A terceira passagem de Mano Menezes como treinador do Corinthians está se iniciando bem na reta final da temporada 2023, com o objetivo principal de exorcizar o fantasma do rebaixamento para a série B. É triste falar em recomeço nessa altura da temporada, mas isso é somente o reflexo de como a cultura resultadista norteia os trabalhos das equipes no futebol brasileiro.
Após a saída de Vítor Pereira, no final de 2022, o Timão passou a apresentar desempenhos irregulares, que perpetuaram nas primeiras rodadas do Brasileirão, apesar das trocas de técnicos que ocorreram. Com Vanderlei Luxemburgo vieram alguns bons resultados, porém a performance continuou irregular.
No geral, o trabalho de Luxemburgo pode ser considerado bom, mas insuficiente diante do que é exigido para competir com as grandes equipes nacionais. Com Luxa o time se tornou mais organizado defensivamente e passou a sofrer menor quantidade de gols, mas coletivamente continuou deficitário, devido à falta de criatividade, que é crônica no clube.
A utilização de jovens talentos da base foi outro ponto forte da gestão do técnico, que tornou a equipe mais promissora, uma vez que não foram feitas reposições após transferências de atletas importantes, como Roger Guedes. A vitalidade, também, foi renovada com a utilização de jovens como Wesley, Gabriel Moscardo, Guilherme Biro e Felipe Augusto, entre outros. O elenco corintiano até possui peças qualificadas, porém devido à idade dos atletas, mostra menor vigor físico.
A chegada do meio-campista Matías Rojas, que visava suprir a dependência de Renato Augusto, não atingiu o objetivo de forma completa, uma vez que o atleta se lesionou precocemente e não houve tempo hábil para sua perfeita adequação ao esquema proposto.
O peso da camisa corintiana e a tradição do clube não estão sendo suficientes para tornar o time competitivo no cenário nacional, uma vez que não está alinhado tática e tecnicamente. Mesmo frente à equipes emergentes, o Timão não está conseguindo ser minimamente organizado.
Apesar da visão otimista que Vanderlei Luxemburgo mostrava em suas análises, acredito que foram de vital importância para a troca de comando técnico, a proximidade da equipe da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e a baixa performance apresentada nas competições paralelas, exigindo participação exacerbada do goleiro Cássio.
Particularmente, sempre tive resistência ao nome de Vanderlei Luxemburgo no Corinthians, pois mesmo sendo experiente e renomado no cenário nacional, se mostra arredio à inovações. Diferentemente, Mano Menezes tem filosofia mais alinhada aos conceitos do futebol moderno e provavelmente usará a deficiência crônica do time corintiano à seu favor.
Acredito que Mano Menezes não trará ruptura drástica aos conceitos utilizados no Corinthians atualmente, pois as filosofias de Luxemburgo e de Mano partem do mesmo princípio de tentar estabilizar a equipe defensivamente. Porém, os times idealizados por Mano são menos reativos e buscam se organizar de forma mais aproximada, com a valorização da construção de jogadas com a bola no chão e sem abuso de ligações diretas entre os setores.
O processo de adaptação tende a ser minimizado, uma vez que Mano conhece, de gestões anteriores, a dinâmica do clube e boa parte do elenco. À seu favor, também está o calendário de jogos, que prevê a paralisação das disputas rotineiras, para a realização de jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo 2026, o que significa maior tempo para a treinamentos e reestruturação da equipe.
Porém, antes desse recesso, o Corinthians tem pela frente dois jogos complicados. Pela Sul-Americana enfrenta o Fortaleza, fora de casa, no confronto que define um dos finalistas da competição. Pelo Brasileirão encara o Flamengo, em casa.
Assim, só veremos o Corinthians com traços do DNA de equipe comandada por Mano Menezes depois da realização da Data FIFA, em meados de outubro/23. Acredito que o objetivo principal será se manter na elite do futebol nacional, para a disputa do Brasileirão 2024, preservando a tradição e a saúde financeira do clube.



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