4/9/2015 09:20
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Tecnologia para arbitragem: a conta de R$ 50 milhões que ninguém aceitou
Como a tecnologia da linha do gol foi abandonada, inclusive pela empresa responsável, que largou a aparelhagem no Maracanã após a Copa do Mundo e até hoje não foi buscar
Relógio foi utilizado pelos árbitros na Copa-2014 (Foto: Divulgação/GoalControl)
Em meio a um contexto de contestação às atuações da arbitragem na Série A do Brasileirão, a ferramenta que tiraria um pouco da responsabilidades da turma do apito - a tecnologia da linha do gol, único mecanismo autorizado pela Fifa - não entrou e nem vai entrar tão cedo em ação no Brasil por questões econômicas.
Segundo o LANCE! apurou, o projeto era colocar a aparelhagem em 30 estádios ao todo, abrangendo toda a Série A (requisito de igualdade técnica), além dos já usados na Copa. A questão é que, para isso, seria necessário um investimento de R$ 50 milhões.
Instalada nas 12 arenas utilizadas na Copa do Mundo, a aparelhagem nem sequer está mais no país - com exceção ao Maracanã, onde a empresa responsável pelo equipamento - a alemã GoalControl - parece ter esquecido câmeras, monitores, etc. Os alemães tinham representantes no Brasil até o primeiro trimestre deste ano, mas se mandaram depois de não conseguirem viabilizar a GLT (sigla, em inglês, para goal-line technology).
Como previsto, a empresa bateu primeiro nas portas da CBF, entidade que teve R$ 55 milhões de lucro em 2014 (ano com recorde de receitas por causa da Copa). Como não quis arriscar o faturamento da temporada pós-7 a 1, a entidade disse que não poderia bancar.
Os alemães, com pressa para resolver a questão, começaram uma maratona em busca de verba privada de patrocinadores para viabilizar o projeto. Em tempos de crise, não achou ninguém. A GoalControl bateu até na porta da Globo, que foi receptiva, abriu as portas para reuniões, mas também não achou interessante bancar a tecnologia da linha do gol.
Para a emissora, levando em conta somente as transmissões, a GLT não acrescentaria muita coisa. A câmera 360º, por exemplo, é muito mais interessante e consegue definir onde está a bola em todos os ângulos. A GLT é mais um quesito técnico do que atributo para a transmissão.
Outro ponto que dificultou a busca por verba é que, como a cota de patrocinadores da Globo estava fechada para 2016, o financiamento deveria vir de uma empresa que não fosse concorrente das parceiras da emissora.
A última reunião sobre o assunto aconteceu em janeiro, e a tecnologia da linha do gol virou fumaça.
E A FIFA?
Mas a Fifa não tinha dito que iria bancar a tecnologia por um ano? Isso, de certa forma, foi uma propaganda enganosa. Zurique prometeu arcar com o custo operacional da aparelhagem. Mas, segundo um especialista na GLT da GoalControl, não há custo operacional.
Antes da Copa, a Fifa alugou os equipamentos que viriam para o Brasil, mas o imposto, por exemplo, era responsabilidade da GoalControl, que assinou um documento para isso. O que a entidade poderia custear é a homologação anual que é necessária. Uma vez por ano a aparelhagem precisa receber o aval de um laboratório determinado credenciado. E há vários equipamentos e pessoal para esse processo, cujo custo é considerado elevado.
O curioso é que já que a aparelhagem não ficou no Brasil, a Fifa terá que repetir o mesmo processo de licitação para o torneio olímpico de futebol. E vai ter que gastar de novo. Como o torneio é curto, talvez a GoalControl nem entre. A Hawk-Eye é a outra concorrente.
ESQUECIDO NO MARACANÃ

O Maracanã é o único estádio que ainda conta com a aparelhagem. A suspeita é que houve um esquecimento da empresa. Segundo o LANCE! apurou, o equipamento das outras arenas está em uso na França. Mas no palco da final da Copa, até uma sala está sendo ocupada.
A administração do estádio contou, via assessoria, que "uma sala de controle climatizada, que permanece fechada desde a Copa do Mundo, em julho de 2014. O Maracanã aguarda uma definição quanto à retirada destes equipamentos do estádio, bem como o reembolso dos custos referentes à locação da sala utilizada para a guarda do equipamento e ao consumo de energia elétrica".
A GoalControl foi procurada pelo LANCE!, mas não respondeu aos questionamentos. A CBF também não respondeu.
Em meio a um contexto de contestação às atuações da arbitragem na Série A do Brasileirão, a ferramenta que tiraria um pouco da responsabilidades da turma do apito - a tecnologia da linha do gol, único mecanismo autorizado pela Fifa - não entrou e nem vai entrar tão cedo em ação no Brasil por questões econômicas.
Segundo o LANCE! apurou, o projeto era colocar a aparelhagem em 30 estádios ao todo, abrangendo toda a Série A (requisito de igualdade técnica), além dos já usados na Copa. A questão é que, para isso, seria necessário um investimento de R$ 50 milhões.
Instalada nas 12 arenas utilizadas na Copa do Mundo, a aparelhagem nem sequer está mais no país - com exceção ao Maracanã, onde a empresa responsável pelo equipamento - a alemã GoalControl - parece ter esquecido câmeras, monitores, etc. Os alemães tinham representantes no Brasil até o primeiro trimestre deste ano, mas se mandaram depois de não conseguirem viabilizar a GLT (sigla, em inglês, para goal-line technology).
Como previsto, a empresa bateu primeiro nas portas da CBF, entidade que teve R$ 55 milhões de lucro em 2014 (ano com recorde de receitas por causa da Copa). Como não quis arriscar o faturamento da temporada pós-7 a 1, a entidade disse que não poderia bancar.
Os alemães, com pressa para resolver a questão, começaram uma maratona em busca de verba privada de patrocinadores para viabilizar o projeto. Em tempos de crise, não achou ninguém. A GoalControl bateu até na porta da Globo, que foi receptiva, abriu as portas para reuniões, mas também não achou interessante bancar a tecnologia da linha do gol.
Para a emissora, levando em conta somente as transmissões, a GLT não acrescentaria muita coisa. A câmera 360º, por exemplo, é muito mais interessante e consegue definir onde está a bola em todos os ângulos. A GLT é mais um quesito técnico do que atributo para a transmissão.
Outro ponto que dificultou a busca por verba é que, como a cota de patrocinadores da Globo estava fechada para 2016, o financiamento deveria vir de uma empresa que não fosse concorrente das parceiras da emissora.
A última reunião sobre o assunto aconteceu em janeiro, e a tecnologia da linha do gol virou fumaça.
E A FIFA?
Mas a Fifa não tinha dito que iria bancar a tecnologia por um ano? Isso, de certa forma, foi uma propaganda enganosa. Zurique prometeu arcar com o custo operacional da aparelhagem. Mas, segundo um especialista na GLT da GoalControl, não há custo operacional.
Antes da Copa, a Fifa alugou os equipamentos que viriam para o Brasil, mas o imposto, por exemplo, era responsabilidade da GoalControl, que assinou um documento para isso. O que a entidade poderia custear é a homologação anual que é necessária. Uma vez por ano a aparelhagem precisa receber o aval de um laboratório determinado credenciado. E há vários equipamentos e pessoal para esse processo, cujo custo é considerado elevado.
O curioso é que já que a aparelhagem não ficou no Brasil, a Fifa terá que repetir o mesmo processo de licitação para o torneio olímpico de futebol. E vai ter que gastar de novo. Como o torneio é curto, talvez a GoalControl nem entre. A Hawk-Eye é a outra concorrente.
ESQUECIDO NO MARACANÃ

O Maracanã é o único estádio que ainda conta com a aparelhagem. A suspeita é que houve um esquecimento da empresa. Segundo o LANCE! apurou, o equipamento das outras arenas está em uso na França. Mas no palco da final da Copa, até uma sala está sendo ocupada.
A administração do estádio contou, via assessoria, que "uma sala de controle climatizada, que permanece fechada desde a Copa do Mundo, em julho de 2014. O Maracanã aguarda uma definição quanto à retirada destes equipamentos do estádio, bem como o reembolso dos custos referentes à locação da sala utilizada para a guarda do equipamento e ao consumo de energia elétrica".
A GoalControl foi procurada pelo LANCE!, mas não respondeu aos questionamentos. A CBF também não respondeu.
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Postado por Marcos - 3771 visitas - Fonte: Lancenet!
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