18/6/2020 10:18
VEJA TAMBÉM
- Gesto de Neymar gera caos na Arena e expõe fragilidade da segurança em clássicos paulista
- 250 MILHÕES IRREGULARES? Investigação pode revelar irregularidade astronômica na Arena Corinthians
- ADEUS DO CRAQUE? Pressão do Besiktas por Bidon acelera negociações e joia pode dar adeus
Notícias mais lidas
Atletas se manifestam contra volta do futebol. Eles são obrigados a jogar?
Jogadores do Fluminense divulgaram nesta quarta (17), pelas redes sociais, um manifesto onde declaram serem contra o retorno do Campeonato Carioca. O meia Honda, do Botafogo, também usou as redes para se posicionar contra a volta anunciada. Em um momento em que a pandemia mata mais de mil brasileiros por dia, um atleta pode ser obrigado a voltar a trabalhar?
Depende. Prometo sair do muro em dois parágrafos.
Para que se volte ao futebol é fundamental entender que é preciso autorização do poder público (autoridades sanitárias e governo do Estado), um acordo de atletas, jogadores e clubes; e um protocolo de segurança das autoridades esportivas. Existindo esses elementos que garantam uma segurança ao atleta, o recomendável é que ele volte a treinar.
Agora, se o atleta se sentir inseguro, os protocolos não forem claros, autoridades de saúde indicarem a necessidade de manter o isolamento, ou houver risco claro a saúde dele, ele tem respaldo jurídico para não voltar a trabalhar.
Pronto. Agora, mais detalhes.
A Constituição Federal, no art. 7º, XXII, prevê como direito do trabalhador a "redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança". Além disso, a legislação é transparente ao determinar que o empregador (clube) é responsável pela saúde e integridade de seus empregados (atletas). Isso está previsto também na Lei Pelé e na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
As entidades esportivas estão se preparando para voltar, com autorização de alguns estados e municípios.
Nesse momento de crise, em que a saúde de todos precisa ser prioridade, mas que a atividade econômica também é importante, o diálogo ainda é a melhor saída.
Se as entidades esportivas encontrarem caminhos seguros, com protocolos autorizados por órgãos de saúde, apresentando medidas claras de proteção, o atleta tem um caminho mais tranquilo para voltar a trabalhar.
E, nessa hora, além de buscar e definir caminhos seguros, é importante esclarecer e apresentar essa segurança aos atletas, de maneira clara e eficiente. Isso funciona muito mais do que qualquer ameaça. No Rio de Janeiro, os atletas ficaram de fora das discussões sobre o retorno do futebol, Assim como tem sido costuma nas principais discussões sobre o esporte.
A manifestação coletiva e espontânea dos atletas do Fluminense mostra um posicionamento raro no esporte, a defesa coletiva de causas plurais. Unido, o movimento ganha muita força.
Na carta, os integrantes do grupo do Fluminense ressaltam que, por serem atletas de alto rendimento, "precisam também do tempo adequado para a preparação". O meio-campo Honda, do Botafogo, também se manifestou contra a volta do futebol no Rio através das redes sociais.
"Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 34.918 novos casos de coronavírus e outras 1.282 mortes foram confirmadas. Estou louco em querer saber uma razão lógica sobre por que recomeçaremos o campeonato?", escreveu o jogador japonês.
No documento elaborado pelos atletas do Fluminense, está escrito que o elenco tricolor que "não se sente confortável" em voltar a campo neste momento e que é para o futebol retornar "em um momento oportuno".
O meio-campo Honda, do Botafogo, também se manifestou contra a volta do futebol no Rio através das redes sociais. "Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 34.918 novos casos de coronavírus e outras 1.282 mortes foram confirmadas. Estou louco em querer saber uma razão lógica sobre por que recomeçaremos o campeonato?", escreveu o jogador japonês.
Os jogadores de futebol que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro estão divididos em relação à volta do futebol, com 55% favoráveis à retomada, e 45% contrários. Os números são parte do resultado de uma pesquisa realizada pela pela consultoria Esporte Executivo com 734 atletas de todos os estados e divisões do futebol brasileiro. O índice de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 4%.
Em maio, eu pedi a opinião de outros três advogados especializados em direito esportivo e trabalhista sobre a questão. Vale a pena reproduzir de novo o que cada um pensa sobre essa questão.
Wladimyr Camargos: "Dando segurança aos atletas, com autorização das autoridades de saúde, e consenso entre jogadores, clubes, entidades esportivas e sindicatos, penso que o jogador estaria seguro para retomar nos aspectos de saúde, trabalho e de prática desportiva. Caso contrário, podem se negar a retornar, visto que não haveria segurança".
Lucas Zandonardi: "Cabe ao clube a realização de treinos e eventos desportivos de forma compatível aos ordenamentos governamentais, obedecendo as quarentenas impostas, bem como as regras necessárias para salvaguardar a saúde dos atletas. Em havendo o descumprimento de tais orientações, obrigando a participação do atleta, expondo este a risco extremo, estaria infringindo o direito constitucional do empregado, havendo inclusive previsão legal para rescisão contratual, conforme artigo 483, C, da CLT".
Theotônio Chermont: "Entendo que os clubes (responsáveis) têm que exigir o máximo rigor das autoridades de saúde e de administração do desporto no tocante aos procedimentos de retorno para evitar prejuízos na saúde dos envolvidos (contágio e consequências). Afinal, o clube será o responsável no final das contas caso os envolvidos sejam prejudicados. Vejo como responsabilidade objetiva por duplo motivo - futebol é considerado pela doutrina e jurisprudência como atividade de risco, e agora há o agravante da possibilidade de contágio pelo contato inevitável Caso o esporte seja liberado pelas referidas autoridades, os atletas terão que cumprir com suas obrigações e entrar em campo, ainda que receosos. Inclusive, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que é possível caracterizar a Covid-19 como doença profissional, sem que os trabalhadores tenham que comprovar que a doença tenha ligação com o trabalho. E daí há outros reflexos e consequências. É um tema novo, sem precedentes. Particularmente, considerando o aumento de casos, não vejo como viável inventarem um método que nunca será completamente eficaz. Não há sequer clima para isso."
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal
Pandemia, Jogadores, Futebol, Retorno, Manifestação
Depende. Prometo sair do muro em dois parágrafos.
Para que se volte ao futebol é fundamental entender que é preciso autorização do poder público (autoridades sanitárias e governo do Estado), um acordo de atletas, jogadores e clubes; e um protocolo de segurança das autoridades esportivas. Existindo esses elementos que garantam uma segurança ao atleta, o recomendável é que ele volte a treinar.
Agora, se o atleta se sentir inseguro, os protocolos não forem claros, autoridades de saúde indicarem a necessidade de manter o isolamento, ou houver risco claro a saúde dele, ele tem respaldo jurídico para não voltar a trabalhar.
Pronto. Agora, mais detalhes.
A Constituição Federal, no art. 7º, XXII, prevê como direito do trabalhador a "redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança". Além disso, a legislação é transparente ao determinar que o empregador (clube) é responsável pela saúde e integridade de seus empregados (atletas). Isso está previsto também na Lei Pelé e na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
As entidades esportivas estão se preparando para voltar, com autorização de alguns estados e municípios.
Nesse momento de crise, em que a saúde de todos precisa ser prioridade, mas que a atividade econômica também é importante, o diálogo ainda é a melhor saída.
Se as entidades esportivas encontrarem caminhos seguros, com protocolos autorizados por órgãos de saúde, apresentando medidas claras de proteção, o atleta tem um caminho mais tranquilo para voltar a trabalhar.
E, nessa hora, além de buscar e definir caminhos seguros, é importante esclarecer e apresentar essa segurança aos atletas, de maneira clara e eficiente. Isso funciona muito mais do que qualquer ameaça. No Rio de Janeiro, os atletas ficaram de fora das discussões sobre o retorno do futebol, Assim como tem sido costuma nas principais discussões sobre o esporte.
A manifestação coletiva e espontânea dos atletas do Fluminense mostra um posicionamento raro no esporte, a defesa coletiva de causas plurais. Unido, o movimento ganha muita força.
Na carta, os integrantes do grupo do Fluminense ressaltam que, por serem atletas de alto rendimento, "precisam também do tempo adequado para a preparação". O meio-campo Honda, do Botafogo, também se manifestou contra a volta do futebol no Rio através das redes sociais.
"Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 34.918 novos casos de coronavírus e outras 1.282 mortes foram confirmadas. Estou louco em querer saber uma razão lógica sobre por que recomeçaremos o campeonato?", escreveu o jogador japonês.
No documento elaborado pelos atletas do Fluminense, está escrito que o elenco tricolor que "não se sente confortável" em voltar a campo neste momento e que é para o futebol retornar "em um momento oportuno".
O meio-campo Honda, do Botafogo, também se manifestou contra a volta do futebol no Rio através das redes sociais. "Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 34.918 novos casos de coronavírus e outras 1.282 mortes foram confirmadas. Estou louco em querer saber uma razão lógica sobre por que recomeçaremos o campeonato?", escreveu o jogador japonês.
Os jogadores de futebol que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro estão divididos em relação à volta do futebol, com 55% favoráveis à retomada, e 45% contrários. Os números são parte do resultado de uma pesquisa realizada pela pela consultoria Esporte Executivo com 734 atletas de todos os estados e divisões do futebol brasileiro. O índice de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 4%.
Em maio, eu pedi a opinião de outros três advogados especializados em direito esportivo e trabalhista sobre a questão. Vale a pena reproduzir de novo o que cada um pensa sobre essa questão.
Wladimyr Camargos: "Dando segurança aos atletas, com autorização das autoridades de saúde, e consenso entre jogadores, clubes, entidades esportivas e sindicatos, penso que o jogador estaria seguro para retomar nos aspectos de saúde, trabalho e de prática desportiva. Caso contrário, podem se negar a retornar, visto que não haveria segurança".
Lucas Zandonardi: "Cabe ao clube a realização de treinos e eventos desportivos de forma compatível aos ordenamentos governamentais, obedecendo as quarentenas impostas, bem como as regras necessárias para salvaguardar a saúde dos atletas. Em havendo o descumprimento de tais orientações, obrigando a participação do atleta, expondo este a risco extremo, estaria infringindo o direito constitucional do empregado, havendo inclusive previsão legal para rescisão contratual, conforme artigo 483, C, da CLT".
Theotônio Chermont: "Entendo que os clubes (responsáveis) têm que exigir o máximo rigor das autoridades de saúde e de administração do desporto no tocante aos procedimentos de retorno para evitar prejuízos na saúde dos envolvidos (contágio e consequências). Afinal, o clube será o responsável no final das contas caso os envolvidos sejam prejudicados. Vejo como responsabilidade objetiva por duplo motivo - futebol é considerado pela doutrina e jurisprudência como atividade de risco, e agora há o agravante da possibilidade de contágio pelo contato inevitável Caso o esporte seja liberado pelas referidas autoridades, os atletas terão que cumprir com suas obrigações e entrar em campo, ainda que receosos. Inclusive, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que é possível caracterizar a Covid-19 como doença profissional, sem que os trabalhadores tenham que comprovar que a doença tenha ligação com o trabalho. E daí há outros reflexos e consequências. É um tema novo, sem precedentes. Particularmente, considerando o aumento de casos, não vejo como viável inventarem um método que nunca será completamente eficaz. Não há sequer clima para isso."
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal
Pandemia, Jogadores, Futebol, Retorno, Manifestação
VEJA TAMBÉM
- Gesto de Neymar gera caos na Arena e expõe fragilidade da segurança em clássicos paulista
- 250 MILHÕES IRREGULARES? Investigação pode revelar irregularidade astronômica na Arena Corinthians
- ADEUS DO CRAQUE? Pressão do Besiktas por Bidon acelera negociações e joia pode dar adeus
Postado por Thiago martins De Almeida - 3042 visitas - Fonte: esporte.uol / lei em c
Mais notícias do Corinthians
Notícias de contratações do TimãoNotícias mais lidas
Últimas notícias
-
2/9/2026
- 20:48: Corinthians intensifica treinos de finalização e mira vitória crucial contra a Chapecoense (0)
- 20:08: Gesto de Neymar gera caos na Arena e expõe fragilidade da segurança em clássicos paulista (0)
- 18:28: 250 MILHÕES IRREGULARES? Investigação pode revelar irregularidade astronômica na Arena Corinthians (0)
- 17:48: ADEUS DO CRAQUE? Pressão do Besiktas por Bidon acelera negociações e joia pode dar adeus (0)
- 17:08: Breno Bidon na mira do Besiktas: proposta entre 18 e 20 milhões de euros pode selar transferência (0)
- 16:49: SAÍDA DE JOVEM? Corinthians responde proposta francesa por Gui Negão: possível adeus? (0)
- 15:09: BOMBA: Corinthians pode vender Breno Bidon para clube europeu (0)
- 15:09: ELE FICA! Corinthians recusa propostas europeias por Gui Negão (0)
- 14:09: DE SAÍDA? André Ramalho perde espaço e pode se despedir no fim do ano (0)
- 11:09: VERGONHOSO: Osmar Stabile troca farpas com comentaristas e comete gafe (0)
- 11:09: LEMBRA DELE? Ex-Corinthians vive luta contra as drogas após aposentadoria (0)
- 10:28: SAF NO TIMÃO? Entenda o estágio das negociações com a SAFIEL (0)
- 09:44: ESCÂNDALO INTERNO: Promotor revela que Neo Química Arena pode estar 100% quitada (0)
- 08:09: SEM VERBA NO ORÇAMENTO! Corinthians mantém departamento que deveria ser encerrado (0)
- 08:09: FRAUDE NA ARENA? Corinthians identifica 2,2 mil cadastros suspeitos e bloqueia ingressos (0)
- 06:09: AS BRABAS PERDERAM A PACIÊNCIA? Elenco cobra diretoria por direitos de imagem (0)
- 04:09: VALEU A PENA RECUSAR? Empresário critica Corinthians após propostas menores por André (0)
- 00:28: Erros mais comuns de quem está começando a apostar em esportes (0)



REFORÇOS DE PESO! Corinthians acerta com dois atletas e aguarda fim do transfer ban para anunciar
LEMBRA DELE? Ex-Corinthians vive luta contra as drogas após aposentadoria
Time Europeu anuncia contratação por empréstimo de atacante do Corinthians
Dívida da Arena faz Corinthians enfrentar dificuldades financeiras até 2041 em mais de R$ 1 bilhão
BOMBA: Osmar Stabile estuda manobra política para concorrer a presidência do Corinthians
PRIORIDADE DEFINIDA! Corinthians coloca salários à frente de R$ 21,5 milhões do transfer ban
"Vamos acertar as contas", admite Osmar Stabile em reunião com elenco feminino
SAFiel aceita condição de Stabile e promete proposta de quitação da Arena
REVOLTANTE! Hostilização de garoto com camisa de Neymar gera repúdio da Gaviões da Fiel
ESCÂNDALO INTERNO: Promotor revela que Neo Química Arena pode estar 100% quitada