Até onde pode chegar esse Corinthians nas mãos do técnico Vanderlei Luxemburgo? O treinador estava afastado da tarefa de comandar um time e agora parece ter superado aquela desconfiança inicial para recolocar o Corinthians no cenário brasileiro. Vai tentar avançar na Sul-Americana diante do Newell"s e depois na Copa do Brasil, contra o São Paulo. Ganhar é outra coisa. Desses técnicos que andam entrando e saindo dos clubes, quase que pela mesma porta, tão rápidas são suas permanências, Luxa até que está se sustentado, com todas as suas trapalhadas nas entrevistas coletivas e a ainda dúvidas de muitos se, na verdade, não é o time que joga sozinho ou se jogaria da mesma forma com ou sem ele.
Luxemburgo assumiu o Corinthians sob o olhar enviesado do torcedor. Para muitos, ele já estava aposentado do futebol, metido em outros projetos comerciais e até mesmo na política do Tocantins. Seu papel nesta temporada tem sido de recuperar jogadores, apostar em atletas da base, formatar um time minimamente competitivo e tentar acalmar os nervos do torcedor.
Também foi contratado para tirar do foco todas as mazelas do clube, e são muitas, desde as dívidas, passando por atrasos nos salários e direitos de imagens até as broncas contra o presidente Duílio Monteiro Alves. Ele sempre se prestou a isso. Nunca se escondeu da política dos clubes. Sem quis mais do que apenas ficar à beira do gramado. É exatamente isso o que está fazendo no Parque São Jorge. Vai ajudar a perpetuar o comando que vem lá de trás de Andrés Sanchez.
Já são 16 anos no poder. E no fim do ano há novamente a possibilidade de a situação fazer mais um presidente. Se isso acontecer e o time não der vexame, como cair para a Série B, é bem provável que Luxa emplaque mais uma temporada no comando.
Mas o que o "estrategista" fez no Corinthians? Nada demais, por ora. Ele manteve a defesa de anos, exceto pela chegada de Murillo antes dele ainda. Escala Renato Augusto sem praticamente passar uma instrução sequer ao jogador, experiente que é. E tentou Róger Guedes em algumas posições até o atacante platinado dizer a ele que preferia atuar pela esquerda. Guedes nem está mais no elenco.
Luxa ainda não recuperou a boa fase, se é que isso é possível, de Yuri Alberto, que só tem 22 anos. Achou o Moscardo como volante e talvez essa tenha sido a grande obra do treinador nesta nova passagem. E há ainda Matías Rojas para ajudar a aflorar. Seu olhar corre a base para encontrar novos talentos. Conheço ao menos um que ele ainda não chamou, Breno, mas já sabe que existe.
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Luxemburgo tenta agora o que se pode chamar de fase 2 do seu projeto ou 3: resgatar jogadores formados, mas encostados, como Romero, Giuliano, Fausto Vera... Todos esses que já tiveram suas chances e não responderam bem com ele e com os outros treinadores antes dele. O torcedor espera ainda que haja uma fase 4, alguma formação diferente como nos velhos e bons tempos, quando Luxemburgo tirava uma carta do colete e ganhava o jogo com ela.
Até agora, há mais transpiração neste Corinthians do que qualquer outra qualidade, até mesmo técnica. Mas como o futebol anda medíocre e todos se contentam com pouco, e cada vez menos, diria para vocês que Luxemburgo, em meio a essa cegueira coletiva à beira do gramado, salvo raras exceções, está na média, nem ao céu, onde já esteve, nem ao inferno, que também conhece bem.
Boa conversa, divertido, meio maluco, com algumas bandeiras e de alguns sorrisos também... e assim ele vai se mantendo no cargo, muito melhor, por exemplo, do que Paulo Turra, demitido no Santos, ou ainda do que Mancini, que perdeu o emprego no América-MG.
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