Vítor Pereira ainda não bateu o martelo se seguirá no Corinthians em 2023.
Na noite deste sábado, após a vitória por 1 a 0 contra o Santos, o treinador afirmou em entrevista coletiva que já teve uma primeira conversa com o presidente Duílio Monteiro Alves, mas garantiu que ainda não há um caminho definido. O vínculo atual é válido até o fim do ano.
– Sobre a minha permanência, já me sentei com o presidente, estamos a discutir as coisas, vamos ver, mas ele que vai se pronunciar, ele que é o presidente, ele que está à frente do clube, não é o treinador que tem que chegar aqui e dizer que vai continuar ou não.
– Não há decisão nenhuma, há início de conversas, ele já percebeu o que se passa. Eu tenho vontade... É um clube, uma torcida, mas tem muito a ver com uma questão pessoal que eu tenho que equacionar muito bem, a vida não é só futebol.
O técnico deixou claro que o bem estar de sua família sempre estará à frente nas decisões:
– A questão familiar para mim é fundamental, não posso deixar mal minha família para eu ser feliz. Tem que haver um... Se eu ficar, tenho que sentir que eles estão bem. Se eu não sentir isso, me perdoem todos, mas eu vou. Essa situação não é uma coisa simples, é uma situação pesada.
– Converso sempre com Duilio, Alessandro e Roberto, pessoas que estão com muita vontade de criar um projeto ambicioso, que nos permita lutar por títulos. O clube está nessa vontade de que se crie, que se vá buscar dois ou três ou quatro jogadores que tornem a equipe mais forte, continue crescer e lutar por títulos. O que está em causa é uma questão familiar que é séria, não vou ficar aqui a contar da minha vida. É uma questão séria, tenho que sentir se aqui ele vão estar bem. Se eles não estiverem bem, não vale a pena ficar aqui, porque não vou ficar de corpo e alma. Vou me sentir egoísta. Eu não sou assim, sou cuidador das pessoas que estão ao redor, família é família.
Vítor Pereira disse que a questão engloba também os outros membros da comissão técnica.
– Não é uma situação só minha, todos têm filhos pequenos, o Felipe (Almeida, auxiliar) só tem um filho, que nasceu agora. Está há meses e meses sem ver o bebê, os outros também têm filhos pequenos. Ser treinador é uma coisa maravilhosa, mas a família vai ficando para trás. Nos últimos 12 anos, eu não vi meus filhos, não acompanhei o crescimento deles, é uma fatura que as pessoas não conseguem entender. Eu perdi uma fase da vida deles completamente, não consigo estar no meio da conversa deles, não sei o que estão a falar. Mas esse clube tem me dado muitas emoções, eu gosto muito de emoções fortes, estou no lugar das emoções fortes – afirmou.
A pré-temporada começa ainda neste ano, por volta de 15 de dezembro. Com a disputa da Copa do Mundo no Catar a partir de 20 de novembro, o elenco vai receber férias já no mês que vem e se reapresentar no último mês do ano.
Veja mais trechos sobre o tema:
Trabalhar sob pressão
– Relativamente à pressão, sinceramente não vejo isso como um aspecto negativo. Eu tenho necessidade de viver sob pressão, para trabalhar no meu limite tenho que estar pressionado. Por isso, normalmente, escolho projetos de acordo com o lado emocional. O meu lado emocional normalmente determina para onde eu vou, às vezes me dou mal, às vezes já me dei bem. Já estive em vários clubes em que a pressão era grande, quando empatava não saia à rua, pois já sabia o que ouviria. Isso para mim não é novidade, preciso dessa pressão. Mas tenho experiência e sei quem tenho que ouvir que acrescenta alguma coisa, vou iluminando aqueles que não valem a pena.
Nível do Brasileirão
– Relativamente ao campeonato, aí sim, muito mais difícil. Já imaginava um campeonato difícil, quando cheguei tive humildade de dizer que não via muito, só via o Campeonato Brasileiro para descobrir jogadores. Nunca percebi à fundo as equipes, em termos táticos e técnicos. Pensei que ia encontrar um campeonato menos difícil, acho esse campeonato muito difícil. Pelo calendário, temperatura, diferença de uma equipe para outra. Enfrentar o Santos é completamente diferente de enfrentar o Flamengo. É um campeonato em exigência muito grande. Daqui a quatro dias temos um adversário completamente diferente, que nos obriga a mudar muitas coisas. É um campeonato muito exigente. Confesso que me surpreendeu, pensei que era um bocadinho mais fácil.
Brigar por títulos
– Eu quero estar em campeonatos que me obriguem a crescer, tem que estar preparado para isso. Quero ter argumentos para discutir títulos. Não vou perder o meu tempo. Gosto de estar em equipes que me permitam competir. Nossa equipe está crescendo, tivemos um período de muitas lesões, que não nos permitiu jogar num nível que eu gostaria. Estamos chegando num nível que já conseguimos mudar taticamente quando precisamos. A equipe está a crescer, os miúdos vão crescer... A decisão não está tomada, é preciso pensar bem as coisas.
O Duílio Monteiro sabe que ele não vai ficar e fica insistindo