A Polícia Civil de São Paulo avança nas investigações sobre suposta lavagem de dinheiro e outras possíveis irregularidades no contrato entre Corinthians e a casa de apostas VaideBet, ex-patrocinadora do clube. Na última quinta-feira, o delegado Tiago Fernando Correia, responsável pelo caso, notificou a VaideBet sobre oitivas com dirigentes da companhia. Ele marcou para os dias 12 e 13 deste mês os depoimentos de José André da Rocha Neto, proprietário da empresa, e de André Murilo, diretor financeiro. Esta é uma etapa considerada fundamental para o inquérito, que já dura cinco meses. Outro passo decisivo para a investigação do caso é a análise de movimentações bancárias da Neoway Soluções Integradas, empresa apontada como sendo de fachada pela Polícia Civil e que teria recebido parte da comissão do contrato entre Corinthians e VaideBet. A Justiça determinou a quebra de sigilo bancário da Neoway em julho , mas até agora a Polícia ainda não obteve todas as informações que busca junto às instituições financeiras. Os investigadores já ouviram diversos ex e atuais membros da diretoria do Corinthians , mas ainda aguardam para convocar pessoas consideradas fundamentais para elucidar o caso, como o presidente do clube, Augusto Melo, o diretor administrativo Marcelo Mariano e o ex-superintendente de marketing Sérgio Moura.
No mês passado, o Corinthians foi notificado para prestar esclarecimentos quanto ao recebimento de R$ 56 milhões por três intermediadoras: Otsafe – Intermediação de Negócios; e dois CNPJs diferentes da Pagfast EFX Facilitadora de Pagamentos. No contrato, a VaideBet era autorizada a utilizar como intermediadoras de pagamento a Zelu Brasil ou Pay Brokers, alvos da Operação Integration da Polícia Civil de Pernambuco. A casa de apostas transferiu R$ 10 milhões ao clube via Pay Brokers. Caso a antiga patrocinadora utilizasse intermediadoras de pagamentos diferentes, a empresa deveria pedir autorização por escrito e contar com aprovação prévia do Corinthians . Procurado pelo ge na ocasião, o clube disse ser o “maior interessado no esclarecimento do tema”, uma vez que é a “principal vítima de qualquer eventual irregularidade”. O Timão informou que vem colaborando ativamente com as investigações e segue à disposição das autoridades.
Entenda o caso A Polícia investiga desde maio deste ano o repasse de valores da comissão do patrocínio da VaideBet ao Corinthians a uma empresa fantasma. O inquérito foi aberto após denúncia feita pelo "Blog do Juca Kfouri" de que a Rede Social Media Design, empresa que intermediou o contrato, supostamente repassou R$ 900 mil à Neoway Soluções Integradas em Serviços Ltda. Esta empresa está no nome Edna Oliveira dos Santos, que nem sequer saberia da existência da mesma. A Polícia já identificou relação da Neoway com outras empresas fantasmas. As suspeitas relacionadas ao caso levaram a VaideBet a romper o contrato com Corinthians pelo que considerou danos à sua imagem. A rescisão foi realizada em 7 de junho. O acordo, assinado em janeiro, tinha validade até o fim de 2026 e previa o pagamento de R$ 370 milhões no total.



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