18/5/2016 08:18
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Casa cheia, caldeirão, dívida e trauma: Arena Corinthians completa dois anos
Sucesso de público e arrecadação, estádio do Timão é palco de grandes vitórias e eliminações dolorosas. Entenda também como está o pagamento da construção
Corinthians já levou mais de dois milhões de torcedores à arena desde a inauguração (Foto: Mauro Horita)
A Arena Corinthians completa dois anos nesta quarta-feira cercada de números impressionantes, sejam eles positivos ou negativos. O sucesso das arquibancadas sempre lotadas ainda não reflete diretamente no caixa. A tão sonhada casa do Timão é um sucesso indiscutível de público e arrecadação, mas a conta continua grande e longe de fechar.
Abaixo um detalhamento sobre tudo o que aconteceu no estádio desde sua inauguração. Se por um lado o Corinthians é praticamente imbatível em casa, por outro a equipe de Tite sofre com o fantasma de seguidas eliminações no mata-mata. Fora de campo,a preocupação é grande com a venda dos naming rights, as obras inacabadas e as investigações da Operação Lava Jato.

O Corinthians não tem o que reclamar da torcida desde que inaugurou a arena, fator que contribui bastante para o pagamento das contas. O sucesso de público é inquestionável e capaz de causar inveja nos maiores rivais. São mais de 2,2 milhões de torcedores em 68 partidas, média acima de 33 mil pessoas por confronto.
O recorde de público em partidas do Corinthians ainda pertence ao clássico contra o São Paulo, na reta final do Campeonato Brasileiro do ano passado. Na ocasião, 44.976 pessoas pagaram para ver a histórica goleada por 6 a 1, coroando a conquista do título nacional. Até mesmo a pior marca ainda é elevada. Contra a Ponte Preta, pelo Paulistão deste ano, 22.029 pagantes estiveram em Itaquera.


O Corinthians se adaptou muito bem à arena e transformou sua casa em um grande aliado para obter bons resultados. Os números são muito bons: 68 partidas, 50 vitórias, 14 empates e quatro derrotas, com 141 gols marcados e apenas 41 sofridos. O Timão não perde em casa desde o dia 26 de agosto do ano passado, quando foi batido pelo Santos por 2 a 1, pela Copa do Brasil.

Jogadores do Corinthians comemoram a conquista do título brasileiro no ano passado (Foto: Agência Reuters)
Alguns jogos ficaram marcados por placares elásticos e grandes atuações. Na Libertadores do ano passado, o Corinthians massacrou o Once Caldas por 4 a 0 e deu baile por 2 a 0 no rival São Paulo. Ainda na fase de grupos, o Timão teve atuação de gala em outro 4 a 0, diante do Danubio. O adversário do Morumbi também foi vítima da maior goleada da arena até aqui. Em uma tarde inspirada do paraguaio Romero, o Timão fez 6 a 1, levantando a taça de campeão brasileiro.


Torcedores lamentam a eliminação diante do Nacional, do Uruguai (Foto: Marcos Ribolli)
Apesar do grande público e de vitórias expressivas, o Corinthians ainda não conseguiu tirar proveito da força do estádio em torneios no mata-mata. No ano passado, foram três quedas em casa. Depois de um início de temporada arrasador, o Timão perdeu nos pênaltis para o arquirrival Palmeiras e deu adeus ao Paulistão. Em seguida, perdeu por 1 a 0 para o Guaraní, do Paraguai, e caiu nas oitavas da Libertadores.
O drama continuou no segundo semestre com a derrota por 2 a 1 para o Santos e, consequentemente, a eliminação na Copa do Brasil. Em 2016, a série negativa continuou de forma semelhante. Após boas atuações, a equipe dirigida por Tite acabou batida pelo Audax nos pênaltis e foi eliminada do estadual. Pouco tempo depois, o empate por 2 a 2 com o Nacional, do Uruguai, tirou o time novamente da Libertadores. Veja aqui a série de eliminações.

O Corinthians ainda tem um longo caminho para quitar a arena (cedeu até o terreno do Parque São Jorge como garantia). O clube calcula que até o momento conseguiu pagar cerca de R$ 75 milhões de um total de quase R$ 1,2 bilhão. Em dois anos de funcionamento, o Timão arrecadou R$ 138 milhões com a venda de ingressos, mas apenas R$ 50 milhões chegaram ao fundo que gerencia a conta. O restante do dinheiro foi gasto com taxas da FPF e da CBF, além do funcionamento do estádio. Só de manutenção, o clube desembolsa R$ 2,7 milhões mensais.

Presidente Roberto de Andrade espera anunciar em breve a venda dos naming rights (Foto: Marcos Ribolli)
Como a conta não fecha, o Corinthians pediu ao BNDES um período de carência de 17 meses para voltar a pagar a parcela mensal de R$ 5,7 milhões pelo empréstimo de R$ 400 milhões. A ideia do clube é fazer caixa e, a partir de agosto de 2018, quitar o montante sem sustos (a dívida geral atual do clube, segundo balanço, é de R$ 393 milhões). Com a negociação em curso, o Timão não depositou os meses de abril e maio. A expectativa é de que o acordo seja feita até o fim do mês.
O Timão sofre também para vender os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) dados pela prefeitura de São Paulo. Dos R$ 420 milhões em títulos, o clube só conseguiu negociar R$ 24,8 milhões, boa parte com a Odebrecht, empresa responsável pelas obras. A diretoria acredita que a comercialização foi prejudicada pela ação movida pelo promotor Marcelo Camargo Milani contra o ex-prefeito Gilberto Kassab por improbidade administrativa, por conta da isenção do pagamento de ISS na obra e pelo incentivo dado com a liberação dos CIDs. A disputa judicial já foi extinta.
E tem mais: o Corinthians precisa pagar mais dois empréstimos à Caixa Econômica Federal no valor de R$ 250 milhões e R$ 50 milhões, respectivamente. O acordo tem uma carência de 28 meses, e a previsão do início do pagamento é ainda em 2016. Por isso, o clube corre contra o tempo para acertar a venda dos naming rights. Boa parte do dinheiro arrecadado será destinado diretamente para quitar esses empréstimos.

Frases na camisa do Timão estão relacionadas com a venda do NR (Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)
A diretoria do Corinthians diz estar muito próxima de anunciar a venda do nome do estádio, mas o mistério é grande no Parque São Jorge. Valores e o nome do grupo que negocia a compra não foram revelados. A especulação corre por todos os lados. O Timão calcula que receberá R$ 400 milhões por 20 anos de contrato. A direção nega que esteja negociando com uma instituição financeira, como dito até pelo diretor de marketing Gustavo Herbetta. Hoje, comenta-se que trata-se de uma empresa brasileira que não tem ligação com o mercado financeiro.
O acordo prevê até que a torcida escolha o novo nome do estádio em uma votação que provavelmente será feita pela página oficial do clube na internet. A empresa que negocia para adquirir os naming rights também assumirá o controle do programa Fiel Torcedor, hoje com mais de 130 mil torcedores adimplentes. Cartões de crédito com uma série de benefícios serão oferecidos, o que poderá render frutos ao parceiro.

A construção da Arena Corinthians também está sendo investigada na Operação Lava Jato. Há indícios de que o vice-presidente André Luiz de Oliveira, o André Negão, tenha recebido propina de R$ 500 mil durante as obras do estádio, feitas pela Odebrecht. O dirigente foi levado para prestar esclarecimentos à Polícia Federal e acabou preso por porte ilegal de duas armas de fogo – foi liberado após pagar fiança.
Uma planilha apreendida pelos investigadores aponta o pagamento do valor em data não especificada a alguém de codinome Timão, que a PF entende ser Oliveira. A construção da Arena Corinthians faz parte de um conjunto de obras realizadas pela Odebrecht nas quais o Ministério Público Federal suspeita ter ocorrido pagamento de propinas.

André Luiz de Oliveira é levado para depor na Polícia Federal (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)
A Arena Corinthians completa dois anos nesta quarta-feira cercada de números impressionantes, sejam eles positivos ou negativos. O sucesso das arquibancadas sempre lotadas ainda não reflete diretamente no caixa. A tão sonhada casa do Timão é um sucesso indiscutível de público e arrecadação, mas a conta continua grande e longe de fechar.
Abaixo um detalhamento sobre tudo o que aconteceu no estádio desde sua inauguração. Se por um lado o Corinthians é praticamente imbatível em casa, por outro a equipe de Tite sofre com o fantasma de seguidas eliminações no mata-mata. Fora de campo,a preocupação é grande com a venda dos naming rights, as obras inacabadas e as investigações da Operação Lava Jato.

O Corinthians não tem o que reclamar da torcida desde que inaugurou a arena, fator que contribui bastante para o pagamento das contas. O sucesso de público é inquestionável e capaz de causar inveja nos maiores rivais. São mais de 2,2 milhões de torcedores em 68 partidas, média acima de 33 mil pessoas por confronto.
O recorde de público em partidas do Corinthians ainda pertence ao clássico contra o São Paulo, na reta final do Campeonato Brasileiro do ano passado. Na ocasião, 44.976 pessoas pagaram para ver a histórica goleada por 6 a 1, coroando a conquista do título nacional. Até mesmo a pior marca ainda é elevada. Contra a Ponte Preta, pelo Paulistão deste ano, 22.029 pagantes estiveram em Itaquera.


O Corinthians se adaptou muito bem à arena e transformou sua casa em um grande aliado para obter bons resultados. Os números são muito bons: 68 partidas, 50 vitórias, 14 empates e quatro derrotas, com 141 gols marcados e apenas 41 sofridos. O Timão não perde em casa desde o dia 26 de agosto do ano passado, quando foi batido pelo Santos por 2 a 1, pela Copa do Brasil.

Jogadores do Corinthians comemoram a conquista do título brasileiro no ano passado (Foto: Agência Reuters)
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Torcedores lamentam a eliminação diante do Nacional, do Uruguai (Foto: Marcos Ribolli)
Apesar do grande público e de vitórias expressivas, o Corinthians ainda não conseguiu tirar proveito da força do estádio em torneios no mata-mata. No ano passado, foram três quedas em casa. Depois de um início de temporada arrasador, o Timão perdeu nos pênaltis para o arquirrival Palmeiras e deu adeus ao Paulistão. Em seguida, perdeu por 1 a 0 para o Guaraní, do Paraguai, e caiu nas oitavas da Libertadores.
O drama continuou no segundo semestre com a derrota por 2 a 1 para o Santos e, consequentemente, a eliminação na Copa do Brasil. Em 2016, a série negativa continuou de forma semelhante. Após boas atuações, a equipe dirigida por Tite acabou batida pelo Audax nos pênaltis e foi eliminada do estadual. Pouco tempo depois, o empate por 2 a 2 com o Nacional, do Uruguai, tirou o time novamente da Libertadores. Veja aqui a série de eliminações.

O Corinthians ainda tem um longo caminho para quitar a arena (cedeu até o terreno do Parque São Jorge como garantia). O clube calcula que até o momento conseguiu pagar cerca de R$ 75 milhões de um total de quase R$ 1,2 bilhão. Em dois anos de funcionamento, o Timão arrecadou R$ 138 milhões com a venda de ingressos, mas apenas R$ 50 milhões chegaram ao fundo que gerencia a conta. O restante do dinheiro foi gasto com taxas da FPF e da CBF, além do funcionamento do estádio. Só de manutenção, o clube desembolsa R$ 2,7 milhões mensais.

Presidente Roberto de Andrade espera anunciar em breve a venda dos naming rights (Foto: Marcos Ribolli)
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O Timão sofre também para vender os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) dados pela prefeitura de São Paulo. Dos R$ 420 milhões em títulos, o clube só conseguiu negociar R$ 24,8 milhões, boa parte com a Odebrecht, empresa responsável pelas obras. A diretoria acredita que a comercialização foi prejudicada pela ação movida pelo promotor Marcelo Camargo Milani contra o ex-prefeito Gilberto Kassab por improbidade administrativa, por conta da isenção do pagamento de ISS na obra e pelo incentivo dado com a liberação dos CIDs. A disputa judicial já foi extinta.
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A construção da Arena Corinthians também está sendo investigada na Operação Lava Jato. Há indícios de que o vice-presidente André Luiz de Oliveira, o André Negão, tenha recebido propina de R$ 500 mil durante as obras do estádio, feitas pela Odebrecht. O dirigente foi levado para prestar esclarecimentos à Polícia Federal e acabou preso por porte ilegal de duas armas de fogo – foi liberado após pagar fiança.
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Postado por Marcos - 6603 visitas - Fonte: Globoesporte.com
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