O tabu, usado até como motivação por Vágner Mancini, continua. O Corinthians venceu o São Paulo por 1 a 0 e mantém o rival sem vitórias na Arena Neo Química. Pode-se dizer que a distância entre os dois rivais nunca foi tão grande: o Timão luta contra o descendo, o São Paulo é líder com quatro pontos de vantagem.
Até por isso, foi um jogo bem à lá Corinthians: sofrido, com muita marcação e decidido no belo contragolpe que Otero converteu. Também um jogo muito estratégico. Afinal, o Corinthians adotou uma postura agressiva de sufocar a saída de bola do São Paulo, o que funcionou em partes. Quando criava, o visitante era brecado por uma linha defensiva quase que perfeita.
Para entender a estratégia de Mancini, é preciso voltar um pouco e ver como o São Paulo constrói suas jogadas. Lembrando: existem três etapas de um time com a posse de bola: a iniciação (a saída do goleiro até o meio), a criação (quando a bola passa pelos meiocampistas) e a finalização. Fernando Diniz tem um jeito muito diferente de pensar a iniciação. Ao contrário da maioria das equipes do mundo, ele faz uma "saída de 4", com dois volantes vindo buscar a bola dos zagueiros. E não três, como você normalmente vê.
Essa saída de quatro é feita para liberar os laterais para darem amplitude e posicionar Daniel Alves em sua função preferida, a de "amigo de todos". Mancini começou a planejar o jogo a partir daí. O Corinthians queria neutralizar essa criação a partir dos meias recuados. Então Cazares e Natel tiveram a função de vigiar de perto o recuo desses meias, enquanto os outro quatro do meio avançavam para dar suporte e cortar as linhas de passe que Sara e Igor Gomes davam. Como no caminho....
Aqui abaixo, um exemplo: Luan, Daniel Alves e Igor Gomes (destacados) circulam no espaço que os zagueiros deixam ao abrir. Veja a linha de quatro do Corinthians: ela não pressiona o goleiro. A intenção dessa marcação era neutralizar apenas Luan e Dani Alves, os líderes da criação do Tricolor. Até pelo potencial ofensivo de Reinaldo, Ramiro ficava mais preso ao meio, vigiando especialmente o lateral.
Quando Luan tocava na bola, Cazares ou Natel pressionavam o meia. Mas havia trocas de marcação, como Gabriel, que muitas vezes saía de trás para tentar roubar a bola. A intenção da saída de quatro de Diniz é justamente essa: atrair rivais para liberar espaço na linha defensiva. Aliás, boa parte do sucesso do São Paulo vem do ajuste desse mecanismo, com passes mais rápidos para sair da pressão que você vê na imagem.
E o São Paulo conseguia, o tempo todo, tirar os volantes corintianos na defesa. É por isso que o São Paulo quer sair curto, não importa o que custe: o benefício desse mecanismo é imenso. Com dois ou três passes, a defesa do rival se desconcerta. O Corinthians assumiu um risco imenso ao colocar seis jogadores praticamente na área, e em muitos momentos abafava a saída com faltas e roubadas, mas em outros ficava muito desprotegido.
A estratégia ousada de pressão do Corinthians garantia algumas roubadas, outras saídas com muito espaço dado ao São Paulo, como na imagem. Cantillo, Gabriel e Ramiro, os meias fisicamente e por característica mais propensos a vencer duelos individuais, estão atrás da linha da bola e longe do portador da bola. Foi um momento que o São Paulo quebrou a primeira linha de pressão. Exatamente o que a saída de quatro quer!
Mas lembre-se que jogar futebol é um ato tão coletivo que uma coisa sempre estará conectada a outra. Sempre! Se uma coisa não dá certo, você tem o companheiro para te ajudar. Para te cobrir. Nesse caso, o Corinthians contou com uma linha de quatro defensiva extremamente alinhada e compacta, ao melhor "DNA Corinthians" de Mano Menezes, Tite e Fabio Carille. Essa linha não saía para caçar. Não se desconectava quando o São Paulo saía da pressão. Muito pelo contrário, ela ficava alinhada e corria para trás, se compactando muitas vezes na própria corrida.
Isso fazia com que o São Paulo tivesse dificuldade para finalizar. A linha de quatro tem como referência o espaço. Se bem executada, ela assume o risco de deixar um adversário bem confortável com o objeto de desejo que é a bola, mas fecha o espaço e o ângulo de visão do chute. Eles tiravam a visão do gol e impediam que Sara ou Luciano calibrassem o chute para tirar Cássio do lance.
Outro ponto fundamental ao Corinthians era a velocidade de recomposição, que é uma marca dos times de Vágner Mancini. Todo mundo volta para fechar espaços. Mas volta mais rápido que o adversário! Até porque, o espaço deixado quando o São Paulo escapava da pressão era imenso. Olha o perigo: três jogadores sem nenhuma pressão. E nenhum zagueiro indo caçar e abrindo espaço...
A linha de defesa ficou ainda mais evidente no segundo tempo, quando as alterações de Diniz empurraram o Corinthians para trás e tiraram, em partes, o contra-ataque. Ainda assim, Jemerson e Mendéz ficavam sempre no lugar, acompanhados por Fábio Santos e Fágner. Quando um saía, Gabriel ou Cantillo (e depois Camacho) vinham cobrir. E muita ajuda do meio, que deixava a bola sempre coberta (marcada) para que os zagueiros olhassem para frente sem a chance de sofrerem uma antecipação do Luciano. Se o passe não sai, Luciano não conseguiria infiltrar.
Existe no futebol brasileiro há pelo menos vinte anos e nasceu em Porto Alegre, mais precisamente nas reuniões que os treinadores de base do Inter faziam por influência de João Paulo Medina. Com Parreira e Autuori, havia um debate grande de ideias na base do Inter, e a linha defensiva, que foi apresentada por Mano Menezes em 2011, pegou. Não é por acaso que técnicos como Mano, Tite, Enderson Moreira, Guto Ferreira, Osmar Loss, Lisca e André Jardine gostam tanto desse sistema.
Já Mancini não é dessa escola, mas gosta de futebol rápido, vertical, de organização defensiva e velocidade no ataque. É a cara do seu Corinthians. É também o que faltou ao São Paulo, que vinha de bons jogos saindo muito bem da pressão. O próprio Diniz reconhece:
"Acho que a equipe foi muito lenta, principalmente no primeiro tempo. Quando quebrava a linha, não aproveitava. Fazia um jogo de posse de bola, só, muito diferente do que fazíamos até então. Facilitamos muito as ações do Corinthians. Nosso jogo é muito mais acelerado do que foi hoje" – disse o treinador.
FAZEMOS DESBLOQUEIO DOS CANAIS PREMIER, TELECIINE, COMBATTE E CONMEBOL TV PARA ASSINANTES DE TV POR ASINATURA DE QUALQUER LUGAR DO BRASIL E TAMBEM REDUZIMOS O VALOR DA FATURA. SÓ PAGA DEPOIS QUE O SERVIÇO FOR FEITO. WHATSAP 11967425209
Enviar Comentário
Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado
e logado no nosso site. Para se cadastrar, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui ou Conecte com Facebook.
Parabens Mancini vc entende muito pena que o nosso elenco é muito fraco mas vc ja nos deu uma esperança.
FAZEMOS DESBLOQUEIO DOS CANAIS PREMIER, TELECIINE, COMBATTE E CONMEBOL TV PARA ASSINANTES DE TV POR ASINATURA DE QUALQUER LUGAR DO BRASIL E TAMBEM REDUZIMOS O VALOR DA FATURA. SÓ PAGA DEPOIS QUE O SERVIÇO FOR FEITO. WHATSAP 11967425209