Depois da vitória sobre o Liverpool-URU na última quarta-feira (28), o presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves, concedeu entrevista exclusiva à ESPN durante o Sportscenter desta quinta (29).
O dirigente abriu o jogo sobre o planejamento financeiro da equipe, dívidas atuais do clube, busca por reforços e muito mais. Veja abaixo um resumo de tudo que foi dito pelo mandatário corintiano.
"Depende muito do momento. A gente tem que analisar. Não tem conhecimento de quando vão ser esses jogos, quem é o adversário, como é o mando. O que a gente tem que deixar muito claro é que temos sequências de jogos, não dá para analisar um jogo único. Temos uma situação no Brasileiro nada confortável, que nos incomoda e não queremos deixar lá na frente uma situação assim. Já ligou o alerta. Pensando na sequência de jogos desde ontem, com a Libertadores, a gente joga domingo às 11h com o Red Bull em casa. Na quarta seguinte as quartas da Copa do Brasil em Minas, depois o Atlético-MG fora no domingo. Então é impossível o mesmo time fazer uma sequência dessas. A Sul-Americana não dá para falar hoje. Se tiver melhorado no Brasileiro e puder colocar força máxima na Sul-Americana, a gente vai fazer. Corinthians não quer descartar nenhum campeonato. Sendo transparente com a torcida, não tem elenco para três campeonatos jogando quarta e domingo. Não está tendo rendimento, todo mundo vê".
"Nós fomos bem, mas também usamos escalações disputar para ganhar a Libertadores. A preocupação era ter risco de lesões, jogos seguidos no Brasileiro, sempre intensos".
Presidente do Corinthians concedeu entrevista exclusiva durante o SportsCenter desta quinta-feira (29)
"Não entendo assim. Corinthians tem uma quantidade de atletas, de 30 a 32 no profissional, meninos que vêm subindo e evoluindo. Não que não temos condições de jogar as três, mas, pelo momento do Brasileiro, a gente acha importante priorizar para que não sofra lá na frente. Precisa pensar no futuro do clube. Pensar em rebaixamento eu não penso, mas tem que tomar cuidado, porque seria um prejuízo financeiro muito maior. Você tem que pensar qual o jogo mais importante do momento para saber que atletas usamos em determinados jogos. Outros clubes têm até menos jogadores que a gente, sofrem com lesões, mas o resultado aparece. Muitas vezes o planejamento é discutido pelo resultado que a gente teve".
"Entendo que as críticas são feitas após os resultados. Ano passado, elenco era praticamente o mesmo e fizemos boas campanhas, tanto na Libertadores, na final da Copa do Brasil, 5º lugar do Brasileiro. Os jogadores que chegaram foram elogiados por todos, era um grande time. No início de 2021 até agosto fiquei sem nenhuma contratação, fiz várias saídas de atletas. Quando se faz um planejamento, envolve muitas outras coisas que não são só o campo. O clube tem problemas financeiros e não tem dinheiro para contratar. Corinthians fez dois anos com bons jogos, a torcida gostou e se encheu de esperança. Ano passado bateu todos os recordes de público na Arena e de venda de camisa. É um elenco caro, mas que a gente montou praticamente sem investimento, tirando Fausto Vera e Yuri Alberto. Depois que as coisas não funcionam, lógico que vamos vendo as carências, mas sempre em cima disso. Me comprometi a fazer, estou sofrendo com a pressão, com a torcida, a imprensa, com todos. Mas não vou fazer nada diferente do que o Corinthians precise. Tem que ter responsabilidade, usar os ativos do clube, trazer jogadores como o Matías Rojas, que a gente conseguiu trazer por um valor razoável. Buscamos outras assim para reforçar, mas sem loucuras. Enxergo que o Corinthians tem um grande time e fez grandes jogos. O que tem agora é chegar no equilíbrio, porque fizemos bons jogos e outros péssimos. Qualidade existe, o Vanderlei teve tempo de trabalhar, então a gente espera que ele melhore nosso time. E que a gente consiga trazer peças na janela para completar as nossas carências".
"Escutei muito falar que o Corinthians é 100% gestão. Isso me chateia bastante, porque não sei qual conhecimento da gestão existe além do resultado. Corinthians, desde que entrei, conseguiu controlar com essa responsabilidade de não fazer despesas, de organizar profissionalmente o clube em todos os setores. Trouxemos empresas de renome para nos auxiliar isso. Corinthians tinha como recorde 400 milhões de receita bruta, fechamos 2022 com 786 milhões. Montamos um time competitivo e ficamos entre os 4 primeiros do Brasileiro o ano todo. Então, o que se fala de gestão tem pouco conhecimento... Sempre foi cobrado por vocês e pela torcida dirigentes que tivessem responsabilidade com o dinheiro do clube, que não caíssem em pressão. Tenho feito isso e apanhado demais, mas não vou parar. Meu título seria entregar o clube em ordem, muito mais do que eu recebi. Seria muito mais fácil fazer um cheque agora e contratar 5 ou 6 jogadores top, titulares para chegar aqui e eu ganhar um título para sair como presidente vencedor. Eu tenho conta para pagar todo dia. A dívida do Corinthians é 900 e poucos milhões, então tem que pagar. Se não, pode gerar transfer ban e outras punições. Corinthians não é só futebol, é uma cidade, tem outras responsabilidades, dívidas do passado e um estádio para pagar. Pouca gente sabe, mas fiz um acordo com a Caixa para pagar o estádio e já paguei 50 milhões esse ano. Tem muita gestão! Dobra a receita, paga os acordos, paga o estádio, salário está em dia, futebol feminino voando..."
"Uma gestão é um contexto, não existe só venda e compra de um jogador. Tem que tomar cuidado porque é um ano eleitoral. A gente volta lá atrás no Pedrinho, foi vendido por 18 milhões de euros, 100% dos direitos. Muito se fala que essa venda foi ruim, mas foi igual proporcionalmente à maior venda do clube, 9 milhões de euros por 50% dos direitos. Em relação ao Zenit, ainda bem que está no mercado fazendo negócio, porque a gente fez um negócio de trazer um centroavante de 21 anos e avaliado em 35 milhões de euros pelo mercado. Se ele vale 35 milhões de euros, estamos falando em 17,5 milhões de euros por 50%, mais 11 milhões de euros que vieram agora. Eu comprei 50% do Yuri por 12,5 milhões de euros e vendemos Pedro e Mantuan por mais 11. São contas diferentes. Essa negociação tem absolutamente nada a ver com o Yuri Alberto. Na época foi dada uma prioridade de compra ao Zenit, que não foi usada. Estamos trabalhando nela algum tempo para melhorá-la. Vendemos por um valor que entendo ser de mercado. Não entendo que o Pedro valha isso, mas ele pode valer muito mais no futuro. E eles compram pensando na valorização. Vi a venda do Angelo pelo mesmo valor, Giovani pelo mesmo, e o Corinthians ainda segurou 30% para que, se ele estourar na frente, a gente tenha uma receita".
"Quando o clube que recebe o jogador fixa, ele põe um limite de pagamento. Não tem negociação, porque é um valor fixado. O Mantuan tem 3 cirurgias de joelho. Foi para lá, foi bem, jogou. Ele é negócio, mas também envolve seres humanos, vida, futuro. Ele tem um salário lá que era 10 vezes o que ele ganhava aqui e queria ficar por lá. Corinthians teria feito 5 milhões de euros por 80%. Não é uma venda pequena por todo o contexto que coloquei. Ele pode querer pagar ou não, fazer uma proposta menor. Foi o que aconteceu, e o Corinthians fez".
"O Matías Rojas a gente adquiriu 80% dos direitos econômicos, entre luvas, imagens e comissão estamos gastando US$ 1,8 milhão. Se fazer esse paralelo, 40% do Rojas custou metade do que o Zenit pagou pelo Mantuan. E é um jogador de seleção, formado, que vai nos ajudar. Mantuan segue a vida dele lá, é bom para ele, que queria permanecer. A gente repôs praticamente a mesma posição com um jogador mais experiente e por um valor muito mais baixo".
"Tá tudo em dia. Existem algumas dívidas de passado, de jogadores que estão há mais tempo e alguns que saíram daqui, como Boselli, Bruno Méndez. Isso a gente convive diariamente. Eu paguei aqui coisas de gente que jogou em 2010, 2011, 2015, 2013. Isso acontece e vai acontecendo, estamos cumprindo. Problema do Jr. Moraes é um problema específico, que envolvia uma rescisão. Com o Ramiro a gente senta e faz acordo, como todos os outros. São dois anos e meio assim. Esses dias falaram que o Corinthians vai ficar seis meses sem contratar. Não é real. Se o Corinthians pagar, e a janela nem abriu, não vai sofrer nada. E vai pagar! Sendo resolvido, na segunda-feira não vai ter esse problema quando abrir a janela. Todo mundo se assustou com 7 milhões de transfer ban para pagar. Gente, tem 900 milhões de dívida para pagar".
"Não quero falar em reforços, quantidade, para não gerar expectativa e depois frustrar a torcida. Muito disso acontece também, desses blogs especializados, que soltam que está de jogador que a gente nunca foi atrás. Apanho de quem gosta e de quem não gosta do jogador, mesmo se ele não vier. Vamos trabalhar para reforçar o time, mas dentro de uma responsabilidade fiscal. Imagino que além do Rojas precisaríamos de duas ou três peças para completar carências. Não quero falar em posições. Vamos fazer de tudo, mas sem loucura. Um desvio a gente atrapalha dois anos e meio de trabalho fazendo certinho, pagando em dia, cumprindo o que a gente se propôs. Qualquer desvio a gente estraga o trabalho. Uma contratação você joga dois anos e meio fora".
"Endrick fez vários jogos no profissional, fez gols de título. A venda, não sei o valor exato, não é esse que foi anunciado. Depende de muitos bônus, muitas metas. Mas também não vou entrar em detalhes. Um está mais provado, tem histórico e títulos jogando, então não quero comparar os dois. Pedro poderia sair por um valor maior. O que tivemos de proposta a gente enfraqueceria nosso titular, tirando um Yuri Alberto e um Róger Guedes... sempre teve procura, sondagens, mas a gente nem conversa. A única proposta ao Pedro foi a do Zenit, mas mantando 30% para a gente ganhar um dinheiro a mais caso ele exploda".
"A gente investiu muito e trabalhou muito para entregar receita. A gente bateu 800 milhões, que era o dobro do que a gente vinha arrecadando. Poderia ser mais radical e ter um time melhor? Poderia, mas olha o que eu estou sofrendo aqui. Menos que isso era insuportável trabalhar. Corinthians tem um bom time, brigou por campeonatos, está pagando contas e a Arena. Para você ter uma ideia, na minha gestão, no dia que eu entrei, tivemos um lucro no primeiro ano de 140 milhões, no ano seguinte um lucro de 180 milhões e nesse ano a previsão é de mais de 200 milhões. Pagamos 50 milhões só de arena esse ano... Brasil hoje vive um juros gigantesco, mas esse juros foi tudo pago. Mais de 300 milhões de superávit foi tudo pago em juros da dívida. Estamos tentando aumentar a receita e cortar, mas não muito, porque senão é insuportável. Tem vários esportes e uma torcida fanática, não dá para ficar brigando embaixo na tabela e fora de todos os campeonatos. Tem caminhos, é tudo resolvível, mas com responsabilidade. Espero diminuir mais a dívida sem a venda de jogadores, para que a torcida não fique preocupada. Estamos trabalhando em outras frontes. Hoje está a mil maravilhas perto do que estava".
"Temo, sim, e muito. A pressão hoje em dia, da torcida e de veículos... A cobrança é muito forte. Quando perde um jogo, tem invasão no CT. No Palmeiras teve manifestação hoje. Podia ser mais debatido entre a imprensa, entre os clubes. Quando vai existir um protesto, recebo antes sempre pela imprensa. Quando eles chegam, vocês já estão. E cada dia tem um mais violento que outro. Isso vai criando uma necessidade de cobrar a cada derrota. É difícil resistir a uma pressão desse tamanho. Hoje se fala que o Corinthians vai cair, então pode a pessoa não aguentar, contratar e deixar um problema muito grande. Para estragar, é muito rápido. E não culpo só o dirigente. Todas as manifestações, de gente que não tem responsabilidade e passa do ponto muitas vezes, incentivando os protestos... Temo, sim, e se não mudar, isso vai para sempre".
"Não sou candidato à nada. Não vou dar golpe no estatuto. Vou fazer meu melhor até dezembro e depois sigo torcendo pelo clube, como torci a vida toda".
"O Cuca... é difícil falar, trabalhou em todos os lugares, em algumas televisões. Não tinha esse problema. Passou a ter isso dentro do Corinthians. Acompanhei o processo, sei o que ele está fazendo, de pedir anulação e tentar provar sua inocência. Não cabe a mim julgá-lo. Passou em todos os lugares, nunca foi condenado assim. Hoje, se eu soubesse disso, não (traria de novo), mas acredito na inocência dele. É um excelente treinador, um excelente profissional. Não correria esse risco novamente. Mas por todo oi histórico, não vou falar se é culpado ou não. Se é, não passaria nem na porta. Ele tinha acabado de sair do Galo e não existia isso. Quando trabalhou em uma emissora concorrente, era amigo, estava do lado das pessoas. Qual a diferença de eles contratarem e eu contratar aqui? É difícil".
"Não era escondido, as pessoas tinham conhecimento. Passou em Atlético-MG, Santos. Mas nada parecido com isso, nem da imprensa e nem de tudo. Claro que se soubesse que a repercussão seria essa, não teria trazido ele. Depois do feito, fica mais fácil da gente analisar".
1524 visitas - Fonte: ESPN