A Conmebol suspendeu Sebastián Avellino Vargas, preparador físico do Universitario , do Peru, por dez jogos por causa dos gestos racistas na Neo Química Arena na partida contra o Corinthians pelos playoffs da Copa Sul-Americana. A punição é válida somente em partidas de competições organizadas pela entidade máxima do futebol do continente.
A decisão, anunciada nesta quinta-feira, foi tomada com base no artigo15.1 do código disciplinar da Conmebol. Segundo o trecho em questão, "qualquer jogador ou oficial que insultar ou atentar contra a dignidade humana de outra pessoa ou grupo de pessoas, por qualquer meio, tendo como motivos a cor da pele, raça, sexo ou orientação sexual, etnia, idioma, credo ou origem, será suspenso por pelo menos dez (10) partidas ou por um período mínimo de quatro (4) meses".
A pena aplicada no preparador físico do Universitario é a menor possível de acordo com o código disciplinar da entidade. Isso se deve pelo fato de Sebastián Avellino ser primário na infração. Em caso de reincidência, Avellino pode ser suspenso por até cinco anos e receber outras sanções de acordo com o regimento da Conmebol.
Além da punição da Conmebol, Sebástian Avellino responde por dois crimes na justiça brasileira. O profissional do time peruano nos processos em que é acusado de incitar e praticar discriminação ou preconceito contra cor, raça ou etnia e também o de promover tumulto e incitar a violência.
Também nesta quinta-feira, a Conmebol anunciou que assinou uma aliança para o combate ao racismo em suas competições. Depois de diversos episódios de discriminação em suas competições, a entidade firmou acordo com o Observatório da Discriminação Racial no Futebol.
"A CONMEBOL tem trabalhado para consolidar espaços livres de qualquer tipo de violência, minimizar qualquer expressão de racismo e discriminação no futebol da América do Sul e defender os valores positivos que são a base deste esporte. Essa aliança, sem dúvida, nos dará mais e melhores ferramentas para continuar avançando esses objetivos e levantando nossa voz, conscientizando e focando corretamente nossas iniciativas para enfrentar esse desafio", disse Alejandro Dominguez, presidente da CONMEBOL.
"Estamos muito satisfeitos em iniciar essa parceria com a CONMEBOL e unir forças para gerar maior inclusão social e eliminar a violência e a discriminação racial do esporte. Estamos otimistas de que os resultados serão alcançados, com ações importantes e continuas", Marcelo Carvalho, fundador do Observatório da Discriminação Racial no Futebol.
Avellino foi flagrado fazendo gestos racistas para a torcida do Corinthians no jogo de ida entre o time paulista e o Universitário pelos playoffs para as oitavas de final da Sul-Americana . Após a partida, o preparador físico passou por audiência de custódia no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, foi preso preventivamente e, desde então, a defesa do clube buscou o habeas corpus para o caso.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ofereceu duas denúncias à Justiça contra o profissional: por racismo, com punição prevista de até cinco anos, e de promover tumulto e desordem em eventos esportivo, que pode acarretar em até dois anos de detenção, segundo a Lei Geral do Esporte.
No documento ao qual o Estadão teve o acesso, o promotor Pedro Henrique Pavanelli Lima pede a manutenção da prisão preventiva de Avellino no País até a sentença da Justiça. Preso em flagrante ainda no estádio em Itaquera, o profissional teve seu pedido de habeas corpus negado na última semana. Por não ter laços com o Brasil, o MP entende que é importante que o acusado siga no País até a conclusão do processo.
Na decisão desta quinta-feira, no entanto, o juiz Antonio Maria Patiño Zorz, do TJ-SP, entendeu a gravidade do ocorrido, mas ressaltou que a liberdade de Avellino não coloca em risco a ordem pública, ou seja, um perigo para a sociedade. Desta forma, o preparador físico volta para o Peru e responde o processo de lá.
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