5/2/2016 20:17
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Sobre Vitinho e Corinthians: uma história que se repete na base brasileira
O filme se repete. Um jogador sub-15 se valoriza no Sul-Americano da categoria, volta ao Brasil pedindo uma fortuna para o clube ao qual pertence, não renova e fica livre. Aconteceu com Mosquito, artilheiro da competição em 2011. Aconteceu com Vitinho, do Corinthians, goleador e melhor jogador do torneio em 2015.
Vitinho, que fez 16 anos no dia 4 de janeiro, não tem mais vínculo com nenhum time. Em conversas com diversos dirigentes da base brasileira, o blogueiro que vos escreve percebeu que há a crença de que ele vai para o Manchester City, clube no qual ele fez testes em 2015, ainda vinculado com o Corinthians. Mas trata-se de uma impressão, não de uma informação. A transferência para o clube inglês só poderia ocorrer aos 18 anos, e até lá há muito chão pela frente.
A história de Vitinho é cada vez mais comum, e Mosquito, exemplo citado no primeiro parágrafo, é apenas um dos jogadores que, incentivados por seus empresários, priorizaram a ideia de ficar rico ainda na adolescência. O próprio Mosquito, hoje perto de completar 20 anos, tenta reerguer a carreira no Llagostera, da terceira divisão espanhola. No Corinthians, o exemplo mais ilustrativo é o de Lulinha, que brilhou no Sul-Americano Sub-17 de 2007 e fez um primeiro contrato profissional bastante vantajoso para ele.
O blog poderia passar o dia citando jogadores que eram bem remunerados na adolescência e ainda encontram problemas para se firmarem nos profissionais. Bruno Sabiá, do Palmeiras, Andrigo, do Internacional, Matheus Índio, do Vasco, todos talentosos. A lista é longa, e tem os santistas Neymar e Gabigol como exceções. O enredo do jovem que fica rico cedo e não tem maturidade para lidar com tudo o que o dinheiro pode proporcionar já é um clássico no futebol brasileiro, mas vale lembrar: até que se prove o contrário, nenhum deles colocou um revólver na cabeça de algum dirigente de clube para obrigá-los a oferecer o que eles ganhavam. Foi tudo negociado.
A pedida de Vitinho ao Corinthians foi alta. Fala-se em R$ 3 milhões de luvas e R$ 25 mil no primeiro ano de salário, mas vamos supor que o mundo do futebol seja cheio de boatos (de fato o é) e a pedida real tenha sido a metade disso: ainda assim, os números assustam.
O Corinthians, diga-se, está certo em não pagar esses valores. Tem um teto salarial na base e deve respeitá-lo. Mas dormiu no ponto ao permitir que seu melhor jogador sub-15 fosse fazer um teste no Manchester City perto do fim do contrato. Mais do que isso: permitiu que ele jogasse pela Seleção no Sul-Americano Sub-15 faltando apenas dois meses para o fim de contrato de formação, por mais que, como afirma em sua nota oficial sobre o caso, tenha mantido a negociação.
São vários os casos de clubes que não permitiram que seus jogadores jogassem o torneio justamente por essa questão. O Atlético-PR vetou Nathan na edição de 2011 e o Cruzeiro tinha a política de não liberar jogadores para a Seleção sub-15 até o momento em que a Lei Pelé mudou e os contratos de formação puderam ser feitos a partir dos 14 anos. A CBF, mesmo no tempo em que não tinha departamento de base, sempre ouviu os clubes e vetou jogadores com contrato próximo do fim.
Sobre Vitinho, resta observar qual vai ser o futuro do meia, que hoje é um dos melhores sub-15 do país, mas, com tudo o que já cerca o seu imbróglio com o Corinthians, já está visado e terá que lidar com uma responsabilidade cada vez maior, gerada pela própria expectativa criada com a recusa de ficar no Timão e a perspectiva de fechar com o City. Resta saber se ele terá maturidade para lidar com tudo isso.
Vitinho, que fez 16 anos no dia 4 de janeiro, não tem mais vínculo com nenhum time. Em conversas com diversos dirigentes da base brasileira, o blogueiro que vos escreve percebeu que há a crença de que ele vai para o Manchester City, clube no qual ele fez testes em 2015, ainda vinculado com o Corinthians. Mas trata-se de uma impressão, não de uma informação. A transferência para o clube inglês só poderia ocorrer aos 18 anos, e até lá há muito chão pela frente.
A história de Vitinho é cada vez mais comum, e Mosquito, exemplo citado no primeiro parágrafo, é apenas um dos jogadores que, incentivados por seus empresários, priorizaram a ideia de ficar rico ainda na adolescência. O próprio Mosquito, hoje perto de completar 20 anos, tenta reerguer a carreira no Llagostera, da terceira divisão espanhola. No Corinthians, o exemplo mais ilustrativo é o de Lulinha, que brilhou no Sul-Americano Sub-17 de 2007 e fez um primeiro contrato profissional bastante vantajoso para ele.
O blog poderia passar o dia citando jogadores que eram bem remunerados na adolescência e ainda encontram problemas para se firmarem nos profissionais. Bruno Sabiá, do Palmeiras, Andrigo, do Internacional, Matheus Índio, do Vasco, todos talentosos. A lista é longa, e tem os santistas Neymar e Gabigol como exceções. O enredo do jovem que fica rico cedo e não tem maturidade para lidar com tudo o que o dinheiro pode proporcionar já é um clássico no futebol brasileiro, mas vale lembrar: até que se prove o contrário, nenhum deles colocou um revólver na cabeça de algum dirigente de clube para obrigá-los a oferecer o que eles ganhavam. Foi tudo negociado.
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O Corinthians, diga-se, está certo em não pagar esses valores. Tem um teto salarial na base e deve respeitá-lo. Mas dormiu no ponto ao permitir que seu melhor jogador sub-15 fosse fazer um teste no Manchester City perto do fim do contrato. Mais do que isso: permitiu que ele jogasse pela Seleção no Sul-Americano Sub-15 faltando apenas dois meses para o fim de contrato de formação, por mais que, como afirma em sua nota oficial sobre o caso, tenha mantido a negociação.
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Postado por
Edson Alan Melo
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7416 visitas - Fonte: Globo Esporte
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