O torcedor do Corinthians termina 2024 sem títulos, mas com muitos motivos para se orgulhar de sua equipe. Depois de preencher praticamente todo o gabarito do rebaixamento, com uma série de trapalhadas dentro e fora de campo, o clube protagonizou uma reação histórica, que será lembrada por muito tempo por sua gente. Reconhecer a importância dessa remontada não é se contentar com pouco, nem subestimar a capacidade corintiana, mas valorizar um feito que muitos desacreditavam e que só reforça a grandeza o clube. Para quem não acompanha o Corinthians tão de perto talvez seja difícil entender como aquele time que passou mais da metade do Brasileirão na zona de rebaixamento chegou na última rodada já classificado para a Libertadores de 2025 e ainda fechou a temporada com uma imponente vitória de 3 a 0 sobre o Grêmio, fora de casa.
A arrancada, que culminou na sequência de nove vitórias seguidas no Brasileirão, foi impulsionada por um tripé decisivo: Torcida, Técnico e Transferências. Mesmo nos momentos mais delicados, como derrotas em clássicos, tropeços em casa e eliminações nas competições por mata-mata, a Fiel não "soltou a mão" do time. O Corinthians teve uma média de mais de 42 mil pagantes em seus jogos em casa e contou com o apoio e paciência de seus torcedores quando mais precisou. Ramón Díaz assumiu um time em crise não apenas esportiva, mas também política e administrativa, e um elenco com autoestima baixa, que perdeu lideranças importantes, como Cássio e Paulinho; a atuação da diretoria alvinegra na janela de meio de ano foi fundamental para agregar qualidade e experiência ao grupo, com a chegada de jogadores como Hugo Souza, André Ramalho, André Carrillo e Memphis Depay, entre outros.
Se 2023 acabou com muitas dúvidas e temores em relação ao futuro do Corinthians , agora o cenário é outro, de muito mais otimismo. Porém, a experiência deste ano deixa importantes lições para o ano que vem e os próximos. Como ficou evidente na primeira metade desta temporada, gastar dinheiro indiscriminadamente em contratações não é a solução dos problemas. Pelo contrário, pode agravar dificuldades já existentes e trazer outras novas. Mesmo com uma dívida altíssima, na casa de R$ 2 bilhões, o Corinthians investiu mais de R$ 130 milhões em reforços no começo do ano e nem assim conseguiu formar um time.



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