Aquela que seria uma das mais corintianas conquistas acabou por se tornar uma das mais dolorosas derrotas. Por muito tempo a Fiel torcida vai se lembrar do gol perdido por Róger Guedes, dos pênaltis mal cobrados por Fagner e Mateus Vital ou do toque de mão de Léo Pereira ignorado pela arbitragem na primeira final da Copa do Brasil contra o Flamengo.
Porém, o torcedor que foi dormir triste com o vice-campeonato tem muitos motivos para acordar orgulhoso. No campo e na arquibancada, o Corinthians foi gigante no vice-campeonato da Copa do Brasil, após empate no tempo normal e tropeço nos pênaltis.
Diante de um adversário mais qualificado e maduro, que jogava em casa com mais de 60 mil torcedores a favor, a equipe de Vítor Pereira não só igualou forças como foi superior na maior parte do tempo, terminando o jogo com mais finalizações (11 x 16) e posse de bola (45% x 55%).
E isso mesmo tendo saído atrás no placar com seis minutos de jogo.
O baque no começo da decisão abalou por algum tempo a equipe, mas não a sua torcida. Cantando do começo ao fim - muito mais do que os rubro-negros em alguns momentos - a Fiel continuou o show que já havia dado na primeira final e no treino aberto da última segunda-feira.
Após o sufoco inicial, o Corinthians foi entrando na partida a partir dos 20 minutos, embora com muitas dificuldades para criar. Surpresa na escalação de Vítor Pereira, Lucas Piton era praticamente um homem a menos, participando pouquíssimo das ações ofensivas. O lateral-esquerdo deu apenas nove passes certos e cinco errados antes de ser substituído no intervalo.
A estratégia de VP deu errado não apenas pelo desempenho ruim de Piton, mas também porque empurrou Róger Guedes para o centro, onde ele jogava de costas para o gol e perdia boa parte dos duelos. Faltava também alguém para alargar o campo pelo lado direito, no qual Fagner apoiava timidamente.
Sem conseguir infiltrar na área, o Corinthians apelava para cruzamentos de média distância. Mas, assim como nas faltas e escanteios, a maioria surtia pouco efeito.
A entrada de Adson no intervalo mudou o jogo de figura. Aceso, o meia deu alternativas pelo lado direito e também liberou o corredor esquerdo para Fábio Santos avançar.
Mais exposto, o time foi salvo por Cássio e também pela arbitragem, que anulou corretamente gol de Éverton Ribeiro.
Renato Augusto não estava em uma de suas noites mais iluminadas, mas ainda assim era importante com passes e carrinhos. Yuri Alberto foi outro que compensou com transpiração a falta de inspiração.
Mas foi dos pés de Giuliano, artilheiro da Copa do Brasil, que a esperança alvinegra renasceu. Aos 36 minutos, ele deixou o placar mais justo e o tetra corintiano mais próximo do que nunca.
Embora superior àquela altura da partida, o Timão parecia satisfeito com o empate, confiando que o gigantismo de Cássio faria a diferença nos pênaltis. A defesa na primeira cobrança, de Filipe Luís, fortaleceu essa crença, mas não foi suficiente.
O Corinthians terminará o terceiro ano seguido sem títulos, algo que não acontecia desde 1994. O cenário, no entanto, não é de terra arrasada. A permanência de Vítor Pereira é fundamental para os planos de 2023, mas mesmo que o português não fique o torcedor tem motivos para olhar para o futuro de maneira esperançosa.
A mescla entre jovens em ascensão e veteranos de qualidade pode render frutos no ano que vem, principalmente se bem reforçado (em qualidade, não quantidade). Além disso, o clube recuperou sua autoestima após duas temporadas sem brigar por nada e hoje está mais saudável administrativamente, embora ainda tenha um endividamento elevado.
A ferida levará um tempo para cicatrizar, mas o Corinthians pode sair dessa final maior do que entrou.
Diga se de passagem. A torcida atrapalhou o timao qdo acendeu essas merda de sinalizadores. Qdo o flamengo tava atordoado com o gol de empate era a hora de partir pra cima e virar o jogo. Mas a torcida acendeu essa porcaria e deu tempo pro flamengo respirar e recuperar do baque.
O Flamengo não foi macho de ganhar do Corinthians nas duas partidas, só ganharam nos pênaltis, título na sorte sem ganhar do adversário no campo de batalha não dá orgulho ao Flamengo!