19/3/2015 17:15
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Opinião: Valores das cotas de TV precisam ser rediscutidos
"Espanholização" pode criar um desequilíbrio entre os principais clubes brasileiros
No momento em que a sociedade brasileira se mostra ativa em manifestações e questionamentos, penso ser de suma importância um amplo debate sobre a forma de distribuição das cotas pagas pela televisão aos nossos clubes. Vejo com muita preocupação o caminho que o nosso esporte mais popular está tomando, pois um desequilíbrio de forças irá nos tirar o que temos de melhor, que é a pluralidade de times fortes, tradicionais e com grandes torcidas.
A atual forma de distribuição poderá ser um tiro no pé, imitando a famosa fábula da galinha dos ovos de ouro. Com a pressa de usufruir logo dos ovos de ouro, a galinha acabou morta pelos próprios donos por conta da ganância. A divisão de cotas é um assunto que causa controvérsia desde quando houve a ruptura do Clube dos 13, que deixou de ser uma organização que lutava pelos direitos dos clubes para se tornar um grande balcão de negócios para realização de contratos de forma individual. Se houve aumento nos valores das cotas, a tabela atual propiciou uma desigualdade que beneficia poucos em detrimento de quase todos.
Infelizmente, a lei de mercado que os clubes estão utilizando é pouco inteligente. Caso o leitor não esteja a par da fórmula atual, é importante esclarecer que, em negociação entre a TV Globo e os clubes, estes foram divididos em seis grupos. Analisando apenas as diferenças entre os doze principais clubes, na parte mais alta da pirâmide estão os dois de maior torcida, Flamengo e Corinthians, que formam o Grupo 1 e recebem R$110 milhões/ano. No Grupo 5, por exemplo, encontram-se Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo recebendo a importância de R$45 milhões. Uma diferença de R$ 65 milhões por ano me parece demasiadamente exagerada! Persistindo por uma década a diferença nos valores recebidos seria de R650 milhões. E a partir de 2016, esta diferença passará a R$110 milhões/ano. Mantendo-se o critério, clubes que hoje são considerados grandes, logo correrão o sério risco de se tornarem médios.
O ex-deputado federal e atual vice-governador de Pernambuco, o economista Raul Henry, é uma importante voz discordante da forma como a divisão de cotas é feita. Inclusive, ele é o autor do Projeto de Lei 7681/14, que visa estabelecer regras mais transparentes no que tange à distribuição das cotas pagas pela televisão. Ele também entende que essa disparidade irá interferir no equilíbrio de forças que sempre caracterizou nosso futebol. Mesmo reconhecendo que Corinthians e Flamengo têm as maiores torcidas e maior audiência que os demais, é preciso observar e copiar o que de bom é feito nas ligas inglesa e alemã. Nestes países as cotas são divididas de modo igualitário e de acordo com o desempenho esportivo dos clubes, sem permitir grandes distorções nos valores pagos.
Portanto, a chamada “espanholização” no nosso futebol, em uma referência a exorbitante diferença do que recebem Barcelona e Real Madrid e os demais no campeonato espanhol, não é o caminho mais inteligente para seguirmos. A aposta correta para termos um campeonato nacional mais vistoso e competitivo é justamente na diversidade de forças que o futebol brasileiro sempre se orgulhou de possuir. A televisão deve ser vista como um importante parceiro, mas jamais interferir na paridade de forças do futebol brasileiro.
A atual forma de distribuição poderá ser um tiro no pé, imitando a famosa fábula da galinha dos ovos de ouro. Com a pressa de usufruir logo dos ovos de ouro, a galinha acabou morta pelos próprios donos por conta da ganância. A divisão de cotas é um assunto que causa controvérsia desde quando houve a ruptura do Clube dos 13, que deixou de ser uma organização que lutava pelos direitos dos clubes para se tornar um grande balcão de negócios para realização de contratos de forma individual. Se houve aumento nos valores das cotas, a tabela atual propiciou uma desigualdade que beneficia poucos em detrimento de quase todos.
Infelizmente, a lei de mercado que os clubes estão utilizando é pouco inteligente. Caso o leitor não esteja a par da fórmula atual, é importante esclarecer que, em negociação entre a TV Globo e os clubes, estes foram divididos em seis grupos. Analisando apenas as diferenças entre os doze principais clubes, na parte mais alta da pirâmide estão os dois de maior torcida, Flamengo e Corinthians, que formam o Grupo 1 e recebem R$110 milhões/ano. No Grupo 5, por exemplo, encontram-se Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo recebendo a importância de R$45 milhões. Uma diferença de R$ 65 milhões por ano me parece demasiadamente exagerada! Persistindo por uma década a diferença nos valores recebidos seria de R650 milhões. E a partir de 2016, esta diferença passará a R$110 milhões/ano. Mantendo-se o critério, clubes que hoje são considerados grandes, logo correrão o sério risco de se tornarem médios.
O ex-deputado federal e atual vice-governador de Pernambuco, o economista Raul Henry, é uma importante voz discordante da forma como a divisão de cotas é feita. Inclusive, ele é o autor do Projeto de Lei 7681/14, que visa estabelecer regras mais transparentes no que tange à distribuição das cotas pagas pela televisão. Ele também entende que essa disparidade irá interferir no equilíbrio de forças que sempre caracterizou nosso futebol. Mesmo reconhecendo que Corinthians e Flamengo têm as maiores torcidas e maior audiência que os demais, é preciso observar e copiar o que de bom é feito nas ligas inglesa e alemã. Nestes países as cotas são divididas de modo igualitário e de acordo com o desempenho esportivo dos clubes, sem permitir grandes distorções nos valores pagos.
Portanto, a chamada “espanholização” no nosso futebol, em uma referência a exorbitante diferença do que recebem Barcelona e Real Madrid e os demais no campeonato espanhol, não é o caminho mais inteligente para seguirmos. A aposta correta para termos um campeonato nacional mais vistoso e competitivo é justamente na diversidade de forças que o futebol brasileiro sempre se orgulhou de possuir. A televisão deve ser vista como um importante parceiro, mas jamais interferir na paridade de forças do futebol brasileiro.
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Postado por Edson Alan Melo - 4440 visitas - Fonte: Lance! NET
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