Dias antes de Neymar dominar o noticiário na Arábia Saudita, uma equipe de televisão local dedicou parte de sua programação para uma reportagem gravada em maio com o ex-jogador brasileiro Elton.
Levado a uma fazenda de criação de camelos, o ex-jogador de 37 anos declarou seu amor pelo animal e pela Arábia Saudita, que foi sua casa por dez anos. A identificação é tanta que, nas redes sociais, ele adotou o sobrenome "Arábia". Já em sua casa, em Maceió, mandou fazer uma escultura de camelo:
– Eu queria colocar algumas coisas para representar a Arábia Saudita, e decidi com a minha esposa que seria um camelo. Todo mundo que passa no condomínio pensa que eu sou árabe (risos).
Elton Arábia abraça camelo em reportagem na Arábia Saudita — Foto: Reprodução de vídeo
Elton Arábia abraça camelo em reportagem na Arábia Saudita — Foto: Reprodução de vídeo
Ao todo, Elton defendeu quatro equipes no país. Seu maior destaque foi pelo pequeno Al-Fateh:
– Fiz muito sucesso, saí da Arábia Saudita em 2019 e até hoje sou muito bem quisto. Todo ano o pessoal do governo me leva para passar um mês lá. O respeito que eles têm por mim é muito gratificante. A Arábia Saudita é meu segundo país, tenho vontade de voltar e acabar o resto da minha vida lá. Amo muito a Arábia. É o melhor lugar do mundo – afirmou o ex-jogador.
– Claro que quando digo isso, digo em relação a mim. Sei que tem vários jogadores que vão lá e não de adaptam, mas a Arábia tem tudo o que tem no Brasil e é um dos países mais seguros do mundo, com muitos lugares para sair com a família. Pra mim, um país maravilhoso.
Elton com seu camelo na porta de casa, em Maceió — Foto: Arquivo pessoal
Elton com seu camelo na porta de casa, em Maceió — Foto: Arquivo pessoal
Chamado de "Maradoninha" no início da carreira, o ex-meia foi vendido pelo Corinthians ao Steaua Bucareste, da Romênia, em 2006. Seis meses depois, foi negociado com o Al-Nassr, time que hoje tem como principal estrela o português Cristiano Ronaldo. Foi o início de sua aventura na Arábia:
– O primeiro ano no Al-Nassr foi bem complicado por não falar árabe e não saber inglês. No fim deste ano, conheci minha esposa Ravilla, com quem tenho três filhos, ela trabalhava na embaixada do país e me ajudou muito na adaptação. Tinha contrato de três anos no Al Nassr, mas fiquei dois, porque mudou o sheik. Fui para o Al-Fateh, onde fiquei por cinco temporadas. Em 2013, fomos campeões do maior campeonato da Arábia e de uma Copa do Rei em que fui o melhor jogador do país.
– Joguei também três anos no Al-Qadisiyah e um ano no Al-Wehda. Foram quatro clubes na Arábia Saudita. Joguei ainda no Al-Wasl, de Dubai, nos Emirados Árabes, e no Dubai Clube, onde fiquei um ano. E no Catar joguei por um ano no Al-Rayyan. Foram 12 anos neste mundo árabe – completou.
Elton, claro, aprova a escolha de Neymar pelo Al-Hilal. O craque da seleção brasileira deixou o PSG, da França, para se juntar ao elenco do técnico Jorge Jesus. O brasileiro receberá um total de 160 milhões de euros (R$ 860 milhões) por seu contrato de duas temporadas com o clube saudita.
– Eu gostei, foi uma boa. A liga da Arábia vai ser uma das mais vistas, pelos recursos, pelo dinheiro, eles querem chamar a atenção para a Arábia Saudita. Eu queria, estava torcendo para ele fosse pra lá. Outros jogadores do nível dele ainda vão. A liga vai ficando forte. Não é fim de carreira, ele tem 31 anos ainda, com certeza vai jogar mais uma Copa, a ida dele para a Arábia não vai influenciar nisso. E uma proposta desta ninguém recusaria. Acho que 100% das pessoas iriam pela proposta que ele teve.
Elton com Danilo e Zé Augusto em visita recente ao Corinthians — Foto: Reprodução
Elton com Danilo e Zé Augusto em visita recente ao Corinthians — Foto: Reprodução
Embora Elton exalte a vida na Arábia Saudita, o país é criticado mundialmente pelo desrespeito aos direitos humanos, principalmente por ser contra a liberdade religiosa e de orientação sexual. As mulheres também sofrem com o regime do estado, onde não há também liberdade política.
Abaixo, veja mais trechos da entrevista com Elton:
ge: Quais são as suas principais lembranças da época de Corinthians? Como foi ser um jogador da base em meio a tantos craques da MSI, como Tevez, Mascherano e Carlos Alberto?
Elton : – No Corinthians, joguei três Copas São Paulo, em 2003, 2004 e 2005. Fomos bicampeões nestas duas últimas. Subi novo ao profissional num time que tinha os melhores jogadores do país. Só tenho boas lembranças, joguei algumas partidas (15). Era um sonho realizado estar naquele elenco. Não à toa fomos campeões brasileiros. Tevez era mais de boa, ficava no canto dele. Lembro que me deu conselhos. O Carlos Alberto já era campeão da Champions League, lembro que me deu moral.
Você construiu uma carreira longa na Arábia Saudita. Como vê o futebol do país?
– É um futebol muito ágil e rápido, parecido com o futebol brasileiro. Por isso que dentro de campo me adaptei rapidamente. Tem grandes jogadores locais. O futebol árabe vem crescendo. Cheguei em 2007 e desde então só vi evolução dos jogadores e também da federação. Não à toa eles estão levando os melhores jogadores do mundo. Daqui a uns anos, o campeonato será um dos mais vistos do mundo.
Como vê a história que Cristiano Ronaldo tenta escrever no Al-Nassr?
– Acho que ele foi para o time certo, é o maior do país, um clube que em joguei por duas temporadas e que me identifiquei muito. Ele fez a escolha certa, a visibilidade do futebol saudita aumentou, foi uma repercussão grande. Hoje até no Brasil tem garotos com a camisa do Al-Nassr e isso me deixa muito feliz. Querendo ou não, fiz parte da história deste clube. Eu queria estar jogando agora, fui pra lá na época errada (risos). Mas foi muito bom lá. Fico muito feliz pelo crescimento da liga da Arábia Saudita.
Élton Arábia e Cristiano Ronaldo — Foto: Élton Arábia/Arquivo pessoal
Élton Arábia e Cristiano Ronaldo — Foto: Élton Arábia/Arquivo pessoal
Quais foram seus momentos mais importantes na Arábia Saudita?
– Tive muitos jogos importantes, fiquei dez anos lá. Me recordo de dois: um na final da Copa do Rei em que fiz o gol do título do Al Fateh, numa vitória por 3 a 2 na prorrogação. Recebi uma bola na entrada da área e chutei. E o outro momento foi um gol de empate que deu à nossa equipe naquele ano o impulso pra ser campeão saudita.
Na sua visão, qual o seu tamanho entre os brasileiros da Arábia Saudita? Hoje temos Romarinho, Fabinho, Anderson Talisca, Michael e agora Neymar por lá...
– Sempre teve muitos brasileiros jogando por lá e jogadores excepcionais. Eu estou entre os cinco com certeza. Não vou me colocar em primeiro, segundo, mas entre os cinco eu estou. Dos brasileiros que passaram lá, ninguém fez o que eu fiz: pegar um time que subiu, um time pequeno (Al-Fateh), e ganhar a liga vencendo os cinco clubes grandes. Me boto num patamar mais alto por esse feito.
São famosas histórias de premiações em dinheiro, carros e joias para jogadores. Você viveu isso?
– Já recebi dinheiro da torcida, já ganhei carro de príncipe, relógio, mas teve outros jogadores que vi ganhando carros e relógios absurdos. Realmente tem isso na Arábia.
Élton Arábia e o filho visitam o Al-Nassr — Foto: Élton Arábia/Arquivo pessoal
Élton Arábia e o filho visitam o Al-Nassr — Foto: Élton Arábia/Arquivo pessoal
A proibição do consumo de bebida alcoólica costuma ser um problema para alguns jogadores brasileiros. Como você lidava com isso?
– Eu sempre gostei de beber minha cervejinha, mas isso não me atrapalhou em nada. Por não ter baladas e álcool, eu me cuidava mais e meu desempenho era melhor. Mas tem muitos jogadores que não se adaptam por causa disso. Ficam seis meses e acabam rescindindo o contrato. Pra mim, nunca atrapalhou. Sem contar que Dubai é do lado, tem o Catar, o Bahrein, todos países próximos que liberam álcool. Então, era uma horinha de voo e a gente aproveitava lá. Nunca foi um problema.
E além disso, você teve algum outro choque de cultura no país?
– No meu primeiro ano teve um episódio que me assustou e me ajudou a entender a cultura do país. Eu estava no shopping e vieram umas mulheres tirar foto comigo, algo que não podia acontecer. Eu quase fui preso, a polícia veio, tive que ligar para o príncipe. Foi bem constrangedor.
Além da experiência na Arábia Saudita, você jogou no Al-Rayyan, do Catar, um clube que o atacante Róger Guedes acabou de ser vendido pelo Corinthians. O que achou dessa escolha dele?
– O Al-Rayyan é um clube muito grande do Catar, não é o maior que tem lá, que é o Al-Saad, mas vem logo atrás. Tem uma estrutura fora de série, um clube grande, e apoio muito a ida do Róger para lá. Oportunidade como essa todo jogador espera. Sei que alguns torcedores ficam chateados, mas nossa carreira é muito curta. Acho que ele fez certo de ter ido. Ele deixou portas abertas no Corinthians.
Elton arábia — Foto: Reprodução/Instagram
Elton arábia — Foto: Reprodução/Instagram



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