Hoje (29) teremos dois jogos muito interessantes por motivos diferentes pelo Campeonato Brasileiro.
O primeiro é entre o Fortaleza do ótimo Juan Pablo Vojvoda, que faz um trabalho brilhante e vencedor no time cearense - tricampeão cearense (21/22/23) e campeão da Copa do Nordeste (2022). Adepto de um futebol envolvente, de toques rápidos, muita movimentação e ofensivo, fez do Fortaleza uma equipe muito competitiva e respeitada.
O mesmo encanto tem o futebol do Fluminense, campeão carioca de 2023, nas mãos de Fernando Diniz —que parece estar mais maduro como treinador, mas sem deixar de acreditar no seu estilo de jogo mais solto, de aproximação, de toques rápidos e super agressivo para marcar e atacar.
Diniz foi um fantástico jogador de futsal. Quando vejo seu time jogar, parece que ele divide o campo de futebol em algumas quadras de futsal. Sempre que um jogador do seu time pega na bola, se aproximam outros três (às vezes até quatro) para trabalhar num espaço curto de campo. Nesse ponto, seu estilo é o melhor do futebol brasileiro.
Nem sempre foi assim. Em seus trabalhos anteriores, inclusive no próprio tricolor carioca, aperfeiçoar essa saída de toque foi um desafio. Perdia-se jogos ou classificações por excesso de preciosismo nesse passe curto dentro ou perto da área. Nessa sua volta ao Fluminense, as coisas estão andando muito bem, com futebol agradável de assistir somado a um instinto competitivo e focado quando sai tocando desde o goleiro.
Será o jogo dos dois estilos de futebol mais gostosos de se ver atualmente. Tem tudo para ser um grande duelo, com os times procurando o gol o tempo todo. Essa é uma das diferenças desses dois treinadores —não que os outros não façam o mesmo, mas Diniz e Vojvoda fazem com mais encantamento.
Logo após o jogo do Castelão, teremos uma partida que pegará fogo não só pela rivalidade histórica, mas pela situação atual de um deles: o derby paulista entre Palmeiras e Corinthians. É um confronto diferente de todos que já vi e joguei. Além da diferença técnica, de competitividade e de ambiente entre os clubes, temos outras coisas que deixam um distante do outro
A começar pelos últimos anos. O Palmeiras ganhou tudo: foi bicampeão da Libertadores (21/22) e do Paulistão (22/23) e venceu Copa do Brasil (20), Brasileirão (22), Recopa Sul-Americana (22) e Supercopa do Brasil (23). Enquanto isso, o último título do Corinthians foi o Paulista de 2019.
O Palmeiras tem o fantástico Abel Ferreira como treinador há três anos, mantendo a base do time e contando com talentos enormes que brotam do ótimo trabalho que o clube faz nas categorias de base. Já o Corinthians, além de não ter um treinador nesse momento, já trocou seis vezes de comandante (Tiago Nunes, Mancini, Sylvinho, Vítor Pereira, Fernando Lázaro e Cuca) desde a chegada do Abel ao rival.
Sem contar que o presidente Duílio Monteiro Alves colocou o clube na maior visibilidade negativa da sua história ao contratar Cuca. Todos estamos cansados de falar dessa história macabra.
Fora isso, o Corinthians tem um elenco envelhecido, sem consistência, totalmente dependente tecnicamente do Renato Augusto (que ultimamente anda mais no departamento médico do que em campo) e que, nos últimos campeonatos, sobrevive graças ao Cássio.
O alviverde tem diversos jogadores que podem decidir uma partida, principalmente se forem confirmadas as voltas de Raphael Veiga e Roni.
E nos últimos três jogos contra o rival, venceu.
Do lado preto e branco, quem demonstra ter essa capacidade de decisão no momento é o Roger Guedes. Inclusive, foi ele quem fez os dois gols na última vitória corintiana sobre o Palmeiras. Foi em 2021, pelo Campeonato Brasileiro, na Neo Química Arena, por 2 a 1.
Desde a minha época de torcedor, passando pela de jogador, essa é a partida com a maior distância entre os dois rivais em todos os sentidos de que eu me lembro.
É verdade que nesse clássico é normal aquele que está pior ganhar e acabar com a crise, mas isso sempre aconteceu quando a diferença era só de fase, quem está em melhor ou pior momento técnico. Dessa vez, tem a diferença moral, de princípios e de valores.
Existe também uma diferença administrativa gritante entre um clube e outro. Todo dirigente só olha o lado do seu clube, mas é incomparável a competência e a liderança da Leila Pereira quando comparada com Duílio Monteiro Alves.
O Palmeiras tem as contas equilibradas. O Corinthians não paga as contas.
Desde a chegada da Leila Pereira, no começo como patrocinadora e depois como presidente, o clube virou uma verdadeira potência. Desde que Duílio apareceu, parece que o Corinthians foi diluindo em suas mãos.
Enquanto o Palmeiras da Leila entra em todos os campeonatos como um dos favoritos, com o Duílio o Corinthians entra simplesmente para disputar.
A grande massa torcedora do Corinthians, que já ficou 22 anos na fila, 11 anos sem ganhar do Santos de Pelé e que só cresceu nesse período (para que, anos depois, mostrasse a sua paixão invadindo o Maracanã em 1976 e eliminando a máquina tricolor de Rivellino), não merece passar por isso.
Não estou entrando no mérito do comportamento das torcidas organizadas. Todas já demonstraram que podem ser violentas em momentos determinados, já mataram e também morreram nesses absurdos confrontos das organizadas.
Eu falo de paixão e de orgulho de ver seu time campeão. Já faz um tempo que só a torcida palmeirense está tendo esse prazer.
Bom, acho que lá no Castelão o confronto entre Fortaleza e Fluminense será leve e solto. No Allianz Parque, Palmeiras e Corinthians será pesado e tenso.
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