31/8/2014 14:47
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"Superclássicos" recorda a Invasão Corintiana ao Maracanã em 1976
Esporte Espetacular revive episódio que marcou a semifinal do Brasileirão de 1976, quando cerca de 70 mil corintianos vieramver a classificação do Timão contra o Flu
70 mil corintianos dividiram o Maracanã com a torcida do Flu (Foto: agência Gazeta Press)
No segundo episódio da série Superclássicos, o Esporte Espetacular revive mais uma disputa épica do futebol brasileiro: A Invasão Corintiana. Em 5 de dezembro de 1976, cerca de 70 mil corintianos vieram ao Rio de Janeiro para assistir à semifinal do Brasileirão de 1976 entre Fluminense e Corinthians, que classificou o Timão para a final.
A reportagem traz depoimentos de dois ex-corintianos: o goleiro Tobias, que pegou duas cobranças na disputa de pênaltis, e o lateral-esquerdo Wladimir. Pelo lado tricolor, o ex-zagueiro e hoje comentarista Edinho comenta o encontro, além de um dos responsáveis diretos pela invasão, o ex-presidente Francisco Horta, que na ânsia de promover a partida ofertou metade da carga de ingressos para a Fiel corintiana.
A disputa foi em jogo único e com mando de campo do time carioca, por conta da melhor campanha tricolor na fase anterior. Disputada sob chuva torrencial no Maracanã, a partida terminou empatada em 1 a 1. A decisão foi para a cobrança de pênaltis e o Corinthians venceu, garantiu vaga para à Libertadores de 1977 além de um lugar na final contra o Internacional, na qual acabaria derrotado. Mas o que ninguém jamais esquecerá é a presença maciça da torcida do Corinthians no Maracanã.
Em 1976, era duro ser corintiano já que o Timão amargava 22 anos sem título desde o Paulistão de 1954. Como então enfrentar a poderosa Máquina Tricolor com astros do quilate de Carlos Alberto Torres, Edinho e principalmente o ex-corintiano Rivellino dentro do Maracanã lotado.
Vicente Matheus era o presidente do Corinthians e recebeu o mandatário tricolor Francisco Horta em São Paulo. Nascia uma das histórias mais incríveis do futebol brasileiro, conheça-a através das palavras de Horta.

Francisco Horta, ex-presidente do Fluminense (Foto: Reprodução SporTV)
- O Vicente Matheus, que foi um presidente de clube fantástico, uma lenda, me pediu 80 mil ingressos. Eu disse "Matheus, eu não posso levar 80 mil ingressos para São Paulo" Ele disse: "Eu pago, doutor Horta!". E eu fui com ele a todos os programas de rádio e televisão, nos dias que antecederam o jogo, exatamente pra tentar motivar a partida. Provoquei, dizendo: "Vocês dizem que são fiéis, que a torcida é fiel, então, provem!". O Rivellino disse: "Cuidado, presidente, não faça isso, não faça isso, porque eu conheço a torcida do Corinthians, eles vão vir..." e vieram – recorda Horta.

Vicente Matheus foi o presidente do Corinthians que negociou os ingressos com Horta (Foto: agência Gazeta Press)
O lateral Wladimir lembra bem a impressão que teve quando subiu as escadas do vestiário do Maracanã e contemplou as 146.143 pessoas que encheram o Maracanã, aproximadamente metade delas torcedores alvinegros. Eles vieram de avião, ônibus, carros particulares, de carona e pintaram as ruas cariocas de preto e branco.
- Quando a gente entra em campo, no Maracanã, eu falei: "gente, nós dividimos o maraca!" Olha, eu conto e as pessoas não acreditam, mas estava meio a meio – lembrou Wladimir.
Para recriar a partida, o Esporte Espetacular usou uma mesa de botão para mostrar a disposição tática das duas equipes. Edinho e Wladimir vibraram lembrando seus tempos de botonistas e escalaram as duas equipes para a partida em que o Flu abriu o placar com Carlos Alberto Pintinho aos 18 minutos do primeiro tempo.
- Pintinho iniciou a jogada no meio, o Zé Eduardo cortou e o Moisés rebateu essa bola e a bola foi para o Gil, na direita, sozinho. Pegou e cruzou. Quando ele cruzou, o Pintinho antecipou o Zé Eduardo, que era o zagueiro do Corinthians e, num toque sutil, de categoria, fez o gol – explica Edinho.
Aos 29 minutos da primeira etapa, o Timão empatou num gol acrobático do falecido meio-campista Ruço. A chuva, que já incomodava, aumentou muito no intervalo. Um verdadeiro temporal.
- Foi um dilúvio que encharcou tudo, o campo ficou com poça d'água e o Fluminense não conseguiu jogar. O Flu era um time muito mais leve – explica Edinho.

Tobias após a partida vibrando com a classificação (Foto: Reprodução Internet)
Com o jogo amarrado, o empate se manteve na prorrogação e vieram os pênaltis, quando brilhou a estrela do goleiro alvinegro Tobias.
- O Tobias era um goleiraço, a gente tinha um confiança tremenda, sempre teve confiança nele – explica Wladimir.
Na primeira cobrança tricolor, o lateral esquerdo Rodrigues Neto bateu e Tobias defendeu. O juiz anulou a cobrança alegando saída de gol de Tobias. Rodrigues Neto bateu de novo e mostrou que aquele era um dia alvinegro, como lembra o próprio Tobias.
- O Rodrigues Neto foi o primeiro a bater. Eu tinha que escolher um canto, né? Aí, mandou voltar, cara... Aí, ele voltou, bateu e eu peguei novamente. Na segunda cobrança o Carlos Alberto bateu e eu peguei. Aí, já caiu uns dez no fosso, o cara já foi pra UTI (risos) – brinca ele.
À essa altura Neca, Ruço e Moisés já haviam convertido suas penalidades e aberto 3 a 0 para o Timão. Doval diminui para o tricolor, mas Zé Maria fez o quarto e classificou o Corinthians. Uma festa paulistana no Maracanã. Depois o Corinthians acabou derrotado pelo Internacional mas sairia da fila no ano seguinte ao conquistar o Paulistão de 1977.
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A disputa foi em jogo único e com mando de campo do time carioca, por conta da melhor campanha tricolor na fase anterior. Disputada sob chuva torrencial no Maracanã, a partida terminou empatada em 1 a 1. A decisão foi para a cobrança de pênaltis e o Corinthians venceu, garantiu vaga para à Libertadores de 1977 além de um lugar na final contra o Internacional, na qual acabaria derrotado. Mas o que ninguém jamais esquecerá é a presença maciça da torcida do Corinthians no Maracanã.
Em 1976, era duro ser corintiano já que o Timão amargava 22 anos sem título desde o Paulistão de 1954. Como então enfrentar a poderosa Máquina Tricolor com astros do quilate de Carlos Alberto Torres, Edinho e principalmente o ex-corintiano Rivellino dentro do Maracanã lotado.
Vicente Matheus era o presidente do Corinthians e recebeu o mandatário tricolor Francisco Horta em São Paulo. Nascia uma das histórias mais incríveis do futebol brasileiro, conheça-a através das palavras de Horta.

Francisco Horta, ex-presidente do Fluminense (Foto: Reprodução SporTV)
- O Vicente Matheus, que foi um presidente de clube fantástico, uma lenda, me pediu 80 mil ingressos. Eu disse "Matheus, eu não posso levar 80 mil ingressos para São Paulo" Ele disse: "Eu pago, doutor Horta!". E eu fui com ele a todos os programas de rádio e televisão, nos dias que antecederam o jogo, exatamente pra tentar motivar a partida. Provoquei, dizendo: "Vocês dizem que são fiéis, que a torcida é fiel, então, provem!". O Rivellino disse: "Cuidado, presidente, não faça isso, não faça isso, porque eu conheço a torcida do Corinthians, eles vão vir..." e vieram – recorda Horta.

Vicente Matheus foi o presidente do Corinthians que negociou os ingressos com Horta (Foto: agência Gazeta Press)
O lateral Wladimir lembra bem a impressão que teve quando subiu as escadas do vestiário do Maracanã e contemplou as 146.143 pessoas que encheram o Maracanã, aproximadamente metade delas torcedores alvinegros. Eles vieram de avião, ônibus, carros particulares, de carona e pintaram as ruas cariocas de preto e branco.
- Quando a gente entra em campo, no Maracanã, eu falei: "gente, nós dividimos o maraca!" Olha, eu conto e as pessoas não acreditam, mas estava meio a meio – lembrou Wladimir.
Para recriar a partida, o Esporte Espetacular usou uma mesa de botão para mostrar a disposição tática das duas equipes. Edinho e Wladimir vibraram lembrando seus tempos de botonistas e escalaram as duas equipes para a partida em que o Flu abriu o placar com Carlos Alberto Pintinho aos 18 minutos do primeiro tempo.
- Pintinho iniciou a jogada no meio, o Zé Eduardo cortou e o Moisés rebateu essa bola e a bola foi para o Gil, na direita, sozinho. Pegou e cruzou. Quando ele cruzou, o Pintinho antecipou o Zé Eduardo, que era o zagueiro do Corinthians e, num toque sutil, de categoria, fez o gol – explica Edinho.
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- Foi um dilúvio que encharcou tudo, o campo ficou com poça d'água e o Fluminense não conseguiu jogar. O Flu era um time muito mais leve – explica Edinho.

Tobias após a partida vibrando com a classificação (Foto: Reprodução Internet)
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- O Tobias era um goleiraço, a gente tinha um confiança tremenda, sempre teve confiança nele – explica Wladimir.
Na primeira cobrança tricolor, o lateral esquerdo Rodrigues Neto bateu e Tobias defendeu. O juiz anulou a cobrança alegando saída de gol de Tobias. Rodrigues Neto bateu de novo e mostrou que aquele era um dia alvinegro, como lembra o próprio Tobias.
- O Rodrigues Neto foi o primeiro a bater. Eu tinha que escolher um canto, né? Aí, mandou voltar, cara... Aí, ele voltou, bateu e eu peguei novamente. Na segunda cobrança o Carlos Alberto bateu e eu peguei. Aí, já caiu uns dez no fosso, o cara já foi pra UTI (risos) – brinca ele.
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Postado por Jonatas Lopes de Oliveira - 5532 visitas - Fonte: Globo Esporte
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