Ao contrário do que a diretoria de Osmar Stabile esperava, a sucessão não será pacífica. Como advogado e presidente da Comissão de Ética, Pantaleão adotou uma postura técnica: ele entende que assumir o posto agora poderia torná-lo cúmplice de um ato nulo. Para ele, a reunião conduzida pelo segundo secretário (após a saída da primeira secretária) e a falta de leitura formal das acusações ferem o Estatuto Social do clube. "Eventual assunção de função não se opera de forma automática", disparou em nota oficial.
O Estopim: A Reforma do Estatuto e o Fiel Torcedor
A guerra entre Stabile e Tuma não é apenas pessoal; é uma disputa pelo futuro democrático do clube:
O Voto Popular: Tuma defende a reforma que permite ao Fiel Torcedor votar para presidente, algo que Stabile e parte dos conselheiros vitalícios tentam postergar ou modificar.
As Ameaças: Stabile acusa Tuma de coação ("ou você faz o que eu quero ou eu vou te f*der"), enquanto Tuma alega que o presidente usa mentiras para aplicar um "golpe" e retomar o controle total do Conselho.
A Data Chave: Tuma já havia marcado a Assembleia Geral para 18 de abril. O afastamento de ontem visava, na prática, anular essa convocação.
Próximos Passos: O Corinthians na Justiça
O clube encerra esta manhã com dois presidentes de Conselho: um afastado por uma votação contestada e um sucessor que não aceita o cargo.
Liminar à Vista: Romeu Tuma Júnior deve entrar com um mandado de segurança nas próximas horas para anular a reunião de segunda-feira.
Paralisia Institucional: Sem um presidente de Conselho reconhecido por todas as partes, contratos de patrocínio e a própria reforma do estatuto ficam juridicamente vulneráveis.
Risco à Gestão Stabile: Se a Justiça der razão a Pantaleão e Tuma, a manobra de Stabile pode ser lida como abuso de poder, isolando ainda mais o mandatário no Parque São Jorge.
O Corinthians de 2026 vive sua maior crise política desde a renúncia de gestões passadas. Se a intensidade dentro de campo com Dorival Júnior já é testada pelos desfalques, a organização tática nos bastidores está completamente desfeita. A Fiel agora aguarda o veredito do Tribunal de Justiça de São Paulo para saber quem, afinal, manda no Conselho Deliberativo.