O Corinthians conheceu na noite da última quarta-feira mais uma eliminação frustrante em 2020. Depois do fiasco na fase preliminar da Libertadores no começo do ano, o empate com o América-MG, após derrota em casa na ida, tirou a equipe da Copa do Brasil nas oitavas de final.
Mais uma frustração de um time que no papel não é ruim, mas na prática coleciona decepções e rendimento individual e coletivo bastante aquém do esperado. Detalhes do futebol difíceis de serem previstos, mas capazes de enormes problemas.
O principal exemplo talvez seja Luan, grande contratação da temporada, com bagagem para ser titular absoluto, e acionado na partida decisiva apenas nos minutos finais. Vive fase de extrema baixa técnica. Hoje, é reserva do Corinthians e só entrou no jogo depois de Everaldo, Gabriel, Cantillo e Léo Natel.
Com a lesão de Cazares (veja mais detalhes abaixo), a opção imediata de Vagner Mancini foi Everaldo, mesmo perdendo um articulador, em detrimento de Luan.
Há uma frustração natural com o trabalho de Tiago Nunes depois de nove meses, os números jogam contra o mês de Dyego Coelho como interino, e é possível questionar as opções de Mancini na partida da última noite, mas é também inegável a decepção com o elenco. Era possível entregar mais.
Começo ruim
O Corinthians começou a partida em uma espécie de 4-2-3-1, com Mateus Vital caindo pela esquerda e Matheus Davó mais uma vez posicionado como centroavante. Cazares ficou com a função de criação pelo meio, jogando à frente de Éderson e Xavier e ao lado de Ramiro.
O problema é que as estratégias traçadas para a etapa inicial não deram certo e foram pouco a pouco sendo minadas com o passar dos minutos, mesmo com o Timão tendo 55% de posse de bola:
- Sobraram erros de passes e domínio (61 passes incompletos contra 188 certos);
Foram apenas três finalizações do Corinthians;
- O América-MG passou a aproveitar os espaços deixados para chegar com facilidade à área de Cássio (foram dez finalizações em 45 minutos);
- Bolas longas do Corinthians também não funcionaram (36 tentativas e apenas 14 certas);
Cazares, homem mais criativo do elenco, se lesionou aos 32 minutos;
- Entrada de Everaldo pela esquerda com Mateus Vital posicionado pelo meio não funcionou;
- Davó pouco participou do jogo (apenas cinco passes trocados).
O primeiro tempo não funcionou, o placar não foi aberto e sobraram apenas 45 minutos para a equipe tentar inverter o resultado diante de um América organizado. Erros bobos, como os de passes e até domínios simples, ou as ações pouco verticais jogaram o tempo fora.
– A estratégia montada foi de manter a mesma equipe que fez um grande jogo, talvez o melhor, contra o Internacional, não via razão para mexer, foi mantida na íntegra. Quando vi que no primeiro tempo não tinha evolução entre os setores, a parte de trás ficou muito tempo com a bola no pé, os volantes não conseguiam distribuir e nossa equipe ficou lenta. Diante de um time bem ajustado, que joga em velocidade, você sofre muito. Começou-se uma descompactação que não nos permitiu boas oportunidades – disse Mancini.
Fagner e seus dois gols
Mancini promoveu alterações para a etapa final: sacou os volantes Xavier e Éderson para as entradas de Gabriel e Cantillo. Uma mudança de postura logo no começo gerou mais proximidade com o gol. Matheus Davó participou de boa dobradinha de Fagner e Ramiro e poderia ter feito de cabeça.
Em um Corinthians mais intenso, minutos depois, Davó sofreu pênalti. Convertido por Fagner. Em sequência inspirada, o lateral evitou o gol de Ademir, depois de recuo errado de Everaldo e saída ruim de Cássio do gol. Foi o "segundo gol" do lateral, no que parecia ser um jogo destinado a terminar em penalidades.
A posse de bola pulou de 55 para 57% e as finalizações passaram de três para dez. O número de passes incompletos também diminuiu e o de certos aumentou: 58 x 198. Em suma, o Corinthians melhorou na etapa final e parecia que levaria a decisão às penalidades.
Efeito cascata
Eis que a má fase individual/coletiva que se arrasta temporada adentro e insiste em rondar a equipe fez uma nova vítima: Lucas Piton.
Em noite ruim, o lateral-esquerdo teve dificuldades na marcação e não conseguiu colaborar no ataque como de costume. Terminou com o azar de um pênalti cometido de costas, ao tocar com o braço na bola. Para a Central do Apito, a infração foi corretamente marcada.
Na mesma linha dos destaques em baixa, Cantillo, acionado na etapa final, poderia ter feito mais. O colombiano entrou bem, acertando 29 passes em apenas um tempo. Não fez mais porque também vive momento ainda instável e hoje é opção no banco de reservas.
Um Corinthians com Luan e Cantillo no auge, entregando o máximo, certamente teria mais facilidade e menos espaços no meio campo. O próprio camisa 7 acabou sofrendo com a afobação da equipe nos minutos finais. Na imagem (veja abaixo), é possível vê-lo sem opções diante de forte marcação.
Como o Brasileirão como "sobra" até o final da temporada, o objetivo do Corinthians é não só achar um padrão tático, mas também manter um padrão de atuação e encontrar o equilíbrio de desempenho.
– O estágio real é exatamente o de oscilação, que me preocupa, mas que eu sei que, com o passar do tempo, vamos diminuindo jogo a jogo. O Corinthians demonstrou evolução em muitas coisas, mas em outras não. E vamos ter que trabalhar. Agora, curiosamente, a gente vai ter tempo de trabalho. Isso vai jogar a favor de uma equipe que quer se recuperar na temporada, que tinha algumas ambições e elas foram, aos poucos, escapando – completou o treinador.
Corinthians, Copa do Brasil, Eliminação, Analise
Estao procurando tanto um ponta com velocidade. Traz o romero poxa
Esse time não tem qualidade individual sem o Otéro e Cazares em campo o time perde dominio de bola
Não sei nem como descrever o que eu tou sentindo, nunca vou deixar de ser Corintiano, mais perdi toda a vontade de assistir jogos desse elenco que so nos faz vergonha, enquanto tiver luan, Everaldo, Mateus vital, Ederson eu não acompanhei.
Com esse futebolzinho tem que dar muita sorte pra ficar na série A.
Alem de sobrar só o brasileirão ainda vai lutar pra não cair