Falecido aos 56 anos na segunda-feira em decorrência da COVID-19, o técnico Marcelo Veiga, que comandava o São Bernardo na Copa Paulista, marcou época no Bragantino. Com mais de 500 partidas no time do interior paulista, ele conseguiu alguns acessos e chegou à semifinal do Paulistão de 2007, quando foi eliminado pelo Santos após dois empates sem gols.
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Dono de um estilo de jogo único, o técnico gostava de equipes com defesas fortes - muitas vezes utilizando três zagueiros - que costumavam complicar - e irritar - a vida dos times grandes. Seu principal legado para o futebol foi ter ajudado a projetar a carreira de vários jogadores que depois iriam para grandes clubes do Brasil - e do mundo - como Paulinho, Felipe Augusto, Felipe, Romarinho, Bill, Éverton Santos, entre outros.
Ele começou a carreira como treinador no Lemense e passou por Matonense, Itumbiara e Ferroviário até chegar ao Bragantino, no fim de 2003. Ele comandou o “Massa Bruta” por diversas vezes - ganhou o apelido de "Alex Ferguson do interior" - até o fim do Paulistão 2019, quando o clube se fundiu ao Red Bull. Pelo Botafogo-SP, ele foi campeão da Série D Nacional. Neste ano, o treinador comandou o São Bernardo FC.
Antes disso, ele foi um lateral que fez sucesso entre o fim dos anos 80 e o começo dos 90. Revelado no Santo André, ele defendeu Santos, Internacional, Goiás, Bahia e Fortaleza, antes de pendurar as chuteiras, em 1999. Foi campeão do Gaúcho e da Copa do Brasil de 1992 pelo clube colorado.
Quase ida ao Corinthians
Técnico do Bragantino que foi semifinalista do Paulistão de 2007, Veiga viu os zagueiros Zelão e Kadu, além do atacante Éverton Santos, serem cobiçados pelo Corinthians.
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Fui almoçar com um diretor corintiano, que me perguntou o que eu achava dos atletas e dei o meu parecer. Eles levaram todos”, contou Marcelo Veiga, ao ESPN.com.br, em julho.
O técnico disse que recebeu um convite para comandar o Corinthians, que vivia um momento ruim na temporada.
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O diretor me perguntou se eu estava preparado. Eu disse que ainda não estava. Não era o meu momento, tinha muitas coisas para aprender e estava começando a carreira. Eu decidi ficar”, recordou.
Apesar de ter recusado a oferta à época, Veiga garante que fez a escolha certa.
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Não me arrependo de jeito nenhum, fiz o que era certo no momento. O Corinthians é um time de camisa. Eu não estava preparado porque tinha liberdade de escolher o modo de trabalhar e o elenco no Bragantino. Acho que no Corinthians eu não teria isso, preferi começar com os pés no chão”.
Naquele ano, o Corinthians entrou em uma grande crise, trocou várias vezes de treinador e acabou rebaixado para a Série B do Brasileiro pela primeira vez na história.
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Eu corria o risco de bater, voltar e não ter outras chances. Eu já conhecia alguns amigos meus que foram para equipes grandes e nunca mais tiveram outra chance. Não queria isso para minha carreira". Veiga costumva dizer que quando chegasse a uma grande equipe era para se firmar.
O DVD do zagueiro da seleção brasileira
Marcelo Veiga ganhou das mãos do amigo Samuel Gomes o DVD do zagueiro Felipe, do União Mogi, que disputava a quarta divisão do Campeonato Paulista em 2010. Apesar de ter recebido várias indicações que não tinham dado certo anteriormente, o técnico foi assisti-lo em um momento de folga.
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Me chamou atenção a altura e, principalmente, a velocidade dele. Eu pensei: ‘Esse moleque é rápido e ganha todas pelo alto’. Vi que seria muito útil porque eu jogava com três zagueiros no Bragantino’”, contou o treinador ao ESPN.com.br.
No domingo seguinte, por volta das 10h, foi até o acanhado estádio em Mogi da Cruzes para acompanhar uma partida do jovem.
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Fui sem ninguém da diretoria deles saber. Comprei meu ingresso e fiquei na arquibancada vendo o jogo dele. Lembro que o estádio estava quase vazio. Eles ganharam o jogo e gostei do que vi”.
No próprio domingo à noite eu liguei para o Samuel: ‘Sabe o menino que você indicou? Então, vou ver se ele se encaixa aqui, mas pode trazê-lo amanhã. De todos os jogadores que ele me trouxe nestes anos, o Felipe foi o único que aprovei (risos)”.
Veiga mal poderia imaginar que o jovem seria, uma década depois, considerado um dos melhores zagueiros do mundo. Depois da passagem pelo Bragantino, ele foi contratado pelo Corinthians e foi campeão de vários títulos – incluindo Mundial e Recopa Sul-Americana -, mas ficou quase três anos como reserva.
Em 2015, Felipe ganhou a chance com Tite e virou um dos pilares do time que venceu o Brasileiro. No meio do ano seguinte, foi negociado com o Porto.
Contratado no ano passado por 20 milhões de euros pelo Atlético de Madrid, Felipe virou titular absoluto e um dos pilares da defesa do técnico Diego Simeone. Com atuações seguras, ele entrou na seleção de LaLiga logo em sua temporada de estreia e chegou a ser convocado para a seleção brasileira..
Romarinho
A carreira de Romarinho, herói corintiano que marcou o lendário gol no empate com o Boca Juniors em pleno estádio da Bombonera, foi salva por Marcelo Veiga. Em 2011, o atacante estava há quatro meses desempregado após o final do Campeonato Paulista de 2011, após ter ido bem com a camisa do São Bernardo, quando foi indicado ao treinador pelo centroavante Lincom.
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O Lincom chegou para mim e falou: 'Professor, por que o senhor não traz o Romarinho? Ele está sem clube, será que não dá para contratar?'. Então peguei o telefone e em dois dias ele já estava aqui treinando com a gente", contou.
Veiga conta que viu os dois jogadores se destacando pelo Rio Branco de Americana, no Paulista da Série A-2, em 2008. Três anos depois, a intenção era trazer a dupla para o 'Massa Bruta', mas o clube do ABC teria uma proposta financeiramente melhor. Chegou apenas o centroavante, que logo arrumou uma 'vaguinha' para o xodó corintiano.
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Os dois viviam grudados. O Lincom era o irmão mais velho dele, na concentração eram parceiros de quarto. Ficava brincando que ia separá-los pra quebrar a ‘panelinha' (risos). Dentro de campo também se entendiam como ninguém, uma dupla que se complementava", recordou Veiga.
A amizade dos dois extrapolava os gramados, a ponto do novo jogador do Corinthians cuidar até das finanças do 'avoado' atacante. "
É um cara muito tranquilo, sério e responsável. O Lincom administrava a grana do Romarinho mesmo, todo pagamento ia para conta dele porque o Romarinho era muito desligado, igual a ele eu nunca vi (risos)", recordou.
Atuando ao lado do parceiro, a carreira de Romarinho foi meteórica: destaque na Série B de 2011, no Paulista de 2012, ida ao Corinthians, gol no Palmeiras, a Bombonera...
Já o 'irmão mais velho' continuou no Bragantino torcendo à distância e fazendo seus gols. Só com a camisa do Bragantino foram 62, tornando-se o maior artilheiro da história do clube. Em 2015, Lincom foi contratado pelo Corinthians e venceu o Brasileiro de 2015 como reserva de Vagner Love.
Paulinho
Em 2008, Veiga foi ver uma partida do Penapolense contra o Pão De Açúcar pela Série B do Paulistão (4ª Divisão) porque desejava contratar um centroavante para o Bragantino jogar a Série B do Brasileiro. Ao ver o jogo, Veiga não se animou muito com o atacante, mas se encantou com o futebol de um jovem volante chamado Paulinho, do PAEC.
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Ele tinha qualidade de passe, chegava bem a frente e volume de jogo. Era diferente. O treinador do Pão de Açúcar me recomendou um outro volante, que todo mundo dizia ser o destaque, mas eu quis o Paulinho. Ele ganhava cerca R$ 1,5 mil e foi para receber R$ 2,5 mil no Bragantino", contou Veiga
Com menos de um ano e meio de Bragantino, o volante se destacou e saiu para o Corinthians.
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O Paulinho era casado na época e levou a esposa. Era sossegado, não era de balada. Falava pouco e prestava muita atenção. Quando jogávamos contra os times grandes sempre me perguntavam. Teve muita gente atrás dele, mas ele foi para o Corinthians".
O volante anos depois jogaria duas Copas do Mundo e defenderia times como Corinthians, Barcelona e Tottenham.
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Sentimentos a família que Deus conforte era um grande técnico
Já temos o Mancini; Obrigado!
Como funciona Pietro
Que Deus te receba no paraíso fica na pas de Deus
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