5/6/2026 17:39
Gabi Portilho abre o jogo sobre saída turbulenta do Corinthians.
A atacante Gabi Portilho quebrou o silêncio sobre sua saída do Corinthians, criticou a falta de profissionalismo da diretoria e reafirmou cobranças por atrasos.
A ferida da saída das principais estrelas do futebol feminino do Parque São Jorge continua aberta e exposta. Meses após sua polêmica transferência para o mercado americano, a atacante Gabi Portilho quebrou o silêncio em entrevista à ESPN Brasil. A jogadora, que hoje defende o San Diego Wave, reage ao falatório recente, mantém cada palavra dita contra a diretoria alvinegra no início de 2026 e confirma que o racha com a cúpula do clube comprometeu a permanência de várias atletas, colocando a credibilidade da modalidade diretamente em jogo.
Nos bastidores da Inglaterra, em janeiro, Portilho já havia disparado que as taças "mascaravam" os problemas crônicos da gestão. Agora, ela vai além e contesta as versões oficiais dadas pelo clube sobre o fim do seu ciclo. "Muitas falas que saíram recentemente são inverdades. A gente que saiu nunca quis falar por gratidão, mas as pessoas não tiveram gratidão por isso. As mudanças foram bem radicais e não foram profissionais", desabafou a atleta. O descontentamento com o rito administrativo gerou um imenso impasse que a capitã Gabi Zanotti tentou abafar na época, justificando as críticas pelo calor do momento.
A ralação das jogadoras em campo contrasta com a sufocante crise financeira enfrentada pelo presidente Osmar Stabile. Com um passivo total que ronda os R$ 2,7 bilhões, o Corinthians convive com o fantasma dos atrasos em todas as esferas. A diretoria não conseguiu quitar os direitos de imagem de janeiro e maio na data prevista, e o clube ainda admite que seguem pendentes as premiações pelo título da Libertadores de 2025 e pelo vice-campeonato mundial na Copa das Campeãs deste ano.
Diante do caldeirão que virou o departamento, Gabi Portilho desafia o esquecimento da torcida, mas faz questão de separar os dirigentes dos profissionais da bola. A atacante cobra respeito ao trabalho que resultou em 15 títulos e 162 jogos com o manto alvinegro, destacando seu carinho eterno por Arthur Elias, Rodrigo Iglesias e Lucas Piccinato. Portilho prega paciência e avisa que o tempo vai se encargar de ditar as respostas, ciente de que peitar o marasmo político do Parque São Jorge foi o único caminho para proteger sua dignidade profissional em 2026.
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