Vanderlei Luxemburgo admitiu o sentimento de frustração do Corinthians pelo empate por 2 a 2 diante do Internacional, no Beira-Rio, na noite deste sábado. O Timão vencia por 2 a 1 até os acréscimos, mas num cruzamento para a área, Luiz Adriano conseguiu o gol que fechou o placar.
– Hoje foi importante o que aconteceu. Há dois meses íamos comemorar esse empate, hoje saímos frustrados, e isso é uma evolução. A vitória seria excelente, mas falei para eles não abaixarem a cabeça. Esse é um resultado do nosso trabalho. Tivemos resultados que o pessoal não acreditava – analisou Luxa.
Na visão do treinador, faltou ao Corinthians manter a bola no ataque para queimar o tempo nos instantes finais. Sem fazer isso, o Internacional conseguiu se manter vivo em busca de um gol.
– O termo que eu usei na fala de final de jogo foi: tem que furar a bola, estávamos com um a mais. Era levar a bola para o ataque, sofrer uma falta, fazer o que precisava. Eu ia fazer duas substituições (Felipe Augusto e Wesley), saiu o gol de pênalti e eu mudei (entraram Roni e Bruno Méndez). Fechei a casa. Num lance fortuito, saiu o gol do Inter. É importante o sentimento de frustração de que a vitória poderia ter saído – declarou.
O técnico, porém, reclamou dos acréscimos dados pelo árbitro Wagner do Nascimento Magalhães, que deu seis minutos na primeira etapa e 11 no segundo tempo, quando saiu o gol do Inter.
– Nós não tivemos jogo hoje para tanto acréscimo, foram 17 minutos para um jogo que não teve porrada, não teve tanta interrupção. Ele deu 17 minutos quando não aconteceu absolutamente nada, não entendi, não consegui entender – falou o técnico.
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Luxemburgo em Inter x Corinthians — Foto: Maxi Franzoi/AGIF
O resultado manteve o Corinthians numa posição intermediária na tabela (14º), agora com 20 pontos. O Timão, é bom lembrar, tem um jogo a menos na tabela, contra o Grêmio.
– Lá atrás nós não fomos bem e deixamos escapar muitos pontos e agora não podemos mais deixar, por isso tem que valorizar a frustação de hoje. Em outros jogos poderíamos ter ganho e tudo poderia ser diferente. Nos perdemos muitos pontos que não poderíamos perder, temos que virar o turno numa posição boa e valorizar o ponto ganho hoje – falou Luxemburgo.
O treinador foi perguntado sobre Yuri Alberto, que não conseguiu finalizar na partida. O jogador, porém, foi importante ao sofrer o pênalti que gerou o segundo gol do Corinthians.
– Quem fez o gol jogo passado? Quem sofreu o pênalti hoje? O Yuri sofreu o pênalti, e você fala que com a saída do Róger Guedes ele não chamou a responsabilidade. Vou divergir de você.
O Corinthians volta a campo na terça-feira, às 21h30 (de Brasília), em Rosário, na Argentina, no segundo jogo das oitavas da final da Copa Sul-Americana. Na ida, em Itaquera, venceu por 2 a 1. Agora, portanto, pode empatar para avançar de fase.
– A minha história: em 92, eu peguei aquele time do Flamengo que tinha Marcelinho, Paulo Nunes e uma série de jogadores e coloquei todo mundo pra jogar. O pessoal tem que entender que no negócio futebol, o maior ativo de um clube está ai. É um risco que se corre colocá-los para jogar (jovens), pois três jogos ruins de um jovem pode acabar queimando ele. Mas é um trabalho a ser feito. Aqui eu não vou discutir isso. Nós estamos muito mal no futebol brasileiro e vocês não estão dando ênfase a isso.
– Estamos formando jogadores para jogar no futebol europeu, temos mais de 50% de treinadores estrangeiros, será que cabe tanto europeu aqui no Brasileirão? Será que não poderíamos ter mais treinadores brasileiros jovens com nossa identidade? Não somos europeus, nossa característica é diferente, estamos querendo transformar o futebol brasileiro em europeu. Como vamos recuperar nossa essência de futebol? Onde estão os ex-jogadores nas categorias de base? Com todo respeito: para jogar futebol o cara não precisa falar bonito, ele precisa saber dar um passe, um lançamento, e o ex-jogador sabe fazer isso. Estão colocando professores no lugar, nada contra os professores.
– Falei que não tínhamos elenco, mas era sobre uma desconfiança da base, eles conquistaram a confiança do torcedor, a minha e a dos companheiros. Hoje teríamos um cenário diferente na Libertadores, tenho mais conhecimento do elenco e isso muda muito. Trocar pneu de carro andando é difícil.
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