7/10/2015 08:34
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Dos cogumelos ao Timão, Felipe refaz "temporada" de trabalho no Mercadão
Zagueiro do líder do Campeonato Brasileiro quase desistiu do futebol e passou um ano acordando de madrugada para ajudar os sogros. Teste em Mogi mudou destino
Há cinco anos, um dos jogadores mais regulares do Corinthians no Campeonato Brasileiro acordava no meio da madrugada, deixava a cidade de Mogi das Cruzes antes do amanhecer e tentava ganhar a vida no centro de São Paulo com a venda de cogumelos. O zagueiro Felipe trabalhou durante um ano no Mercado da Cantareira, na capital, e só se tornou jogador de futebol por causa da insistência.
O defensor que conquistou a torcida em 2015 com gols e boas atuações foi reprovado em peneiras no próprio Corinthians para a categoria sub-20. Em 2010, aceitou a ajuda dos sogros para ter um emprego e faturar algum dinheiro. Com uma condição: ele poderia continuar procurando um clube para jogar.
– Eu jogava na várzea, não tive base nenhuma. Tentei testes no Corinthians e fui reprovado duas vezes. Não passei na Portuguesa também. Quando comecei a trabalhar com minha sogra, ela quis me ajudar, começou a me levar ao Mercadão. Falei para ela que ainda queria tentar, dar um último gás. Aí surgiu um convite do União de Mogi. Depois fiz um DVD, mandei para o Bragantino, e as coisas começaram a dar certo – contou Felipe.
O zagueiro vai na contramão da maioria dos jogadores de futebol: começou tarde, aos 21 anos, quando recebeu o convite da equipe de Mogi e deixou o box da Ilza, sua sogra, onde tinha uma rotina puxada. Um ano depois, chegaria ao Bragantino. Em 2012, quase desconhecido, desembarcou no Parque São Jorge e teve de esperar três anos até virar titular e destaque do líder do Brasileiro. Para orgulho da dona Ilza.
– Queríamos ajudá-lo e sabíamos que ele tinha esse sonho. Foi muito bem enquanto trabalhou por aqui, mas acho que é ainda melhor no futebol – disse a sogra do corintiano.
A convite da reportagem, o zagueiro fez uma visita ao seu antigo trabalho, onde não ia "há dois ou três anos", segundo o próprio. O box da Ilza é especializado em cogumelos, mas também vende ovos de galinha e de codorna. No local, Felipe relembrou a dura rotina que viveu durante aquela "temporada" atípica longe dos gramados.
– Eu acordava às 3h40 da manhã em Mogi das Cruzes, carregava o carro, pegava a estrada, chegava aqui e descarregava tudo. Correria total antes mesmo de amanhecer. Saía por volta das 7h com meu sogro para entregar os cogumelos em restaurantes e supermercados. Depois vinha ajudar no box. Fazia de tudo um pouco. Mas, ao contrário do futebol, a pressão aqui era bem menor – brincou o corintiano.

No Mercado da Cantareira, localizado em frente ao famoso Mercadão, Felipe é um rosto familiar. Em uma caminhada de dez minutos pelo galpão cheio de barracas com alimentos variados, o zagueiro cumprimenta dois, cinco, dez conhecidos dos velhos tempos. Muitos deles corintianos.
As perguntas e pedidos foram recorrentes, todos em torno do mesmo assunto: o título brasileiro. Tranquilo, Felipe repetiu a mesma frase.
– Tem de manter o pezinho no chão, tem muitos pontos a serem disputados. Mas queremos muito esse título e vamos atrás dele.
A rotina daquele ano fez o zagueiro criar alguns hábitos. A preocupação com a alimentação é o principal deles. Os cogumelos, claro, fazem parte de sua dieta. Como um bom vendedor, Felipe fez propaganda do que costumava vender e consumir.
– Eu como muito shimeji, escuro ou branco. Ovo de codorna é indispensável também, e o champignon fresco é de ótima qualidade. Nunca parei para perguntar à nossa nutricionista, mas faz bem, é natural, bem gostoso. Minha sogra costuma nos abastecer com tudo isso em casa, acho até que estou dando prejuízo – avisou.
Felipe não precisa mais acordar tão cedo para cumprir sua jornada de trabalho. Agora, porém, não representa só o box da dona Ilza. A responsabilidade também é de alegrar milhões de corintianos com o possível título brasileiro no fim do ano.

Felipe no Mercadão: lembranças do tempo em que o futebol parecia um sonho distante
O defensor que conquistou a torcida em 2015 com gols e boas atuações foi reprovado em peneiras no próprio Corinthians para a categoria sub-20. Em 2010, aceitou a ajuda dos sogros para ter um emprego e faturar algum dinheiro. Com uma condição: ele poderia continuar procurando um clube para jogar.
– Eu jogava na várzea, não tive base nenhuma. Tentei testes no Corinthians e fui reprovado duas vezes. Não passei na Portuguesa também. Quando comecei a trabalhar com minha sogra, ela quis me ajudar, começou a me levar ao Mercadão. Falei para ela que ainda queria tentar, dar um último gás. Aí surgiu um convite do União de Mogi. Depois fiz um DVD, mandei para o Bragantino, e as coisas começaram a dar certo – contou Felipe.
O zagueiro vai na contramão da maioria dos jogadores de futebol: começou tarde, aos 21 anos, quando recebeu o convite da equipe de Mogi e deixou o box da Ilza, sua sogra, onde tinha uma rotina puxada. Um ano depois, chegaria ao Bragantino. Em 2012, quase desconhecido, desembarcou no Parque São Jorge e teve de esperar três anos até virar titular e destaque do líder do Brasileiro. Para orgulho da dona Ilza.
– Queríamos ajudá-lo e sabíamos que ele tinha esse sonho. Foi muito bem enquanto trabalhou por aqui, mas acho que é ainda melhor no futebol – disse a sogra do corintiano.
A convite da reportagem, o zagueiro fez uma visita ao seu antigo trabalho, onde não ia "há dois ou três anos", segundo o próprio. O box da Ilza é especializado em cogumelos, mas também vende ovos de galinha e de codorna. No local, Felipe relembrou a dura rotina que viveu durante aquela "temporada" atípica longe dos gramados.
– Eu acordava às 3h40 da manhã em Mogi das Cruzes, carregava o carro, pegava a estrada, chegava aqui e descarregava tudo. Correria total antes mesmo de amanhecer. Saía por volta das 7h com meu sogro para entregar os cogumelos em restaurantes e supermercados. Depois vinha ajudar no box. Fazia de tudo um pouco. Mas, ao contrário do futebol, a pressão aqui era bem menor – brincou o corintiano.

No Mercado da Cantareira, localizado em frente ao famoso Mercadão, Felipe é um rosto familiar. Em uma caminhada de dez minutos pelo galpão cheio de barracas com alimentos variados, o zagueiro cumprimenta dois, cinco, dez conhecidos dos velhos tempos. Muitos deles corintianos.
As perguntas e pedidos foram recorrentes, todos em torno do mesmo assunto: o título brasileiro. Tranquilo, Felipe repetiu a mesma frase.
– Tem de manter o pezinho no chão, tem muitos pontos a serem disputados. Mas queremos muito esse título e vamos atrás dele.
A rotina daquele ano fez o zagueiro criar alguns hábitos. A preocupação com a alimentação é o principal deles. Os cogumelos, claro, fazem parte de sua dieta. Como um bom vendedor, Felipe fez propaganda do que costumava vender e consumir.
– Eu como muito shimeji, escuro ou branco. Ovo de codorna é indispensável também, e o champignon fresco é de ótima qualidade. Nunca parei para perguntar à nossa nutricionista, mas faz bem, é natural, bem gostoso. Minha sogra costuma nos abastecer com tudo isso em casa, acho até que estou dando prejuízo – avisou.
Felipe não precisa mais acordar tão cedo para cumprir sua jornada de trabalho. Agora, porém, não representa só o box da dona Ilza. A responsabilidade também é de alegrar milhões de corintianos com o possível título brasileiro no fim do ano.

Felipe no Mercadão: lembranças do tempo em que o futebol parecia um sonho distante
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Postado por Willian - 6357 visitas - Fonte: Globo Esporte !
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