9/6/2015 10:20
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Memória Fiel: Zenon e Wladimir relembram momento histórico que marcou o Brasil
Atuantes na Democracia Corinthiana, ex-jogadores bateram um papo em uma mesa de bar e relembraram passagens do movimento
Nem só de política foi feita a Democracia Corinthiana, pelo contrário. O movimento, um marco cultural na história não só do Corinthians, mas do Brasil, conseguiu agregar músicos, artistas, e políticos de diferentes vertentes em torno de um grupo de jogadores de futebol. Para lutar por um país diferente, Sócrates, Casagrande, Wladimir, Zenon e companhia celebravam na bola e no batuque o melhor da nossa cultura e, em uma luta ideológica, ajudaram a nação a superar um regime que impedia o voto direto para a presidência, como membros participativos da Diretas Já.
A equipe, que foi bicampeã paulista em 1982 e 1983, chegou a estampar no uniforme a marca da Democracia, mas também mensagens de apoio às Diretas com o histórico “Dia 15 vote”, referente às eleições estaduais, vetada pela ditadura.
Para Wladimir, jogador que mais vestiu a camisa do Corinthians (805 jogos e 32 gols), a virtude daquela equipe era a ausência de grandes egos. O ex-lateral ressalta que, a cada jogo, o apoio do grupo ao elenco era irrestrito.
“O grande legado da Democracia Corinthiana para os times que vieram adiante é que ninguém queria ser mais do que ninguém. Todos nós ajudávamos. Se alguém ia mal, recebia o incentivo dos demais para melhorar no próximo jogo. Se um reserva entrava, tinha todo o respaldo dos mais experientes”, destacou.
Em um papo descontraído, numa mesa de bar, que envolveu Wladimir, Zenon e uma roda de samba, Sócrates foi diversas vezes lembrado. Como grande marca da história que o “Doutor” escreveu no Coringão, o movimento político e cultural que uniu artistas, atletas e muitos admiradores no Brasil, como cita Zenon.
“Foi uma época maravilhosa e que uniu vários segmentos, principalmente jogadores e cantores. Até hoje eles são ligados. São artistas da música e da bola. É como diz a música do Benito de Paula, 'seria muito bom se cantor e compositor pudesse ser ator ou jogador de futebol'. Caminhávamos lado a lado e, com aquela filosofia de trabalho, conseguimos atrair diversos nomes de importância", lembrou.
Em meio ao papo, saudoso e emocionado, Wladimir relembrou grandes shows, o lado artístico de Doutor Sócrates e uma histórica partida de futebol realizada na Fazendinha.
“Esse foi um momento histórico da nossa carreira, porque além de jogar futebol, a gente se divertia, vivenciava a vida política do clube. Todos os shows que pintavam em São Paulo estávamos presentes. Eu, Sócrates, Casagrande, Solito e outros. A agenda era boa, envolvia Rita Lee, Gonzaguinha... Aí um dia inventaram que o Sócrates sabia cantar. Daí ele subiu no palco e já viu”, contou em meio a uma gargalhada.
Sobre o jogo histórico, Wladimir revelou que a resenha foi muito boa após o bate bola. “Na época das Diretas, fizemos um jogo lá no Corinthians, e aí participaram Gonzaguinha, Fagner, enfim, vários artistas. Misturamos tudo, batemos bola, depois teve um churrasco, e eles deram uma palhinha para a gente, afinal ninguém é de ferro (risos). O papo sobre política também corria solto”, contou.
Para Zenon, que participava menos dos momentos festivos, mas tinha grande engajamento político, o grande destaque da Democracia Corinthiana foi tomar partido pelo país, e não por um político específico:
“A Democracia fechou com todos os políticos de uma forma geral. No palanque você tinha Lula, o Fernando Henrique, Ulysses Guimaraes, vertentes diferentes. Então não tinha partido, religião. Nós nos mobilizamos em torno disso, dentro de uma manifestação bem organizada, todos de cara limpa. Em uma oportunidade, mais de dois milhões de pessoas se reuniram no viaduto do Chá, em um acontecimento bem pacífico e organizado”, ressaltou.
O resultado da briga de toda a nação brasileira todos conhecem. Graças a essas e outras ações, atualmente, os brasileiros vão às urnas eleger presidente, deputados federais, senadores, governadores e deputados estaduais, prefeitos e vereadores.
A equipe, que foi bicampeã paulista em 1982 e 1983, chegou a estampar no uniforme a marca da Democracia, mas também mensagens de apoio às Diretas com o histórico “Dia 15 vote”, referente às eleições estaduais, vetada pela ditadura.
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Para Zenon, que participava menos dos momentos festivos, mas tinha grande engajamento político, o grande destaque da Democracia Corinthiana foi tomar partido pelo país, e não por um político específico:
“A Democracia fechou com todos os políticos de uma forma geral. No palanque você tinha Lula, o Fernando Henrique, Ulysses Guimaraes, vertentes diferentes. Então não tinha partido, religião. Nós nos mobilizamos em torno disso, dentro de uma manifestação bem organizada, todos de cara limpa. Em uma oportunidade, mais de dois milhões de pessoas se reuniram no viaduto do Chá, em um acontecimento bem pacífico e organizado”, ressaltou.
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Postado por Willian - 3345 visitas - Fonte: Agência Corinthians
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