13/5/2016 16:23
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Fenapaf busca diálogo com a CBF para evitar jogos do Brasileirão às 11h
Presidente da entidade dos atletas profissionais propõe a criação de uma comissão multidisciplinar para estudar os prejuízos aos jogadores. Reunião acontece dia 18
Estádio do Arruda vai receber Santa Cruz e Vitória na abertura do Brasileirão (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)
O Campeonato Brasileiro começa neste fim de semana e a Confederação Brasileira de Futebol voltou a agendar jogos para as 11h. Inicialmente, algumas partidas das Série A e C terão o horário matinal. A decisão unilateral, segundo o presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, Felipe Augusto Leite, causou uma repercussão negativa na entidade que representa a categoria. O dirigente disse que vai se reunir com a CBF no próximo dia 18 para propor a criação de uma comissão multidisciplinar para estudar as condições de trabalho e de saúde que serão submetidos os atletas profissionais.
A ideia é que esse grupo seja formado por integrantes do Ministério Público, do Ministério do Trabalho, do Ministério da Educação e dos Centros Estaduais de Referência em Saúde do Trabalho, ligados ao Ministério da Saúde, para mostrar os prejuízos causados aos jogadores submetidos às fortes temperaturas. Ao GloboEsporte.com, Felipe Augusto disse que vai tentar com o diálogo mudar os horários dos partidas. Mas, se a proposta não for acolhida pela CBF, a Fenapaf deve entrar com uma ação na Justiça para impedir a realização dos jogos pela manhã.
- Nós queremos discutir a prática do exercício na atividade do jogador de futebol profissional. A CBF determinou que os jogos serão às 11h, mas há algum estudo sobre o caso? A Fenapaf não quer brigar com ninguém. O que queremos é mostrar o inconformismo com esse horário que está sendo sugerido para ser praticado no Campeonato Brasileiro. Vamos esperar uma resposta sobre o acolhimento ou não da criação desta comissão. Se a CBF não sinalizar com um acordo ao pedido da Fenapaf, que nós acreditamos que não seja feito dessa forma, a última possibilidade é acionar a Justiça - contou Felipe Augusto.
O presidente da Fenapaf fala ainda que a mudança no horário dos jogos deve ser vista como um benefício para o futebol brasileiro. No relatório que será entregue à CBF, Felipe Augusto destaca a participação do médico fisiologista Turíbio Leite Barros Neto, que integrou uma pesquisa encomendada pela entidade em jogos realizados em quatro capitais brasileiras: Fortaleza, Manaus, Brasília e São Paulo. No documento, foram analisados dados como a hidratação adequada dos jogadores, a parada técnica indicada pela arbitragem e quantidade de acréscimos ao tempo regulamentar. O resultado aponta uma deficiência física dos jogadores que atuaram das 11h às 13h, com perda de massa muscular e aumento da temperatura corporal.
- Nós temos como argumento um relatório feito por uma dos mais renomados fisiologistas do país, que é Dr. Turíbio, que aponta uma queda de produção dos jogadores em jogos disputados em quatro cidades. Mas nós sabemos que, para se mudar o horário dos jogos, depois que eles já estão marcados, com a grade de televisão confeccionada, aluguel dos estádios, a logística preparada, venda de ingressos, fica mais complicado. Então, a Fenapaf já está pegando o jogo no final da partida, mas quer abrir um diálogo e evitar que em campeonatos futuros isto seja evitado. Foi um medida unilateral que a CBF tomou, sem consultar as outras entidades que representam os interesses dos profissionais desportistas e esperamos ter um resultado satisfatório - analisou.
Durante o 2º Encontro de Técnicos, realizado pela CBF, na última segunda-feira, o horário das 11h também entrou na pauta. Campeão com o Corinthians em 2015, Tite é radicalmente contrário a jogos pela manhã. Outros treinadores cobraram maior equilíbrio entre as distribuições dos jogos, tendo em vista também a diferença de temperaturas entre as regiões do país.
Neste fim de semana, dois jogos da Série A do Brasileirão serão disputados no domingo, às 11h. O Santa Cruz recebe o Vitória no Arruda, e o Botafogo encara o São Paulo no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. Das 11 rodadas que tiveram os jogos detalhados, sete possuem partidas com horário pela manhã. Na Série C, a situação é ainda pior, já que todas as nove rodadas que tiveram os horários e locais confirmados, possuem pelo menos uma partida às 11h. Em 2015, o horário matinal foi implantado e recebeu críticas da imprensa e dos jogadores, tanto que no mês de setembro do ano passado, a CBF suspendeu os jogos pela manhã por precaução. Na oportunidade, Jorge Pagura, presidente da Comissão Nacional de Médicos do Futebol, destacou que nenhum jogo no horário representou risco aos atletas.
EXPERIÊNCIA CRITICADA NO RN
No Campeonato Potiguar deste ano, a Federação Norte-rio-grandense de Futebol implantou o novo horário das 9h30, com a justificativa de que teria um apelo maior para as famílias e aumentaria o número de torcedores nos estádios. O resultado foi uma baixa aceitação do público e a reclamação de jogadores e técnicos dos clubes. Para Felipe Augusto, a preocupação com os atletas foi muito grande durante os jogos, em virtude da alta temperatura e da elevada sensação térmica.
- No Rio Grande do Norte, tivemos a experiência de algumas partidas às 9h30 na Arena das Dunas e os jogadores quando me encontraram reclamaram bastante. O período dos jogos foi das 9h às 11h, imagine quando a partida começar às 11h, com previsão de terminar por volta das 13h. Se um jogador desse sofre um mal súbito em campo, como fica a situação? Por isso, propomos esse diálogo para discutir a realização desses jogos, porque a nossa condição climática não favorece a prática do futebol nesse horário - completou.
O Campeonato Brasileiro começa neste fim de semana e a Confederação Brasileira de Futebol voltou a agendar jogos para as 11h. Inicialmente, algumas partidas das Série A e C terão o horário matinal. A decisão unilateral, segundo o presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, Felipe Augusto Leite, causou uma repercussão negativa na entidade que representa a categoria. O dirigente disse que vai se reunir com a CBF no próximo dia 18 para propor a criação de uma comissão multidisciplinar para estudar as condições de trabalho e de saúde que serão submetidos os atletas profissionais.
A ideia é que esse grupo seja formado por integrantes do Ministério Público, do Ministério do Trabalho, do Ministério da Educação e dos Centros Estaduais de Referência em Saúde do Trabalho, ligados ao Ministério da Saúde, para mostrar os prejuízos causados aos jogadores submetidos às fortes temperaturas. Ao GloboEsporte.com, Felipe Augusto disse que vai tentar com o diálogo mudar os horários dos partidas. Mas, se a proposta não for acolhida pela CBF, a Fenapaf deve entrar com uma ação na Justiça para impedir a realização dos jogos pela manhã.
- Nós queremos discutir a prática do exercício na atividade do jogador de futebol profissional. A CBF determinou que os jogos serão às 11h, mas há algum estudo sobre o caso? A Fenapaf não quer brigar com ninguém. O que queremos é mostrar o inconformismo com esse horário que está sendo sugerido para ser praticado no Campeonato Brasileiro. Vamos esperar uma resposta sobre o acolhimento ou não da criação desta comissão. Se a CBF não sinalizar com um acordo ao pedido da Fenapaf, que nós acreditamos que não seja feito dessa forma, a última possibilidade é acionar a Justiça - contou Felipe Augusto.
O presidente da Fenapaf fala ainda que a mudança no horário dos jogos deve ser vista como um benefício para o futebol brasileiro. No relatório que será entregue à CBF, Felipe Augusto destaca a participação do médico fisiologista Turíbio Leite Barros Neto, que integrou uma pesquisa encomendada pela entidade em jogos realizados em quatro capitais brasileiras: Fortaleza, Manaus, Brasília e São Paulo. No documento, foram analisados dados como a hidratação adequada dos jogadores, a parada técnica indicada pela arbitragem e quantidade de acréscimos ao tempo regulamentar. O resultado aponta uma deficiência física dos jogadores que atuaram das 11h às 13h, com perda de massa muscular e aumento da temperatura corporal.
- Nós temos como argumento um relatório feito por uma dos mais renomados fisiologistas do país, que é Dr. Turíbio, que aponta uma queda de produção dos jogadores em jogos disputados em quatro cidades. Mas nós sabemos que, para se mudar o horário dos jogos, depois que eles já estão marcados, com a grade de televisão confeccionada, aluguel dos estádios, a logística preparada, venda de ingressos, fica mais complicado. Então, a Fenapaf já está pegando o jogo no final da partida, mas quer abrir um diálogo e evitar que em campeonatos futuros isto seja evitado. Foi um medida unilateral que a CBF tomou, sem consultar as outras entidades que representam os interesses dos profissionais desportistas e esperamos ter um resultado satisfatório - analisou.
Durante o 2º Encontro de Técnicos, realizado pela CBF, na última segunda-feira, o horário das 11h também entrou na pauta. Campeão com o Corinthians em 2015, Tite é radicalmente contrário a jogos pela manhã. Outros treinadores cobraram maior equilíbrio entre as distribuições dos jogos, tendo em vista também a diferença de temperaturas entre as regiões do país.
Neste fim de semana, dois jogos da Série A do Brasileirão serão disputados no domingo, às 11h. O Santa Cruz recebe o Vitória no Arruda, e o Botafogo encara o São Paulo no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. Das 11 rodadas que tiveram os jogos detalhados, sete possuem partidas com horário pela manhã. Na Série C, a situação é ainda pior, já que todas as nove rodadas que tiveram os horários e locais confirmados, possuem pelo menos uma partida às 11h. Em 2015, o horário matinal foi implantado e recebeu críticas da imprensa e dos jogadores, tanto que no mês de setembro do ano passado, a CBF suspendeu os jogos pela manhã por precaução. Na oportunidade, Jorge Pagura, presidente da Comissão Nacional de Médicos do Futebol, destacou que nenhum jogo no horário representou risco aos atletas.
EXPERIÊNCIA CRITICADA NO RN
No Campeonato Potiguar deste ano, a Federação Norte-rio-grandense de Futebol implantou o novo horário das 9h30, com a justificativa de que teria um apelo maior para as famílias e aumentaria o número de torcedores nos estádios. O resultado foi uma baixa aceitação do público e a reclamação de jogadores e técnicos dos clubes. Para Felipe Augusto, a preocupação com os atletas foi muito grande durante os jogos, em virtude da alta temperatura e da elevada sensação térmica.
- No Rio Grande do Norte, tivemos a experiência de algumas partidas às 9h30 na Arena das Dunas e os jogadores quando me encontraram reclamaram bastante. O período dos jogos foi das 9h às 11h, imagine quando a partida começar às 11h, com previsão de terminar por volta das 13h. Se um jogador desse sofre um mal súbito em campo, como fica a situação? Por isso, propomos esse diálogo para discutir a realização desses jogos, porque a nossa condição climática não favorece a prática do futebol nesse horário - completou.
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Postado por
Edson Alan Melo
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3459 visitas - Fonte: Globo esporte
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