1/10/2015 09:27
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Timão desde pequeno: entenda como surgem as novas joias do Corinthians
GloboEsporte.com apresenta um raio-X das categorias de base do Timão. Com 270 atletas entre nove e 23 anos, clube gasta cerca de 1,2 milhão por mês em formação
Líder do Brasileirão, o Corinthians busca o hexa em um ano em que ficará marcado também pelo grande aproveitamento de garotos na equipe principal. Nomes como Yago, Rodrigo Sam, Marciel, Guilherme Arana, Matheus Pereira e Malcom são cada vez mais comuns aos torcedores.
A chegada ao profissional, porém, envolve muito investimento financeiro, excelência em captação e, claro, talento. Com quase 300 crianças e jovens entre 9 e 23 anos, e mão de obra qualificada na comissão técnica, o Corinthians gasta mensalmente cerca de R$ 1,2 milhão para manter a fábrica de craques em funcionamento (R$ 14 milhões anuais).
Valor que, até 2014, chegava a R$ 20 milhões (R$ 1,6 milhão/mês) – a crise financeira provocou corte de gastos e de pessoal, o que causou a saída de alguns profissionais experientes.
Gerente geral da base, Fábio Barrozo recebeu a reportagem do GloboEsporte.com no Parque São Jorge horas antes da eliminação da equipe sub-20 na Copa do Brasil da categoria, após derrota por 1 a 0 para o Coritiba.

Empolgado com outros resultados obtidos na temporada, como as conquistas da Copa São Paulo, da Taça BH e do Mundial Sub-17, o dirigente exaltou a sintonia entre base e profissional, detalhou o trabalho de lapidação e se mostrou otimista com o futuro.
Em 2016, o clube passará a utilizar o seu CT da base, em terreno anexo ao do profissional. Enquanto isso, o Corinthians procura oferecer maiores salários para atrair talentos pelo Brasil.
– Você pode seduzir um garoto a jogar no seu clube pela estrutura ou pelo salário. Hoje não temos a excelência de Cruzeiro e Atlético-MG, por exemplo, mas nossa parte financeira é muito equilibrada, apesar da crise. Conseguimos trazer os maiores destaques do Brasil – garante.
Os atacantes Claudinho, ex-Santos, e Isaac Prado, ex-Botafogo de Ribeirão Preto, e o volante Warian, o Ameixa, ex-Remo, contratados recentemente, se encaixam no perfil citado por Fábio.
A cartilha do clube aos atletas conta com aspectos comportamentais, como a proibição do uso de boné virado para trás, e também táticos.
Desde o sub-17, por exemplo, é aplicado o conceito de manutenção de posse de bola, jogo de poucos riscos, ataque com quatro a seis jogadores e rápida recuperação da posse.
Além disso, as equipes atuam em linha de quatro defensiva, com variações do 4-4-2, 4-2-3-1 e 4-1-4-1. A ordem vem de cima, espelhada no trabalho de Tite.
DOS 9 AOS 13
Existem muitas formas de chegar ao clube. A seleção para a sub-9, em parceria com o futsal, acontece por meio de uma competição interna chamada Copa Corinthians. De início, 66 garotos são escolhidos. Em 2015, foram 33 nascidos em 2006 e 33 nascidos em 2007.
Das crianças, não se cobra muita coisa além de qualidade técnica e bom comportamento. É assim também na sub-11 (nascidos em 2004 e 2005) e sub-13 (2002 e 2003), ambas com 44 garotos cada.

Garoto da equipe sub-11 em ação no Parque São Jorge: idade de desenvolvimento
Por lei, nenhum deles fica alojado. Os treinamentos acontecem no Parque São Jorge e, nas competições, é obrigatório que o técnico alterne escalações e faça duas substituições no intervalo e as restantes permitidas na segunda etapa. O objetivo é dar chance a todo o grupo.
Atrás de novos talentos, o departamento de análise e desempenho garimpa novos nomes durante campeonatos estaduais e torneios nacionais. Como todos os jogos do Corinthians são filmados desde a sub-11, há muito material disponível.
Coreano radicado no Brasil, Junseok Lee comanda a equipe de inteligência, que conta com mais cinco analistas. Uma vez identificado um atleta promissor, uma equipe com seis observadores técnicos vai a campo para monitorá-lo.
– Vamos supor que enfrentemos o Mirassol no sub-11 e aparece um menino muito bom. Não podemos trazer porque não há como alojá-lo, mas fazemos um monitoramento, procuramos o clube dele e acertamos tudo para termos um contrato posterior. Não roubamos ninguém, até porque não queremos que os pequenos morram. Precisamos deles – diz Barrozo.

Time campeão paulista sub-15 em 2013 (foto) forma a base do time sub-17 nesta temporada
O mesmo trabalho é feito com garotos mais velhos. Há mapeamentos, por exemplo, de jovens de 18 anos que atuam como titulares de suas equipes em competições nacionais profissionais, tais quais as Séries B, C e D do Brasileirão.
A PARTIR DOS 17

Após a categoria sub-15, começa o chamado alto rendimento. Campeã mundial em março com destaques como Fabrício Oya e Léo Jabá, a equipe sub-17 iniciou a temporada com 34 atletas (1998 e 1999).
Nesta idade, começam trabalhos de musculação, tração e treinamento regenerativo. Os jovens, que já assinam contrato profissional aos 16, são tratados como atletas.
– Sub-17 tem conceito profissional. Samuel, Léo Jabá e Léo Santos subiram para treinar no profissional e se mostraram adaptados. No refeitório da base antes se portavam de um jeito, mas no profissional tem de ser de outro – diz o gerente da base.
– Tivemos aqui um jogador chamado Rodinei, hoje lateral-direito da Ponte Preta, que não deu certo no clube por não se adaptar ao ambiente profissional. Deslumbrou-se, tinha muita brincadeirinha, muito risinho. E tínhamos Tite e depois Mano Menezes aqui, técnicos que gostam de seriedade. Não ficou conosco – completa Barrozo.
Aos 16 anos, Fabrício Oya assinou, em setembro, seu primeiro contrato profissional com o Timão. Desde que Roberto de Andrade assumiu a presidência do Corinthians, todos os vínculos de jovens jogadores foram feitos com 80% dos direitos econômicos garantidos para o clube e apenas 20% para jogador e/ou empresário. No caso dele e do zagueiro Léo Santos, tidos como diferenciados, o Timão teve de ceder um pouco. Ficou com 70% e cedeu 30%.
Com reuniões mensais entre base e profissional, os destaques começam a ser monitorados pela comissão técnica de Tite, sendo convocados para compor treinos e participar de partidas.

Nos últimos quatro anos, Corinthians ganhou duas Copas São Paulo e foi vice em outra
A partir do sub-20, a coisa se divide. O técnico Osmar Loss trabalha com 32 nomes (nascidos entre 1995 e 1997), a nata da categoria. Outros 44 da mesma safra seguem para o Flamengo de Guarulhos, parceiro do clube que disputa a terceira divisão paulista, mas que compete no mesmo Campeonato Sub-20 que o Timão. O empréstimo divide os jogadores, dá experiência a quem não teria oportunidade e perspectiva a todos. Alguns voltam, e outros são negociados.
– Temos vários exemplos de jogadores que retornaram ao sub-20 do Corinthians depois de passar pelo Flamengo: Tocantins (atacante), Rafael Augusto (zagueiro) e Lauder (atacante), que foi artilheiro do Paulista do ano passado. Eles seguiram fazendo parte da nossa base. Disputam Paulista Sub-20, Copa São Paulo e fazem amistosos internacionais em nome do Corinthians.
Em 2014, oito jogadores de até 20 anos foram cedidos a clubes portugueses por empréstimo. Há ainda jogadores de até 23 anos que seguem com contrato com o Timão e são usados pelo próprio Flamenguinho na disputa da Série A-3 do Paulistão. Hoje, são oito nesta condição.
A parceria com o clube de Guarulhos rende ao Corinthians um alojamento no estádio Antônio Soares de Oliveira, que comporta 60 jogadores entre 14 e 17 anos. Em 2016, o CT da base, em terreno anexo ao CT do profissional, receberá os garotos. Outro acordo em vigor na base é com o Salvador F.C., clube formador da Bahia que dá prioridade ao Timão na aquisição de atletas.

rojeção de como ficará o novo CT da base do Corinthians
A chegada ao profissional, porém, envolve muito investimento financeiro, excelência em captação e, claro, talento. Com quase 300 crianças e jovens entre 9 e 23 anos, e mão de obra qualificada na comissão técnica, o Corinthians gasta mensalmente cerca de R$ 1,2 milhão para manter a fábrica de craques em funcionamento (R$ 14 milhões anuais).
Valor que, até 2014, chegava a R$ 20 milhões (R$ 1,6 milhão/mês) – a crise financeira provocou corte de gastos e de pessoal, o que causou a saída de alguns profissionais experientes.
Gerente geral da base, Fábio Barrozo recebeu a reportagem do GloboEsporte.com no Parque São Jorge horas antes da eliminação da equipe sub-20 na Copa do Brasil da categoria, após derrota por 1 a 0 para o Coritiba.

Empolgado com outros resultados obtidos na temporada, como as conquistas da Copa São Paulo, da Taça BH e do Mundial Sub-17, o dirigente exaltou a sintonia entre base e profissional, detalhou o trabalho de lapidação e se mostrou otimista com o futuro.
Em 2016, o clube passará a utilizar o seu CT da base, em terreno anexo ao do profissional. Enquanto isso, o Corinthians procura oferecer maiores salários para atrair talentos pelo Brasil.
– Você pode seduzir um garoto a jogar no seu clube pela estrutura ou pelo salário. Hoje não temos a excelência de Cruzeiro e Atlético-MG, por exemplo, mas nossa parte financeira é muito equilibrada, apesar da crise. Conseguimos trazer os maiores destaques do Brasil – garante.
Os atacantes Claudinho, ex-Santos, e Isaac Prado, ex-Botafogo de Ribeirão Preto, e o volante Warian, o Ameixa, ex-Remo, contratados recentemente, se encaixam no perfil citado por Fábio.
A cartilha do clube aos atletas conta com aspectos comportamentais, como a proibição do uso de boné virado para trás, e também táticos.
Desde o sub-17, por exemplo, é aplicado o conceito de manutenção de posse de bola, jogo de poucos riscos, ataque com quatro a seis jogadores e rápida recuperação da posse.
Além disso, as equipes atuam em linha de quatro defensiva, com variações do 4-4-2, 4-2-3-1 e 4-1-4-1. A ordem vem de cima, espelhada no trabalho de Tite.
DOS 9 AOS 13
Existem muitas formas de chegar ao clube. A seleção para a sub-9, em parceria com o futsal, acontece por meio de uma competição interna chamada Copa Corinthians. De início, 66 garotos são escolhidos. Em 2015, foram 33 nascidos em 2006 e 33 nascidos em 2007.
Das crianças, não se cobra muita coisa além de qualidade técnica e bom comportamento. É assim também na sub-11 (nascidos em 2004 e 2005) e sub-13 (2002 e 2003), ambas com 44 garotos cada.

Garoto da equipe sub-11 em ação no Parque São Jorge: idade de desenvolvimento
Por lei, nenhum deles fica alojado. Os treinamentos acontecem no Parque São Jorge e, nas competições, é obrigatório que o técnico alterne escalações e faça duas substituições no intervalo e as restantes permitidas na segunda etapa. O objetivo é dar chance a todo o grupo.
Atrás de novos talentos, o departamento de análise e desempenho garimpa novos nomes durante campeonatos estaduais e torneios nacionais. Como todos os jogos do Corinthians são filmados desde a sub-11, há muito material disponível.
Coreano radicado no Brasil, Junseok Lee comanda a equipe de inteligência, que conta com mais cinco analistas. Uma vez identificado um atleta promissor, uma equipe com seis observadores técnicos vai a campo para monitorá-lo.
– Vamos supor que enfrentemos o Mirassol no sub-11 e aparece um menino muito bom. Não podemos trazer porque não há como alojá-lo, mas fazemos um monitoramento, procuramos o clube dele e acertamos tudo para termos um contrato posterior. Não roubamos ninguém, até porque não queremos que os pequenos morram. Precisamos deles – diz Barrozo.

Time campeão paulista sub-15 em 2013 (foto) forma a base do time sub-17 nesta temporada
O mesmo trabalho é feito com garotos mais velhos. Há mapeamentos, por exemplo, de jovens de 18 anos que atuam como titulares de suas equipes em competições nacionais profissionais, tais quais as Séries B, C e D do Brasileirão.
A PARTIR DOS 17

Após a categoria sub-15, começa o chamado alto rendimento. Campeã mundial em março com destaques como Fabrício Oya e Léo Jabá, a equipe sub-17 iniciou a temporada com 34 atletas (1998 e 1999).
Nesta idade, começam trabalhos de musculação, tração e treinamento regenerativo. Os jovens, que já assinam contrato profissional aos 16, são tratados como atletas.
– Sub-17 tem conceito profissional. Samuel, Léo Jabá e Léo Santos subiram para treinar no profissional e se mostraram adaptados. No refeitório da base antes se portavam de um jeito, mas no profissional tem de ser de outro – diz o gerente da base.
– Tivemos aqui um jogador chamado Rodinei, hoje lateral-direito da Ponte Preta, que não deu certo no clube por não se adaptar ao ambiente profissional. Deslumbrou-se, tinha muita brincadeirinha, muito risinho. E tínhamos Tite e depois Mano Menezes aqui, técnicos que gostam de seriedade. Não ficou conosco – completa Barrozo.
Aos 16 anos, Fabrício Oya assinou, em setembro, seu primeiro contrato profissional com o Timão. Desde que Roberto de Andrade assumiu a presidência do Corinthians, todos os vínculos de jovens jogadores foram feitos com 80% dos direitos econômicos garantidos para o clube e apenas 20% para jogador e/ou empresário. No caso dele e do zagueiro Léo Santos, tidos como diferenciados, o Timão teve de ceder um pouco. Ficou com 70% e cedeu 30%.
Com reuniões mensais entre base e profissional, os destaques começam a ser monitorados pela comissão técnica de Tite, sendo convocados para compor treinos e participar de partidas.

Nos últimos quatro anos, Corinthians ganhou duas Copas São Paulo e foi vice em outra
A partir do sub-20, a coisa se divide. O técnico Osmar Loss trabalha com 32 nomes (nascidos entre 1995 e 1997), a nata da categoria. Outros 44 da mesma safra seguem para o Flamengo de Guarulhos, parceiro do clube que disputa a terceira divisão paulista, mas que compete no mesmo Campeonato Sub-20 que o Timão. O empréstimo divide os jogadores, dá experiência a quem não teria oportunidade e perspectiva a todos. Alguns voltam, e outros são negociados.
– Temos vários exemplos de jogadores que retornaram ao sub-20 do Corinthians depois de passar pelo Flamengo: Tocantins (atacante), Rafael Augusto (zagueiro) e Lauder (atacante), que foi artilheiro do Paulista do ano passado. Eles seguiram fazendo parte da nossa base. Disputam Paulista Sub-20, Copa São Paulo e fazem amistosos internacionais em nome do Corinthians.
Em 2014, oito jogadores de até 20 anos foram cedidos a clubes portugueses por empréstimo. Há ainda jogadores de até 23 anos que seguem com contrato com o Timão e são usados pelo próprio Flamenguinho na disputa da Série A-3 do Paulistão. Hoje, são oito nesta condição.
A parceria com o clube de Guarulhos rende ao Corinthians um alojamento no estádio Antônio Soares de Oliveira, que comporta 60 jogadores entre 14 e 17 anos. Em 2016, o CT da base, em terreno anexo ao CT do profissional, receberá os garotos. Outro acordo em vigor na base é com o Salvador F.C., clube formador da Bahia que dá prioridade ao Timão na aquisição de atletas.

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Postado por Willian - 6396 visitas - Fonte: Globo Esporte !
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