É impossível analisar a eliminação do Corinthians para o Racing, na semifinal da Copa Sul-Americana, sem passar pelas escolhas de Ramón Díaz nos dois jogos. Tal qual em Itaquera, no duelo de ida, o treinador mexeu mal e fez com que a equipe caísse de rendimento com suas substituições na derrota por 2 a 1, no El Cilindro. No primeiro jogo, com a lesão de José Martínez ainda na etapa inicial, ele optou por Romero, perdendo o controle do meio de campo. O erro foi ainda mais grave em Buenos Aires, quando aos 22 minutos do segundo tempo a equipe passou a jogar com quatro atacantes e apenas dois meio-campistas. 11 minutos depois o técnico tentou corrigir o erro, com a entrada de Igor Coronado no lugar de Memphis Depay, que embora cansado era um dos melhores do Corinthians em campo.
Num roteiro repetido da semifinal da Copa do Brasil contra o Flamengo (quando erros de Ramón também ficaram expostos), a equipe chegou a ter mais de 70% de posse de bola, mas não conseguiu ameaçar o adversário. Deu apenas um mísero chute na etapa final. Impressiona a sequência de decisões equivocadas de Ramón neste momento agudo da temporada. Porém, assim como não se pode ignorar o papel decisivo do argentino nas eliminações recentes, seria injusto, incorreto e improdutivo tratar o treinador como único ou maior vilão do Corinthians. Ramón ocupa hoje o papel que outrora foi de Vanderlei Luxemburgo, Mano Menezes e tantos outros técnicos que passaram nos últimos anos por este clube extremamente mal gerido.
Qual ideia de jogo buscava o Corinthians quando contratou Ramón Díaz? Era a mesma que tinha quando buscou António Oliveira cinco meses antes? Ou tinha mais semelhanças com Márcio Zanardi, o plano A no começo da temporada? Não há projeto esportivo - e não é de hoje. Já há algum tempo o clube parece buscar seus treinadores baseado em pressões diversas, que vão desde as redes sociais, passando por conselheiros e torcedores organizados. Procura-se um salvador, um escudo para a diretoria ou o tal "fato novo", na ânsia de que o técnico consiga corrigir ou mascarar erros da diretoria.
Sim, se Garro tivesse finalizado melhor ou tocado aquela bola para Yuri Alberto, aos 22 minutos do primeiro tempo, a história muito provavelmente seria outra. Ou se Martínez não tivesse dado um carrinho de braços abertos no lance do pênalti, se André Ramalho não tivesse espirrado o taco e cedido o lateral na jogada que originou a virada... Erros bobos tiraram o Timão da final. Mas não são eles que explicam o maior jejum de títulos do clube desde 1977 e sim a sucessão de problemas administrativos nos últimos anos.



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