24/3/2016 10:51
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Protestos e "cadê a merenda?": a união das torcidas em jogo do Corinthians
Quando a ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher morreu três anos atrás, torcidas rivais que por definição costumam discordar em tudo mostraram um momento raro de união e júbilo ao celebrar seu fim sob o canto de "a bruxa está morta".
Foi uma amostra de que se existe uma coisa que pode unir fraternalmente azuis e vermelhos, grandes e pequenos, vencedores e perdedores, essa coisa é o desprezo a um político.
Na noite da última quarta-feira um fenômeno parecido em natureza, embora menor em escala, foi testemunhado em um estádio de São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.
A torcida do São Bernardo, em minoria, começou a cantar de uma esquina da arquibancada: "Merenda, merenda, merendaaaaa... cadê a merenda?". O ritmo, muito contagioso, é o do hit de Ivete Sangalo "Sorte Grande (Poeira)", que estourou uma década e meia atrás.
A canção atravessou o campo e chegou à torcida do Corinthians, que a ouviu com atenção, gostou e logo engrossou o coro com mais algumas milhares de vozes. Em poucos segundos praticamente o estádio inteiro – os dois lados da arquibancada – estavam se perguntando onde estava a merenda.
Trata-se de uma referência ao deputado estadual Fernando Capez, do PSDB, suspeito de fazer parte de um esquema que desviou dinheiro da merenda de escolas e creches estaduais paulistas.
Capez, que também é presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, virou o inimigo número 1 das torcidas de futebol no Estado – principalmente porque ele é contra a própria existência de torcidas organizadas e atuou para diminui-las quando foi promotor público. A revolta da principal organizada do Corinthians diz respeito à punição imposta pela FPF em função do uso de sinalizadores na final da Copa São Paulo, em janeiro. Desde o início do Paulista, a Gaviões está proibida de abrir faixas nos estádios. Em represália, a torcida já realizou protestos na sede da Federação nos últimos dias.
Seu nome vem sendo alvo de protesto nos estádios desde o começo do ano. Agora também faz parte da manifestação torcidas de clubes menores, como a do São Bernardo.
Outro canto da torcida do Corinthians desenvolve melhor o argumento contra Capez:
"Eu não roubo merenda
eu não sou deputado
trabalho todo dia
não roubo meu Estado"
Politização das torcidas
O protesto político em conjunto aconteceu no meio do segundo tempo da partida (vencida pelo Corinthians por 3 a 0), quando um dos refletores se apagou e interrompeu o jogo. Com a bola rolando, os cantos são apenas em apoio ao time.
Além de se manifestarem contra Capez, torcedores corintianos entoaram novamente seus cânticos contra o alto preço dos ingressos, contra a CBF, a federação paulista de futebol e a Rede Globo.
Outro alvo tem se tornado cada vez mais atacado: a Polícia Militar, que ganhou músicas próprias e agora é chamada de opressora pela torcida.
Outro lado
Fernando Capez nega veementemente fazer parte do esquema de desvio do dinheiro da merenda. Ele afirma que, apesar de ser tratado como suspeito, seria, na verdade, vítima da situação.
Foi uma amostra de que se existe uma coisa que pode unir fraternalmente azuis e vermelhos, grandes e pequenos, vencedores e perdedores, essa coisa é o desprezo a um político.
Na noite da última quarta-feira um fenômeno parecido em natureza, embora menor em escala, foi testemunhado em um estádio de São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.
A torcida do São Bernardo, em minoria, começou a cantar de uma esquina da arquibancada: "Merenda, merenda, merendaaaaa... cadê a merenda?". O ritmo, muito contagioso, é o do hit de Ivete Sangalo "Sorte Grande (Poeira)", que estourou uma década e meia atrás.
A canção atravessou o campo e chegou à torcida do Corinthians, que a ouviu com atenção, gostou e logo engrossou o coro com mais algumas milhares de vozes. Em poucos segundos praticamente o estádio inteiro – os dois lados da arquibancada – estavam se perguntando onde estava a merenda.
Trata-se de uma referência ao deputado estadual Fernando Capez, do PSDB, suspeito de fazer parte de um esquema que desviou dinheiro da merenda de escolas e creches estaduais paulistas.
Capez, que também é presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, virou o inimigo número 1 das torcidas de futebol no Estado – principalmente porque ele é contra a própria existência de torcidas organizadas e atuou para diminui-las quando foi promotor público. A revolta da principal organizada do Corinthians diz respeito à punição imposta pela FPF em função do uso de sinalizadores na final da Copa São Paulo, em janeiro. Desde o início do Paulista, a Gaviões está proibida de abrir faixas nos estádios. Em represália, a torcida já realizou protestos na sede da Federação nos últimos dias.
Seu nome vem sendo alvo de protesto nos estádios desde o começo do ano. Agora também faz parte da manifestação torcidas de clubes menores, como a do São Bernardo.
Outro canto da torcida do Corinthians desenvolve melhor o argumento contra Capez:
"Eu não roubo merenda
eu não sou deputado
trabalho todo dia
não roubo meu Estado"
Politização das torcidas
O protesto político em conjunto aconteceu no meio do segundo tempo da partida (vencida pelo Corinthians por 3 a 0), quando um dos refletores se apagou e interrompeu o jogo. Com a bola rolando, os cantos são apenas em apoio ao time.
Além de se manifestarem contra Capez, torcedores corintianos entoaram novamente seus cânticos contra o alto preço dos ingressos, contra a CBF, a federação paulista de futebol e a Rede Globo.
Outro alvo tem se tornado cada vez mais atacado: a Polícia Militar, que ganhou músicas próprias e agora é chamada de opressora pela torcida.
Outro lado
Fernando Capez nega veementemente fazer parte do esquema de desvio do dinheiro da merenda. Ele afirma que, apesar de ser tratado como suspeito, seria, na verdade, vítima da situação.
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Postado por fyamma fernandes nogueira - 3687 visitas - Fonte: UOL
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