4/12/2021 15:30
VEJA TAMBÉM
- Gesto de Neymar gera caos na Arena e expõe fragilidade da segurança em clássicos paulista
- 250 MILHÕES IRREGULARES? Investigação pode revelar irregularidade astronômica na Arena Corinthians
- ADEUS DO CRAQUE? Pressão do Besiktas por Bidon acelera negociações e joia pode dar adeus
Notícias mais lidas
A favela venceu: Du Queiroz superou dispensa, dias sem almoço e lutou por chance no Corinthians
Meio-campista começou o ano encostado no sub-23, mas hoje é titular entre estrelas; pai conta como família encarou dificuldades para garoto chegar ao profissional
A favela venceu quando Du Queiroz foi eleito o "Craque do Jogo" na vitória por 1 a 0 diante do Athletico-PR, no último domingo. Titular do Corinthians nos últimos três jogos, o meio-campista de 21 anos fez questão de valorizar suas origens no momento mais especial de sua ainda curta carreira.
– Para nós, que somos nascidos e criados na comunidade, é difícil chegar até aqui. É difícil para um favelado chegar até aqui. Não tenho nem palavras para descrever o que é isso – declarou o atleta.
Du cresceu na zona oeste de São Paulo, no Butantã, numa comunidade chamada bairro BNH. Pai do jogador, Paulo Queiroz, de 40 anos, é motoboy e conta que o jovem teve uma infância difícil por conta da pouca idade que ele e a esposa, Tatiane dos Santos, tinham em 2000, quando ele nasceu.
– Minha esposa ficou grávida aos 16 anos, e eu tinha 17. Ela morava num barraco na Favela do Sapé e não tinha como a gente morar lá, era muito pequeno. Minha mãe nos acolheu na casa dela. Num quartinho dormia eu, minha esposa, o Du, minha mãe e mais um primo. Quando ela engravidou, teve que largar os estudos e eu também. Quando Du nasceu, eu tinha 18 anos – relembra o pai.
– Não tínhamos estudo e nem suporte para arranjar emprego. Fiz vários bicos para comprar fralda e mantimentos. Quando consegui comprar uma moto, virei motoboy. Depois, ela trabalhou como caixa de supermercado, em posto de gasolina... – disse ele, que mantém o emprego.
Du aos poucos foi se destacando no futsal. Aos sete anos, ganhou uma bolsa para jogar na escolinha de futebol do São Paulo. Na época, fez vários testes para a base, avançava de fase, mas era sempre recusado. Levado para jogar na Liga de Futsal de Osasco, foi ganhando destaque.
– No salão, ele jogava como pivô ou ala. Era o matador do time. Dava caneta, elástico, fazia muitos gols pelo Pacífico. Na época, o Antony (hoje no Ajax, da Holanda), chamava a atenção no Velozinho. Os dois jogavam muito bonito, eram sensação no campeonato – recordou-se o pai orgulhoso.
O garoto chegou ao CFA de Cotia aos oito anos, em 2008. Lá ficou até os 13 anos, quando o telefone tocou e interrompeu um sonho que parecia promissor.
– Ele chegou no São Paulo como atacante, virou meia, virou volante e depois lateral-direito. Aos 13 anos, a gente sabia como funcionava: se o São Paulo não ligasse nas férias, era para se reapresentar. Se ligasse, ele seria dispensado. O Geraldo de Oliveira (ex-gerente da base do São Paulo, já falecido) ligou e explicou que ele não tinha atingido as metas. E assim ele saiu do São Paulo – contou.
Du disputou um Paulista Sub-13 pelo ECO (Esporte Clube Osasco) até ter uma chance de fazer um teste no Corinthians, ainda como atacante. Aprovado, teve de encarar um novo desafio: o deslocamento da Zona Oeste para a Leste.
– Nosso sonho era vê-lo jogar no Corinthians, nossa família é corintiana roxa, e pelo estilo aguerrido dele sabíamos que daria certo. Mas era muito longe. Ir da Zona Oeste para a Zona Leste era complicado, o treino era à tarde, a gente trabalhava, não tinha como levar e buscar. Aos 13 anos, ele teve que aprender a pegar metrô sozinho, fazer baldeação e chegar no Parque São Jorge. Como saía da escola direto, muitos dias ele nem almoçava antes do treino, que era às 13h. Não era fácil.
Campeão paulista sub-13 com Vitinho, Du foi mudando de posição, passando a jogar como volante e, no sub-15, de lateral-direito. Fez uma boa Copa São Paulo em 2018, com o técnico Eduardo Barroca, como primeiro volante. No fim do sub-20, achou que subiria ao profissional, mas ficou no sub-23.
– Ele ficou triste. A intenção era já chegar no profissional junto com os outros garotos, mas não deixou a peteca cair, trabalhou e deu a vida por uma oportunidade. Danilo (técnico) e Alex (ex-coordenador e hoje auxiliar de Sylvinho) viram qualidade nele e a chance veio. Ele estava buscando isso – disse Paulo, que hoje é pai também de duas meninas, uma de 14 e uma de 1 ano e oito meses.
Aos 21 anos, Du Queiroz segue morando no mesmo local da infância. O terreno da avó hoje abriga várias casas da mesma família. Emocionados, todos choram pela vitória do menino da favela.
– Vários moleques bons conhecidos nossos, que jogavam junto com o Du e que iam nos campos de comunidade, não tiveram a mesma oportunidade e sorte que ele, escolheram outro caminho, o mundo do crime, o mundo da droga, do tráfico, um mundo que eles pensam que é o mais fácil para ter alguma coisa. Graças a Deus fui blindando ele sobre essas questões do dia a dia da periferia, da nossa comunidade. Muitos amigos que a gente conhecia hoje nem estão mais no nosso convívio, ou estão atrás das grades ou estão até mortos. Graças a Deus, ao empenho dele e aos conselhos do pai e da mãe, ele não virou mais uma estatística para o Governo.
Desde que estreou, Du fez 13 partidas pelo Timão na temporada. Neste ano, renovou o seu contrato até o fim de 2024.
– Para nós, que somos nascidos e criados na comunidade, é difícil chegar até aqui. É difícil para um favelado chegar até aqui. Não tenho nem palavras para descrever o que é isso – declarou o atleta.
Du cresceu na zona oeste de São Paulo, no Butantã, numa comunidade chamada bairro BNH. Pai do jogador, Paulo Queiroz, de 40 anos, é motoboy e conta que o jovem teve uma infância difícil por conta da pouca idade que ele e a esposa, Tatiane dos Santos, tinham em 2000, quando ele nasceu.
– Minha esposa ficou grávida aos 16 anos, e eu tinha 17. Ela morava num barraco na Favela do Sapé e não tinha como a gente morar lá, era muito pequeno. Minha mãe nos acolheu na casa dela. Num quartinho dormia eu, minha esposa, o Du, minha mãe e mais um primo. Quando ela engravidou, teve que largar os estudos e eu também. Quando Du nasceu, eu tinha 18 anos – relembra o pai.
– Não tínhamos estudo e nem suporte para arranjar emprego. Fiz vários bicos para comprar fralda e mantimentos. Quando consegui comprar uma moto, virei motoboy. Depois, ela trabalhou como caixa de supermercado, em posto de gasolina... – disse ele, que mantém o emprego.
Du aos poucos foi se destacando no futsal. Aos sete anos, ganhou uma bolsa para jogar na escolinha de futebol do São Paulo. Na época, fez vários testes para a base, avançava de fase, mas era sempre recusado. Levado para jogar na Liga de Futsal de Osasco, foi ganhando destaque.
– No salão, ele jogava como pivô ou ala. Era o matador do time. Dava caneta, elástico, fazia muitos gols pelo Pacífico. Na época, o Antony (hoje no Ajax, da Holanda), chamava a atenção no Velozinho. Os dois jogavam muito bonito, eram sensação no campeonato – recordou-se o pai orgulhoso.
O garoto chegou ao CFA de Cotia aos oito anos, em 2008. Lá ficou até os 13 anos, quando o telefone tocou e interrompeu um sonho que parecia promissor.
– Ele chegou no São Paulo como atacante, virou meia, virou volante e depois lateral-direito. Aos 13 anos, a gente sabia como funcionava: se o São Paulo não ligasse nas férias, era para se reapresentar. Se ligasse, ele seria dispensado. O Geraldo de Oliveira (ex-gerente da base do São Paulo, já falecido) ligou e explicou que ele não tinha atingido as metas. E assim ele saiu do São Paulo – contou.
Du disputou um Paulista Sub-13 pelo ECO (Esporte Clube Osasco) até ter uma chance de fazer um teste no Corinthians, ainda como atacante. Aprovado, teve de encarar um novo desafio: o deslocamento da Zona Oeste para a Leste.
– Nosso sonho era vê-lo jogar no Corinthians, nossa família é corintiana roxa, e pelo estilo aguerrido dele sabíamos que daria certo. Mas era muito longe. Ir da Zona Oeste para a Zona Leste era complicado, o treino era à tarde, a gente trabalhava, não tinha como levar e buscar. Aos 13 anos, ele teve que aprender a pegar metrô sozinho, fazer baldeação e chegar no Parque São Jorge. Como saía da escola direto, muitos dias ele nem almoçava antes do treino, que era às 13h. Não era fácil.
Campeão paulista sub-13 com Vitinho, Du foi mudando de posição, passando a jogar como volante e, no sub-15, de lateral-direito. Fez uma boa Copa São Paulo em 2018, com o técnico Eduardo Barroca, como primeiro volante. No fim do sub-20, achou que subiria ao profissional, mas ficou no sub-23.
– Ele ficou triste. A intenção era já chegar no profissional junto com os outros garotos, mas não deixou a peteca cair, trabalhou e deu a vida por uma oportunidade. Danilo (técnico) e Alex (ex-coordenador e hoje auxiliar de Sylvinho) viram qualidade nele e a chance veio. Ele estava buscando isso – disse Paulo, que hoje é pai também de duas meninas, uma de 14 e uma de 1 ano e oito meses.
Aos 21 anos, Du Queiroz segue morando no mesmo local da infância. O terreno da avó hoje abriga várias casas da mesma família. Emocionados, todos choram pela vitória do menino da favela.
– Vários moleques bons conhecidos nossos, que jogavam junto com o Du e que iam nos campos de comunidade, não tiveram a mesma oportunidade e sorte que ele, escolheram outro caminho, o mundo do crime, o mundo da droga, do tráfico, um mundo que eles pensam que é o mais fácil para ter alguma coisa. Graças a Deus fui blindando ele sobre essas questões do dia a dia da periferia, da nossa comunidade. Muitos amigos que a gente conhecia hoje nem estão mais no nosso convívio, ou estão atrás das grades ou estão até mortos. Graças a Deus, ao empenho dele e aos conselhos do pai e da mãe, ele não virou mais uma estatística para o Governo.
Desde que estreou, Du fez 13 partidas pelo Timão na temporada. Neste ano, renovou o seu contrato até o fim de 2024.
VEJA TAMBÉM
- Gesto de Neymar gera caos na Arena e expõe fragilidade da segurança em clássicos paulista
- 250 MILHÕES IRREGULARES? Investigação pode revelar irregularidade astronômica na Arena Corinthians
- ADEUS DO CRAQUE? Pressão do Besiktas por Bidon acelera negociações e joia pode dar adeus
Postado por Henrique Monteiro Cesaretti - 5775 visitas - Fonte: Globoesporte.com
Mais notícias do Corinthians
Notícias de contratações do TimãoNotícias mais lidas
Últimas notícias
-
2/9/2026
- 20:48: Corinthians intensifica treinos de finalização e mira vitória crucial contra a Chapecoense (0)
- 20:08: Gesto de Neymar gera caos na Arena e expõe fragilidade da segurança em clássicos paulista (0)
- 18:28: 250 MILHÕES IRREGULARES? Investigação pode revelar irregularidade astronômica na Arena Corinthians (0)
- 17:48: ADEUS DO CRAQUE? Pressão do Besiktas por Bidon acelera negociações e joia pode dar adeus (0)
- 17:08: Breno Bidon na mira do Besiktas: proposta entre 18 e 20 milhões de euros pode selar transferência (0)
- 16:49: SAÍDA DE JOVEM? Corinthians responde proposta francesa por Gui Negão: possível adeus? (0)
- 15:09: BOMBA: Corinthians pode vender Breno Bidon para clube europeu (0)
- 15:09: ELE FICA! Corinthians recusa propostas europeias por Gui Negão (0)
- 14:09: DE SAÍDA? André Ramalho perde espaço e pode se despedir no fim do ano (0)
- 11:09: VERGONHOSO: Osmar Stabile troca farpas com comentaristas e comete gafe (0)
- 11:09: LEMBRA DELE? Ex-Corinthians vive luta contra as drogas após aposentadoria (0)
- 10:28: SAF NO TIMÃO? Entenda o estágio das negociações com a SAFIEL (0)
- 09:44: ESCÂNDALO INTERNO: Promotor revela que Neo Química Arena pode estar 100% quitada (0)
- 08:09: SEM VERBA NO ORÇAMENTO! Corinthians mantém departamento que deveria ser encerrado (0)
- 08:09: FRAUDE NA ARENA? Corinthians identifica 2,2 mil cadastros suspeitos e bloqueia ingressos (0)
- 06:09: AS BRABAS PERDERAM A PACIÊNCIA? Elenco cobra diretoria por direitos de imagem (0)
- 04:09: VALEU A PENA RECUSAR? Empresário critica Corinthians após propostas menores por André (0)
- 00:28: Erros mais comuns de quem está começando a apostar em esportes (0)



REFORÇOS DE PESO! Corinthians acerta com dois atletas e aguarda fim do transfer ban para anunciar
LEMBRA DELE? Ex-Corinthians vive luta contra as drogas após aposentadoria
Time Europeu anuncia contratação por empréstimo de atacante do Corinthians
Dívida da Arena faz Corinthians enfrentar dificuldades financeiras até 2041 em mais de R$ 1 bilhão
BOMBA: Osmar Stabile estuda manobra política para concorrer a presidência do Corinthians
PRIORIDADE DEFINIDA! Corinthians coloca salários à frente de R$ 21,5 milhões do transfer ban
"Vamos acertar as contas", admite Osmar Stabile em reunião com elenco feminino
SAFiel aceita condição de Stabile e promete proposta de quitação da Arena
REVOLTANTE! Hostilização de garoto com camisa de Neymar gera repúdio da Gaviões da Fiel
ESCÂNDALO INTERNO: Promotor revela que Neo Química Arena pode estar 100% quitada
Nao tenho palavras para enaltecer este garoto, ser craque de futebol ja e difícil ser craque na vida, num paus onde arrecadam mais de 60 pir cento de impostos em todos os setores e nao dão o minimo de valor ao cidadão honesto e de bem. Vencer jogando com a vida honestamente erealmente ser. CRAQUE parabens DU DU QUEIROZ você é o fenomeno
Eu sei muito bem, o que você passou Du. Mas infelizmente, eu era muito caçado em campo. Acabaram com o meu joelho. Fiquei extremamente feliz, ao ouvir a sua história, educação familiar e seu empenho Garoto. Ainda bem que os bambis não te deram valor, porquê hoje você está vestindo o manto do nosso TIMÃO!!!! PARABÉNS DU QUEIROZ E VAI CORINTHIANS!!!!!!!
Deus é maravilhoso nas nossas vidas vai Corinthians é nós nação corintianas tamos juntos sempre
Parabéns muleque vc merece tudo de bom na sua vida guerreiro fico muito feliz quando vejo o ser humano conquistar o que vc conquistou e ainda pode conquistar.