16/11/2016 16:30
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Corinthians se diz "vítima de ato ilícito ou danoso" em contratos da Arena
Em nota oficial, clube afirma que não autorizou cláusulas de partilha de economias na obra do estádio, como as previstas em acordos revelados pelo GloboEsporte.com
O Corinthians publicou nota nesta quarta-feira em que diz que o clube é "vítima de ato ilícito e/ou danoso". O comunicado, assinado pelo presidente Roberto de Andrade, é motivado pela revelação de que o arquiteto Jorge Borja, contratado pelo Corinthians para fiscalizar a obra da Arena, defendeu a contratação da empresa Temon Instalações, conforme reportagem publicada pelo GloboEsporte.com na última segunda-feira (14).
A Temon é uma das duas empresas que assinaram contratos com a Odebrecht que incluíam cláusulas de partilha de possíveis economias na obra. A empreiteira afirma que o Corinthians participou de todas as contratações e sabia da presença dessas condições nos acordos com as terceirizadas, o que o clube voltou a negar na nota. Tanto a Odebrecht como a Temon garantem que não houve sobras nos serviços prestados.
Em e-mail ao ex-vice-presidente do Corinthians Luis Paulo Rosenberg em maio de 2012, Borja indica a contratação da Temon, que assinaria contrato uma semana depois. Uma outra concorrente havia feito proposta R$ 2.263.913,50 mais barata. Embora fosse o fiscal do Corinthians, Borja também recebeu por serviços prestados à Odebrecht durante a obra.
No comunicado publicado nesta terça, Andrade declara novamente que os fatos são "graves" e que o episódio faz parte das apurações da Auditoria Geral da Obra da Arena, que analisa contratos da construção do estádio. O clube também informa que o trabalho está sendo aprofundado "no Brasil e no exterior".
Veja a íntegra da nota:
Eu, como Presidente do Corinthians, em relação à matéria veiculada em 14/11/16 no GloboEsporte e Globo.com, venho por meio desta ressaltar que:
Tais fatos, assim como colocado em anterior Nota Oficial do Clube, são graves e, só a "combinação" entre a construtora e fornecedores desta, já demonstram, no mínimo, sério descumprimento contratual, motivo pelo qual possível superfaturamento já havia sido citado em Nota Oficial anterior.
O fato de um fiscal contratado pelo Clube concordar com algo tão absurdo afasta exatamente o objetivo principal do seu trabalho, ou seja, fazer com que a construção da Arena fosse realizada de acordo com o contratado e os princípios da boa-fé.
Tal fato, divisão de percentuais de valores entre a Odebrecht e seus fornecedores citados, com a aceitação do fiscal do Corinthians, além do afirmado pelo engenheiro da construtora Ricardo Corregio, que o clube sabia de tudo e concordava, não podem ser aceitos, pois se contratado do clube se uniu com prestador de serviços deste para lesá-lo, isto faz a instituição (Corinthians) vítima de ato ilícito e/ou danoso por parte de todos que participaram, devendo cada um ser responsabilizado pelos suas condutas praticadas.
Da mesma forma, ao afirmarem que se trata de "prática normal de mercado", esqueceram-se do mais básico: existe um terceiro que paga a conta, o aqui prejudicado, o Sport Club Corinthians Paulista.
De acordo com o veiculado na própria matéria, o Aditivo Contratual de 29 de Novembro de 2011 teve na sua Cláusula 2.3 a "inserção do novo item 14.4.2" no Contrato de Construção do Estádio, exatamente para definir a conta corrente de itens de "Verbas Orçamentárias".
Esta Cláusula foi colocada para regular com clareza possíveis gastos adicionais em relação a valores que foram definidos em orçamento feito, diga-se, pela construtora, e ao mesmo tempo, quanto a outros em que se gastasse menos. Uma conta corrente!
Por fim, ratifico que tais fatos são muito negativos em relação à conduta, principalmente, da construtora, que os mesmos já faziam parte dos levantamentos feitos pela Auditoria Geral da Obra da Arena Corinthians, e que maior aprofundamento ainda está sendo feito nestes trabalhos, no Brasil e no exterior.
Roberto de Andrade
A Temon é uma das duas empresas que assinaram contratos com a Odebrecht que incluíam cláusulas de partilha de possíveis economias na obra. A empreiteira afirma que o Corinthians participou de todas as contratações e sabia da presença dessas condições nos acordos com as terceirizadas, o que o clube voltou a negar na nota. Tanto a Odebrecht como a Temon garantem que não houve sobras nos serviços prestados.
Em e-mail ao ex-vice-presidente do Corinthians Luis Paulo Rosenberg em maio de 2012, Borja indica a contratação da Temon, que assinaria contrato uma semana depois. Uma outra concorrente havia feito proposta R$ 2.263.913,50 mais barata. Embora fosse o fiscal do Corinthians, Borja também recebeu por serviços prestados à Odebrecht durante a obra.
No comunicado publicado nesta terça, Andrade declara novamente que os fatos são "graves" e que o episódio faz parte das apurações da Auditoria Geral da Obra da Arena, que analisa contratos da construção do estádio. O clube também informa que o trabalho está sendo aprofundado "no Brasil e no exterior".
Veja a íntegra da nota:
Eu, como Presidente do Corinthians, em relação à matéria veiculada em 14/11/16 no GloboEsporte e Globo.com, venho por meio desta ressaltar que:
Tais fatos, assim como colocado em anterior Nota Oficial do Clube, são graves e, só a "combinação" entre a construtora e fornecedores desta, já demonstram, no mínimo, sério descumprimento contratual, motivo pelo qual possível superfaturamento já havia sido citado em Nota Oficial anterior.
O fato de um fiscal contratado pelo Clube concordar com algo tão absurdo afasta exatamente o objetivo principal do seu trabalho, ou seja, fazer com que a construção da Arena fosse realizada de acordo com o contratado e os princípios da boa-fé.
Tal fato, divisão de percentuais de valores entre a Odebrecht e seus fornecedores citados, com a aceitação do fiscal do Corinthians, além do afirmado pelo engenheiro da construtora Ricardo Corregio, que o clube sabia de tudo e concordava, não podem ser aceitos, pois se contratado do clube se uniu com prestador de serviços deste para lesá-lo, isto faz a instituição (Corinthians) vítima de ato ilícito e/ou danoso por parte de todos que participaram, devendo cada um ser responsabilizado pelos suas condutas praticadas.
Da mesma forma, ao afirmarem que se trata de "prática normal de mercado", esqueceram-se do mais básico: existe um terceiro que paga a conta, o aqui prejudicado, o Sport Club Corinthians Paulista.
De acordo com o veiculado na própria matéria, o Aditivo Contratual de 29 de Novembro de 2011 teve na sua Cláusula 2.3 a "inserção do novo item 14.4.2" no Contrato de Construção do Estádio, exatamente para definir a conta corrente de itens de "Verbas Orçamentárias".
Esta Cláusula foi colocada para regular com clareza possíveis gastos adicionais em relação a valores que foram definidos em orçamento feito, diga-se, pela construtora, e ao mesmo tempo, quanto a outros em que se gastasse menos. Uma conta corrente!
Por fim, ratifico que tais fatos são muito negativos em relação à conduta, principalmente, da construtora, que os mesmos já faziam parte dos levantamentos feitos pela Auditoria Geral da Obra da Arena Corinthians, e que maior aprofundamento ainda está sendo feito nestes trabalhos, no Brasil e no exterior.
Roberto de Andrade
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Postado por Edson Alan Melo - 5367 visitas - Fonte: Globo Esporte
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