Patrocínio da Vai de Bet na camisa do Corinthians Imagem: Ettore Chiereguini/Agif A Polícia Civil convocou o dono da Vai de Bet, José André da Rocha Neto, para depor no inquérito que investiga possível lavagem de dinheiro e repasses à "laranja" em patrocínio da casa de apostas ao Corinthians. O que aconteceu Na última quinta-feira (31), o delegado Tiago Fernando Correia encaminhou o ofício ao proprietário da Vai de Bet para realizar uma oitiva online. A investigação é conduzida por Correia na 3ª Delegacia do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), em São Paulo. Inicialmente, Rocha Neto foi convocado como testemunha no caso envolvendo o patrocínio ao clube paulista. No entanto, ele é alvo da Operação Integration, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco contra um esquema de lavagem de dinheiro em empresas de apostas esportivas.
Além do dono, o diretor financeiro da empresa, André Murilo de Barros Paz Bezerra, também foi chamado a depor por videoconferência. Em depoimentos anteriores de testemunhas do caso, André é citado como parte das negociações entre Corinthians e Vai de Bet. O UOL conversou com fontes da polícia que acreditam que os depoimentos de ambos serão fundamentais para os próximos passos da investigação.
O departamento jurídico do Corinthians foi notificado pela segunda vez pela Policia Civil. A primeira solicitação não foi respondida. No ofício, enviado também na última quinta-feira (31), o delegado questiona o clube a respeito dos R$ 56 milhões pagos pela Vai de Bet ao clube por meio de intermediadoras financeiras que não constavam em contrato e não autorizadas. Além disso, a polícia solicita e-mail ou outra forma de contato de Luís Ricardo Alves, o Seedorf, superintendente financeiro do Corinthians, para notificá-lo do novo depoimento por videoconferência. No último dia 4 de setembro, Alves teve sua oitiva suspensa por ação deliberada de seu advogado em direcionar as respostas.
Em setembro, a reportagem do UOL revelou detalhes do depoimento de Rui Fernando, advogado que prestava serviços ao clube desde 2019. Em seu relato, o advogado disse à polícia que a Vai de Bet usou três empresas que não constavam no contrato para transferir R$ 56 milhões ao Corinthians. Dois dos CNPJs das intermediadoras usadas pela casa de apostas são ligados à Pagfast EFX Facilitadora de Pagamentos e o outro pertence à OTSafe - Intermediação de Negócios. Segundo a cláusula 3.4.1 do contrato, a Vai de Bet só poderia utilizar as intermediadoras Zelu Brasil e a Pay Brokers — inclusive, ambas foram alvos da Operação Integration, da Polícia Civil de Pernambuco. A condição foi acrescentada justamente para que o clube pudesse fazer a "checagem cadastral" das intermediadoras que surgissem após a assinatura do contrato. Caso a Vai de Bet desejasse pagar o clube por meio de outras financeiras, teria de solicitar a autorização por escrito com antecedência. Rui afirmou que tais solicitações nunca foram feitas, e a equipe não notificou a patrocinadora pelo descumprimento do acordo. Dos R$ 66 milhões que o clube recebeu em cinco meses, apenas R$ 10 milhões foram remetidos por uma das empresas previamente autorizadas, no caso, a Pay Brokers. As informações foram obtidas em planilha financeira anexada aos autos e já haviam atraído a atenção dos investigadores. Porém, o relato do advogado reforçou as suspeitas a respeito das transações.



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