Das 18h30 de domingo, quando começa o jogo contra o Santos pela semifinal do Campeonato Paulista, até lá pelas 23h30 de quarta-feira, quando termina o duelo de volta com o Barcelona pela terceira fase prévia da Libertadores, serão definidos os caminhos deste primeiro semestre do Corinthians . Não precisava ser assim: a derrota por 3 a 0 nesta quarta-feira, no Equador, evidenciou a perda de rumo daquela que parecia ser uma das equipes mais consistentes do início de temporada no Brasil.
A paralisia do time, em contraste com o ótimo fim de 2024 e o começo promissor (ou talvez enganador) de 2025, já se mostrava nos últimos jogos. Desde a vitória de 2 a 1 sobre o Santos, em 12 de fevereiro, o Corinthians entrou em uma rotina de atuações insuficientes – amenizadas pela boa vitória de 2 a 0 sobre o Mirassol nas quartas de final do Paulistão. Os sinais mais preocupantes foram vistos na Libertadores, com o Timão penando para eliminar a Universidad Central da Venezuela. Mas nada foi pior do que a atuação contra o Barcelona.
O Corinthians foi nulo no Equador. O esquema tático usado por Ramón Díaz no primeiro tempo, com três zagueiros, calou o setor ofensivo do time, onde está concentrada sua maior qualidade. Garro, Memphis e Yuri Alberto mal viram a bola. Não houve uma finalização sequer no período. No segundo tempo, com a derrota parcial de 1 a 0, o treinador fez uma troca correta, desfazendo o esquema de três zagueiros e colocando Carrillo (no lugar de João Pedro Tchoca) para fortalecer o meio.
Mas depois errou ao colocar Romero no lugar de Garro, passando o time para um 4-3-3 e novamente fragilizando o miolo da equipe. Para piorar, o Corinthians cometeu uma série de erros individuais, como no pênalti de Tchoca no fim do primeiro tempo – uma mistura de lentidão e imprecisão. Mas não foi só isso. Gustavo Henrique fez um gol contra – anulado por impedimento –, Memphis perdeu uma chance clara, a troca de passes jamais fluiu, a marcação esteve sempre atrasada. O Timão foi passivo: permitiu que o adversário jogasse como bem entendesse.
A diferença entre os jogos contra a Universidad Central e a partida contra o Barcelona esteve na capacidade do adversário, não no Corinthians. O time equatoriano tem qualidade, trama jogadas com naturalidade, se movimenta de forma ordenada. Não por acaso, está há 15 jogos invicto. Justamente por isso, só a loucura salva o Corinthians na busca por uma vaga na fase de grupos da Libertadores. A torcida lotará o estádio, como vem fazendo com uma fidelidade notável (são 25 jogos seguidos com mais de 40 mil pessoas em Itaquera), e apoiará como sempre apoia.
Fará da partida uma final, criando o clima excepcional que pode dar uma sobrevida à equipe. Vem daí a esperança de que ainda é possível. E antes tem o Santos, justamente o adversário da lembrança mais recente de uma atuação categórica do Timão. O porém é que o time de Neymar fez uma curva oposta à do Corinthians: desde o clássico, tem quatro vitórias em quatro jogos – e com o camisa 10 melhorando seu rendimento e começando a se tornar decisivo.



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