2/7/2026 18:29

EUA congelam bens de empresário ligado ao caso Corinthians-VaideBet e ao PCC.

O empresário Victor Shimada, investigado no caso Corinthians-VaideBet, sofreu sanções dos EUA por suspeita de lavar mais de US$ 30 milhões para o PCC.

EUA congelam bens de empresário ligado ao caso Corinthians-VaideBet e ao PCC.
O escândalo que implodiu o maior patrocínio do futebol brasileiro ganhou contornos de crime transnacional e segurança externa. O governo dos Estados Unidos confirma que incluiu o empresário brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada em sua rigorosa lista de sanções econômicas. Apontado nos bastidores como um operador financeiro rústico, Shimada já é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por lavagem de dinheiro no racha que envolve os desvios do contrato firmado entre o Corinthians e a VaideBet, colocando a credibilidade do mercado de apostas totalmente em jogo.

A ofensiva de Washington bloqueia os ativos de Shimada e de sua empresa, a Victory Trading. De acordo com o Departamento do Tesouro americano, o empresário liderava, a partir da capital paulista, uma rede humana asfixiante que movimentou mais de US$ 30 milhões em recursos de origem ilícita. O dinheiro, proveniente do tráfico internacional de drogas, era lavado na Flórida com o uso de criptoativos e contava com o suporte direto de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O governo dos EUA dispara que o brasileiro funcionava como um elo crucial entre os traficantes da gringa e a facção.

No Brasil, a investigação desfaz o nó de uma cadeia financeira assustadora que se cruza com o universo esportivo. O Ministério Público admite que a Victory Trading mantinha intensa movimentação com a Wave Intermediações — firma utilizada para escoar os valores que deixavam os cofres do Corinthians. O fluxo analisado nos autos expõe o caminho rústico do dinheiro: Corinthians ? Rede Social ? Neoway ? Wave ? UJ Football Talent. Esta última empresa, de agenciamento de atletas, aparece na delação premiada do corretor Antonio Vinicius Gritzbach (assassinado em 2024) como um braço de Danilo "Tripa", apontado como liderança do PCC. O relatório da polícia não crava que Shimada seja membro da facção, mas contesta a legalidade das transações e o coloca inserido nesse fluxo de dinheiro sujo.

A Polícia Civil mapeou transações consideradas totalmente atípicas. Apenas na rabeira de março de 2024, a Wave despejou mais de R$ 13,6 milhões nas contas da empresa de Shimada em um intervalo de 48 horas. Os investigadores pegaram ainda indícios operacionais bizarros, como contas abertas na mesma agência com numeração sequencial e fotos de cadastro feitas no mesmo ambiente. Em nota, a VaideBet reage ao barulho do caso, informando que a conclusão das investigações comprova que não há nenhuma correlação entre a marca e a conduta dos acusados, lembrando que partiu dela a iniciativa de rescindir o acordo com o Timão. O espaço segue aberto para a defesa de Shimada desfazer esse ríspido impasse judicial.


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