!, pelo menos dois dirigentes confirmaram que algumas das várias propostas na mesa da Liga para o futuro envolvem cervejarias. Mas para se chegar aos valores sonhados, seria necessário o lobby para forçar a liberação da bebida.
Nada que haja oposição do trio de ferro. Palmeiras e Corinthians entendem a liberação da cerveja como um ponto de crescimento exponencialmente de renda em suas arenas.
Pontos a serem discutidos pela Federação, que mostrou flexibilidade como no caso da liberação das bandeiras de mastro às organizadas e também vê a queda das restrições como uma chance de revitalizar o Estadual.